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Fervendo nas Letras

saothomeNo ônibus, o ar condensado constrói um elo energético entre os passageiros. Um bafo quente que serve de escudo para a madrugada fria ou qualquer fenômeno climático típico das estradas da vida. Era o retorno de mais uma viagem para o santo das letras: reduto de hippies, hipongas, hipsters, geólogos, historiadores, e uma porção de curiosos. Desta vez, o capitão responsável pela missão “fervística” recebia a alcunha de “guerreiro”. Em sua bagagem, milhares de quilômetros e de histórias interestaduais transportando malucos “com tudo” para picos estranhos onde a fervura não pára. E não poderia deixar de citar nessa breve introdução, os “truquezinhos” do nosso nobre comandante, verdadeiros coringas para a monotonia e o baixo astral. Mas também não perderei tempo tentando explicá-los, uma vez que só estando ao seu lado para compreender a grandeza poética presente nessa sábia palavra, ou gíria inventada.

Não sei exatamente se foi o calor provocado pelas janelas fechadas, as inspirações esfumaçadas vindas do novo parceiro de poltrona, ou talvez algum resquício lisérgico dos últimos dias, mas algo naquele ônibus travestido me fez olhar pra trás, numa ingênua tentativa de entender o que foram aqueles últimos dias, e porquê tudo parecia ter acontecido tão depressa, como um cigarro que se apaga ao vento.

Deve haver algo profundamente místico nesse vilarejo mineiro, talvez o mesmo magnetismo obscuro que faz os carros subirem ladeiras, e que atrai uma infinita variedade de doidões para um pedaço de terra feito com pedras brancas só vistas ali. E se a ilusão de ótica é a resposta pronta dos pseudo cientistas para as tais ladeiras, o que dizer das músicas que saem dos rádios de todos os cantos, sempre de qualidade e surpreendendo os ouvidos mais atentos. A pirâmide foi criada por seres extraterrestres e isso a gente não discute mais.

As chacoalhadas do busão seguem conectando neurônios adormecidos e trazendo lembranças de mais um feriado prolongado de um sete de setembro atípico, sem chuvas e com um sol vermelho de arrepiar. Na praça central, ao lado da gruta engraçada, havia um café. Ali conheci Joseph, um músico inglês que estava morando há 9 meses naquele lugar. Stones, Beatles, Cat Stevens, Neil Young e Tom Waits eram algumas das pérolas tocadas por Joseph, além das suas canções próprias. Mas foi no intervalo, entre cigarros, que descobri sua real vocação. Joseph era capaz de conversar com seu eu do passado ou seu eu do futuro, e era assim que ele compunha suas músicas. “O tempo não é linear como nos contam”, dizia ele. E ainda no mesmo recinto, Aninha ainda me apresentou para sua mais nova paixão – um senhor de 71 anos chamado Estélio e que havia feito parte do saudoso “partidão”. Hoje o senhor com aparência amigável semelhante ao Jorge Amado, seguia sua militância esquerdista, em seu carro adesivado cheio de santinhos vermelhos. “Temos muito o que Temer”, provavelmente teria dito ele, sob a sombra de uma ditadura que o perseguira tempos atrás e que agora parece ter virado novamente o assunto das mesas de bar.

São Thomé é das letras, das pedras, dos cogumelos, dos et’s, dos cachorros de rua e dos hippies de espírito livre. Durante quase uma semana, São Thomé também foi o cenário paradisíaco para uma trupe curitibana que incluía um argentino louco, um bebê e uma garota com uma suposta caxumba. Jovens de todas as idades em busca de fervo intenso, com direito a truquezinhos e muitas risadas no caminho.

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Impressões Montanhosas

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Os últimos acordes estridentes do power trio invisível reverberam pelas montanhas, poucos minutos passados da meia-noite e para uma plateia encantada. Era o fim de um festival dominical que contou com a presença de uma série de artistas obstinados na criação de uma atmosfera amiga e unificadora, responsável pelos sorrisos contínuos de um dia dos pais atípico.

