Dicas Musicais

Leonard Cohen é o Homem

Ele já tinha seus trinta e poucos anos e era reconhecido no mundo da poesia. Um mundo pequeno é verdade e que hoje é quase nulo.  O ano era 1967, o ano da psicodelia, das cores berrantes, das drogas lisérgicas, das orgias e da esperança. Mas não era exatamente dessas coisas que o homem queria falar. Seu universo era mais obscuro, suas dores eram mais profundas e as cicatrizes estavam na sua alma. O homem se chamava Leonard Cohen e seus temas eram o amor (desta vez sob uma ótica adulta), a espiritualidade, a solidão, a melancolia e o sexo (sem os exageros da época).  Se tornar um cantor folk não era exatamente o plano mais inteligente para ganhar a vida naqueles dias, como ele próprio comentou décadas depois. Era uma espécie de auto-sabotagem, mas que por algum motivo acabou dando certo.

Os títulos dos primeiros discos já demonstravam um pouco da introspecção sugerida (“Songs from a Room” e “Songs of Love and Hate”, são alguns).  As mulheres e os romances rompidos também foram temas recorrentes e é sobre isso que uma repórter o questiona: “Você sempre fala de mulheres, no entanto sempre te vejo sozinho”, ele então cita uma antiga professora que dizia “Quanto mais velho a gente fica, mais sozinhos nos sentimos e maior o amor necessário para nos tirar dessa solidão”.  Depois de ganhar um público cativo sendo mais um judeu intelectual esquerdista cantor de folk, ele modifica a sua imagem e se transforma no homem das mulheres, conquistando corações com suas poesias musicadas e com uma incrível aptidão para expressar suas dores e fraquezas (ironicamente, em 1977 ele lança “Death of a Ladies’ Man”). Após essa fase e pelo menos mais um grande disco (“I´m Your Man”), Cohen retorna de uma longa turnê aonde ele chegava a beber duas garrafas de vinho em uma noite (palavras dele), com uma saúde deteriorada e sentindo internamente vazio. Era necessário outra grande mudança. Em 1993 ele larga a carreira musical para virar um monge budista e assistente de Kyozan Joshu Sasaki Roshi. Depois de cinco anos recluso, Leonard Cohen volta a gravar e está pronto para aquilo que chamou de “terceiro ato”, com sete décadas nas suas costas. Há ainda o problema financeiro, o velhindo perde tudo que tinha devido a uma má gestão empresarial, e de uma hora pra outra, precisa recomeçar.  Mas isso não é motivo para desestabilizar o grande homem, seus valores são outros e quando questionado a respeito ele explica: “Eu deveria estar preocupado, mas não estou. Meu filho me ligou e disse que independente da minha decisão, eu não deveria fazer nada por eles. Nós vamos ficar bem e você sempre deu tudo que a gente precisou. Quantos pais têm a oportunidade de escutar isso de um filho?”

Sobre o futuro ele profetizou (em 1988): “I’ve seen the future, brother: It is murder.” Sobre a esperança mesmo em um mundo corrompido e doente ele nos lembra: “There is a crack in everything/ That’s how the light gets in.” Sobre o amor ele pontua: “There’s nothing pure enough to be a cure for Love”.  Sobre a liberdade ele canta: “Like a bird on the wire, like a drunk in a midnight choir/I have tried in my way to be free.” Sobre uma paixão ele recorda: “I used to think I was some kind of Gypsy boy before I let you take me home.” Sobre ser um homem das mulheres ele confessa: “If you want a lover/I’ll do anything you ask me to/ And if you want another kind of love/I’ll wear a mask for you”.  Sobre a idade avançada ele observa: “Well my friends are gone and my hair is grey/I ache in the places where I used to play”.  E na mesma canção, sobre a posteridade ele finaliza: “But you’ll be hearing from me baby, long after I’m gone/I’ll be speaking to you sweetly/From a window in the Tower of Song”.

[ Clique aqui para escutar ou baixar algumas de suas canções ]


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5 comentários sobre “Leonard Cohen é o Homem

  1. Se informe antes pra saber se ele não está fazendo alguma turnê pra pagar as contas no fim do mês. Caso ele esteja em casa, não hesite em tocar a campainha, oferecendo doces brasileiros (brigadeiros) e um bom vinho.

  2. Uma garrafa de cachaça nao valeria a pena porque custa quase o olho da cara aqui. Mas como um Burger King, infelizmente só estou apto a preparar um rápido sanduíche-íche-íche mesmo. Além do mais, aqui nao tem lata de Leite Moça…

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