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Alice no País das Maravilhas tem Final Surpreendente!

A expectativa era grande. Aquelas fotos que a Disney insistia em divulgar antes da estréia, aqueles cenários, aqueles pomposos figurinos, aquela maquiagem toda. Tudo bem, esse filme eu aceito pagar quase trinta reais pelo ingresso, com direito a cinema 3D, tela gigantesca da IMAX e poltrona escolhida a dedo, ainda na bilheteria. Afinal é Alice, é Johnny Depp, é Tim Burton! Não, não tinha como dar errado. Mas deu. Afinal é Disney também! Quem sou eu pra falar mal do vovô Valdisnei, ele foi o responsável por diversos momentos de alegria naqueles dias chuvosos da minha infância. Ver o trailer do Mickey (com o Pateta na direção) desgovernado descendo ladeira abaixo sempre foi uma das cenas mais engraçadas que consigo lembrar. Mas a Disney se modernizou, o vovô Valdisnei morreu, a Pixar apareceu e o 3D virou sinônimo de sucesso de bilheteria. O “fenômeno” Avatar veio com força, assim como suas poderosas cenas de ação. Mas agora, precisava inventar tanta cena de ação num filme do Tim Burton? Todo mundo sabe que o negócio dele é outro, é mexer com personagens marginalizados, cenários sombrios e uma direção de arte de tirar o chapéu de qualquer maluco. Entendo também que o cinema atual busca atingir públicos heterogêneos, das criancinhas aos “adultos”. Talvez seja por isso que o senhor preferiu dosar melhor o tom sombrio e esquizofrênico encontrado nas páginas escritas por Lewis Carroll. Talvez seja por isso que o senhor resolveu incluir aquela dança estúpida do chapeleiro maluco (os pré-adolescentes devem curtir).

[ spoiler logo abaixo ]

Mas só gostaria que o senhor me explicasse àquele final. Não quero ficar comparando o filme com o livro (discussão velha e chata), mas só entender porque a Alice preferiu retornar ao mundo “real”, decidindo ir trabalhar no escritório do ex-sogro, realizando a empreitada imperialista do falecido pai (como estagiária?). Ok, a cena do barco é bonitinha, ela parte em busca do desconhecido e a ligação dessa cena com a batalha contra o dragão faz sentido (já que lá, o dragão poderia ser visto como “o desconhecido”). Mas porra, largar aquele chapeleiro maluco (e triste sem a Alice), o gato e todos aqueles outros seres bizarros e infinitamente mais divertidos que aqueles que ela poderia encontrar “desbravando terras por aí”? É como se o Mickey tivesse a opção de largar aquele mundo de diversão e loucura, onde cachorros e patos falam, escolhendo ir trabalhar numa loja de queijos da família. Não sei, mas tenho a impressão que o vovô Valdisnei teria escolhido algo diferente.

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16 comentários sobre “Alice no País das Maravilhas tem Final Surpreendente!

  1. Trata-se da velha história do Peter Pan. Quem gostaria de nunca crescer e continuar num mundo de fantasia? O mais irônico nisso tudo é que quando éramos crianças (pelo menos falo por mim, na minha infância), queremos crescer logo, o que nao significa necessariamente ser logo adulto. Esse tipo de tendência que vem atingindo cada vez mais jovens desnorteados na vida chama-se “kidult”, ou seja, ser um adulto-criança. Ei, mas isso nao é impossível! O problema é quando a fantasia nos fascina mais que a realidade, onde muitos preferem buscar um tanto inconscientemente o grotesco ao invés do “mágico”. Eu aceito a decisao da Alice de Tim Burton e reformulo a questao: por que ao invés de viver na magia ou fantasia, nao trazer um pouco dessa magia ou fantasia para o mundo real? Talvez essa tenha sido a mensagem sub-sub-subliminar do filme, embora tenha achado bem forte a cena da luta de Alice e o tal Dragao.

  2. É verdade, ser um adulto-criança é algo até comum nos dias de hoje. O maior exemplo disso talvez tenha sido o Michael Jackson e sua Terra do Nunca, buscando, como vc disse, inconscientemente o grotesco ao invés do mágico. Mas não acho que essa seja a mensagem que Tim Burton quisesse passar, aliás esse tipo de mensagem até seria cabível num Spilberg, não num Tim Burton.

    1. Nossa, você escreve como se Tim Burton fosse um compadre de rodas de birita em finais de semana entediantes, hehehe… Prefiro nao ficar na tentar criar expectativas sobre um artista como ele, mas concordo com sua colocaçao sobre SpiElberg. Como diria Oscar Wilde, a pior forma de egoísmo é de nao aceitar uma pessoa como ela é.

  3. Concordo plenamente. Aliás, o desenho da Disney de 1951 faz bem mais juz ao livro e consegue ser mais sombrio que o do Burton.
    Btw, a dancinha do Chapeleiro me dá vergonha alheia, ouvi por aí que foi uma homenagem ao Michael Jackson.

  4. Adoro o Tim burton, mas sinceramente esse filme pra mim não valeu os R$14,00 do meu dinheiro…
    O 3d não tala la essas coca-cola. Aquela dancinhado deveria ter envergonhado J.D… E Mia como Alice,… Nada menos que Sem Sal

  5. Na minha opinião, eu acho que o Tim Burton não é realizador para esse tipo de filmes. Transformou uma história de crianças num monte de merd*

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