O cenário não poderia ser melhor: no pé da serra do mar, no portal dos sonhos possíveis, onde a natureza e o homem parecem provar que os dois podem conviver em harmonia, sem as distrações da cidade grande e com o sentimento mútuo de gratidão. Gratidão pelo lindo dia de sol e pela noite terna sem os costumeiros ventos gélidos do inverno paranaense. Gratidão pelas pessoas maravilhosas que por ali transitaram, tocaram, empolgaram e simplesmente existiram.

No palco das couves e das pedras, tivemos vulcões teatrais em erupção espontânea, chorinhos transmutados em roquinhos oitentistas, a voz marcante de Barretos acompanhada pelo tempero beltrâmico de sempre, os sons espaciais e transcendentais de um casal afinado com o universo, a eloquência e a malemolência dos garotos flamejantes, e por fim, o improviso psicodélico do trio já citado.

No café, tortas, bolos, pizzas e chapates artesanais, feitos com o carinho e a atenção necessária para transformar cada prato em uma experiência gastronômica com proporções astronômicas. Enquanto isso, na portaria, um maluco ex-cabeludo propicia minutos de puro prazer com seu brinquedo para todas as idades, um óculos capaz de teletransportar o sujeito para terras inusitadas. No bar, as cervejas trincavam.

Ainda em paralelo, aconteceram belas oficinas cheias de informações fundamentais para entendermos um pouco mais sobre essa tal América Latina, ou sobre como comermos de maneira saudável, sem precisarmos de animais ou fogões.

Poderia seguir citando as demais atrações, como as incríveis esculturas do artista tímido, ou o maravilhoso artesanato indígena local, ou ainda o charme do brechó com preços ainda mais charmosos. Poderia escrever linhas sobre o carimbó paraense que botou todo mundo pra dançar, poderia escrever muito mais, mas o fato é que fatalmente eu cairia no clichê de dizer que faltariam palavras para descrever a monstruosa satisfação de poder fazer parte dessa nova proposta cultural com potenciais inimagináveis.

Um abraço, daqueles cósmicos e atemporais, em cada alma presente neste dia. Esperamos poder repetir a dose, em uma outra ocasião, “circunstância, situação”, como diria o saudoso Júpiter. A montanha também pode ser um lugar do caralho.

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Meia Noite na Cidade das Separações

pace_isaA abelha esbarra no copo de vidro adquirido na promoção do mercado. Os cacos se esparramam pelo chão. No sinal vermelho a moto de corrida desafia a velocidade do som. A roda toca o paralelepípedo arremessando o condutor para longe. É meia noite na cidade grande e coisas estranhas começam a acontecer. O seriado do momento não me deixa esquecer.

Ecos da preanunciada separação reverberam timidamente em meu coração. Foram sete ou oito meses de tentativas, cumplicidades, afetos e um calhamaço de paciência. Nos tempos modernos há pouco espaço para adaptações. Os minutos são preciosos, ainda que passemos boa parte deles caçando personagens da nossa infância ou rolando a inútil linha do tempo em busca daquele estímulo fugaz que nos fará rir, chorar ou apenas “curtir”.

Curtia seu jeito frenético de ser. Curtia sua história. Curtia seu sorriso e a cor das suas bochechas nos dias friorentos. Curtia seus cafés fortificados e suas torradas amanteigadas. Curtia uma série de pequenas coisas que não fazem a menor importância agora. O vento da mudança soprou novamente e “o passado é uma roupa que não nos serve mais”, cantaria o bigodudo desaparecido cheio de contas pra pagar.

Mas antes que esse trem obscuro siga viagem rumo a estações desconhecidas, não poderia deixar de agradecer imensamente o apoio que me foi dado. Nesses longos meses que passei do seu lado, estive caminhando por vales de solidão, loucura, medo e angústias mil. E apesar desses encontros constantes com meus demônios, você sempre esteve por perto. Enquanto eu me perdia em alucinações, você me mostrava o caminho, me abraçava e me dizia que “tudo vai ficar tudo bem”.

Quero que saiba disso e de mais um tanto. Minha admiração pela pessoa que é seguirá firme como seus sapatos descolados ilustrados pela artista da festa. Ficarão as lembranças das esticadas na cama e dos almoços ensolarados no restaurante indiano. Das viagens repentinas e das pequenas aventuras. Dos sambas no piano, da parede amarela e das conversas fiadas em inglês. Das reuniões com os amigos estranhos e das festas particulares para dois. Ficarão os “recuerdos” de uma história curta e intensa, com picos flamejantes e desesperos domados. Uma história criada aos trancos por dois seres distintos com algo em comum: a busca pela tão sonhada felicidade.

E que ela venha para ambos, ainda que em tempos e espaços diferentes, assim como o “pai da noite” quiser. E que o brilho das estrelas ilumine nossas estradas esburacadas e nos ajude a encontrarmos a estação da paz. Foi bom enquanto durou. Obrigado por tudo.

*sem revisão

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Série “Taxistas Curitibanos” – Episódio #7: O Câncer dos Táxis

taxistas_curitibanosA revolução chegou. Não falo desse Brasil que caminha aceleradamente de forma regressiva, capitaneado por uma máfia de políticos abusados e cercados por falsos heróis, mas de uma revolução nos modelos de negócios, algo há ver com as mega corporações virtuais e com os investimentos do garoto problemático da série sobre os anos 70, e que hoje estampa a capa da revista sobre gente “bem sucedida que fatura milhões ou bilhões” investindo em redes sociais altamente lucrativas. Nessa revolução social, hotéis e táxis se tornarão obsoletos, artigos de luxo pra gente desligada que prefere a invisibilidade destes espaços, sem se preocupar com seus bolsos. Uma revolução que tem provocado constantes torcidas de nariz de seres gananciosos, preocupados com seus umbigos perfumados e que costumam clamar pela “família” em seus discursos de araque. “A burguesia fede, mas tem dinheiro pra comprar perfume”, já diria o gênio Falcão.

E eis que sob esse cenário pós-contemporâneo ou qualquer outra coisa que você queira chamar, escuto o sinal do celular me avisando que o motorista está próximo. Lucas, em um honda fit, de placa xxx, me recebe cordialmente, perguntando se a temperatura “aí atrás está agradável” e se eu teria alguma rádio “de minha preferência”. Respondi que curtia a educativa ou a lúmen, mas que não lembrava das estações. “Mundo Livre tá bom pra ti?. Sim, claro, também acho bacana, respondi. “Aceita uma água ou uma balinha? É só pegar!”.

Na sequência, o jovem e simpático motorista me informa sobre um protesto do MST que está “atravancando a visconde”. Sentado em um banco de couro preto, Lucas pergunta o que acho sobre isso ou sobre esses caras que ocupam terras por aí. Digo que quando é necessário um helicóptero para mensurar o tamanho de uma fazenda e que quando se constata que boa parte dessa terra está improdutiva, talvez isso seja pelo menos algo pra gente pensar. Ou talvez isso seja mais um pensamento esquerdista de hipster sem nenhum conhecimento de causa. Logo, Lucas procurou desviar o assunto, sempre com bom humor: “Política e religião a gente não discute, né?. Falo que é só triste quando o indivíduo nasce e morre com a mesma opinião e que era como a manjada canção do Raul já dizia: “eu prefiro ser uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião sobre tudo˜.

“Ah, você curte Raul Seixas? Minha mulher é fã dele, inclusive ainda devo ter um CD no carro,… saca só!”. E assim, compartilhamos o nobre raulzito no conforto de seu honda fit, modelo de no máximo quatro anos – de acordo com as exigências da companhia fantasma responsável pela ira dos taxistas, ou deveria dizer, dos donos desses carros e das tais rádio-taxis, congeladas no tempo. “Essas empresas precisam se atualizar, ao invés de culpar a gente, que só está trabalhando e tentando se virar como pode nessa crise aí”, arrematou Lucas, enquanto em seu som Raul cantava sobre a lucidez dos loucos. “Em breve colocarei bluetooth nesse aparelho, pra você poder tocar a sua playlist favorita, só não esqueça de comentar no aplicativo que você teve uma trilha sonora personalizada!”, comentava aos risos o novo motorista da cidade esverdeada.

E tudo isso pela metade do preço dos táxis e sem a necessidade de dinheiro (ainda que isso possa representar um problema depois). Pois é, estou vendo que precisarei mudar o nome dessa série. Viva a revolução e que venham as próximas. Adeus carros laranjas, o mundo precisa de todas as cores.

*sem revisão

 

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Download – Podcast Pace is the Essence

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Meditações e Vicissitudes V.I.P…

pace_2016_01_forestJá não consigo lembrar se esse é o quinto ou o sexto dia. Escutei o sino e segui no caminho empedrado rumo ao humilde refeitório dos panos aparentemente sujos. Atrás de mim, seguiam outros caras, rostos que não eram mais desconhecidos, mas que seguiam calados, em completo silêncio conforme as instruções de outrora. As identidades permaneciam ocultas e eram, nos momentos comunitários em que minha cabeça se mantinha ocupada, numa tentativa minimamente criativa de imaginar personagens, reafirmando os velhos arquétipos presentes em sociedades dispersas pelo mundo afora.  Um retiro “nas montanhas da Serra do Tinguá” não seria diferente.

Transcorridos os primeiros dias e as primeiras indagações associadas aos fatos raros: sobre o isolamento, o silêncio, a segregação e a disciplina, ou ainda sobre a ausência dos tais estímulos externos; em seguida começo a recordar como escolhi estar aqui e como é importante eu seguir a corrente proposta, ainda que não consiga visualizar o final desse rio absorto em velhas novidades.

São quatro da matina e o sino toca. É hora de levantar, urinar e lavar os olhos remelados. No caminho escuro, vejo a aranha tropical e o medo da criança que ainda ecoa nesses instantes. O fluxo lento e preguiçoso dos companheiros me leva à sala de meditação, com suas mil almofadas e uma energia pacificadora normalmente constante nesses espaços. Sento em algumas dessas almofadas apostadas ao moderno banquinho emprestado. Medito, ou devo dizer, tento meditar, ainda que existam distrações e talvez a maior delas seja lidar com o tremendo sono que sinto às quatro e meia da manhã.

Confesso que por vezes me senti ligeiramente incomodado com a chegada de alguns retardatários. Mas quem sou eu para tecer qualquer tipo de crítica sobre eles, pois sentia que mais cedo ou mais tarde eu faria parte desse mesmo grupo; afinal, para alguém que havia meditado poucas dezenas de vezes na vida e por vinte minutos nos melhores casos, estar meditando por seis ou sete horas por dia parecia ser o suficiente.

Nos breves intervalos, as placas limitadoras encurtavam as caminhadas exploradoras: da bendita sala ao banheiro, do banheiro ao bebedouro, do bebedouro aos arredores dos dormitórios e desses arredores ao quarto. No aposento dividido com outros dois parceiros mudos, a sensação é sempre estranha. A falta de palavras parece ser substituída pela comunicação corporal não visual, exacerbada em cada virada de lado da cama ou em cada levantada, mesmo que houvesse a preocupação excessiva de não incomodar os colegas.

Colegas estranhos: hippies cabeludos travestidos de jovens budas, surfistas australianos, gigantes alemães de saia, garotos mimados em busca de aventura, quarentões faxinando antigos karmas, curitibanos heteronormativos, cariocas linguarudos, xarás, geeks e toda sorte de freaks, espiritualistas e curiosos.

No meio desse pastiche, me sinto novamente em casa. Uma casa vazia e incolor, mas com o mínimo conforto necessário para recomeçar. Uma casa inexistente há pelo menos cinco meses ou o tempo do último texto desse blog capenga sobre esse tal rapaz latinoamericano sem mapas, mas com muitos documentos e responsabilidades pra zelar. Em um mundo inventado – ainda que seus limites sejam tão reais quanto o golpe político que seu país atravessa, ainda que ele só tenha ficado sabendo disso dias depois, no melhor estilo Adeus, Lenin. Ou como diria Donny no seu filme favorito, “I am the Walrus”.

Chega de saudade, a lei da impermeabilidade jamais será esquecida. Obrigado Dhamma, foi massa conhecê-lo mais de perto.

E que venham as tais vicissitudes, algo a ver com policiais sacanas, enfermeiras inexperientes, cuidadoras e uma mãe iluminada que descansa na serenidade de seu lar.

Meu pai estava certo, meditar é bom.

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Raios de Esperança

raiosTímidas luzes natalinas começam a aparecer na vizinhança de uma casa que agora está estranha e oca, faltando peças fundamentais e ecoando saudades por todos os lados. Randy Newman segue na sala na sua “terra de sonhos” provocando inspirações e divagações positivas, apesar dos pesares.

A semana havia começado bem, o sol de verão irradiava esperança nos ares, já mal acostumados com a chuva e o frio da nula primavera de Curitiba. Após a enxurrada provocada em meu coração operado, e todas aquelas histórias macabras envolvendo facas, celulares e ambulâncias, sentia que havia algo fresco no ambiente, algo que acalmaria meus pensamentos em chamas, algo que me fizesse seguir acreditando nesse mundo perdido cheio de nuvens e distrações.

A vida se mostrou frágil novamente como o piano melancólico de Monk, a música mais uma vez segue intensa e apontando a direção. O mundo lá fora ainda parece hostil e carente de sentido, mas os ventos praianos de dezembro anunciam o ano novo e abrem espaço para novas ideias e novos desafios. A TV prenuncia o apocalipse político brasileiro, enquanto na Argentina os hermanos se deprimem com o resultado das últimas eleições.

Balões vermelhos alegraram as crianças do shopping classe A, hippies roubaram a coroa do Cristo Rei e depois foram barrados no baile na mansão em contagem regressiva para sua implosão. Paranoias deixaram Caldabranca e Dr. Gonzo pilhadões, enquanto piadas veganas entretinham a plateia de londrinenses e malucos.

No hospital enxuto, a mãe segue sua batalha exalando vitalidade, por entre olhares curiosos, enfermeiras carinhosas e uma porção de médicos otimistas. Do lado de cá, a bondade alheia é valorizada, as imperfeições são apontadas, e a corrente de pensamentos felizes são somados às orações dos familiares e dos amigos. É preciso manter a cabeça sana e descansada, pois cada dia pode ser uma nova aventura.

Natal? No presente momento não quero pensar nessa brincadeira, ainda que as luzes dos vizinhos reafirmem esse rito antigo e capenga de significados populares. Por agora, vou continuar aproveitando o final dessa cerveja e as últimas notas de Monk, introspectivas e assertivas para a ocasião.

E que o choro de outrora seja transmutado amanhã, na roda do bar dos barbudos, ensanguentado de arte sulamericana, enquanto me preparo para encontrar a minha terra dos sonhos nos próximos dias. É hora de esvaziar os baldes e preparar o solo para a nova estação. “O pulso ainda pulsa”, e com isso, novos raios de esperança insistirão em nascer, para todos, em todos os cantos onde a “dança da realidade” esteja presente.