pseudojornalismo

Passado, Presente, Futuro e os Sonhos

Outro dia um amigo me disse que nos sonhos não existem passagens de tempo. Passado, presente e futuro se condensam em uma coisa só e o que importa são os acontecimentos em si, o que vivenciamos e o que sentimos. Dylan disse certa vez que o sonho é a única coisa que não sofre uma degradação do tempo ou da natureza. Portanto, os sonhos são puros e livres de julgamentos relacionados ao tempo que eles acontecem. Em um sonho você pode experenciar uma lembrança infantil como se estivesse acontecendo naquele momento. Nesse mesmo sonho você pode revivenciar relações com antigos amigos de infância e até situações que ficaram guardadas em algum canto da sua mente, mas que por algum motivo, foram acessadas novamente para quem sabe, te ensinar algo. Em outro sonho, você pode vivenciar uma situação completamente nova e que talvez acabe acontecendo em um futuro distante. Aquele “déjà vu” pode ser explicado dessa forma (caso prefira não acreditar em vidas passadas ou coisas do gênero). Outro cara disse que o tempo é uma invenção humana, algo para nos auxiliar nas tarefas cotidianas, trabalho, reuniões, escola, aniversário e tudo que hoje temos dificuldade de mensurar, sem o auxílio de um calendário ou de um relógio.

Logo, temos o sonho como um estado essencial da vida, algo que consegue unir tudo que já sentimos ou vivenciamos anteriormente e que talvez também inclua coisas que possam vir a acontecer no futuro. Seriam os sonhos apenas indicativos dos nossos desejos, como Freud sugeria? Obviamente em certos casos é justamente isso que acontece. Alguns sonhos são manifestações inconscientes de desejos reprimidos, afinal muitas coisas que gostaríamos de realizar seriam simplesmente incompreendidas pela sociedade. Mas não acredito que todos os sonhos possuam esse caráter. Outro dia sonhei com um acidente de avião, onde meus pais (hoje separados) estavam na aeronave. O avião tentava fazer um pouso forçado em algum aeroporto do continente africano. Detalhe, um amigo voltara de Angola e estivemos juntos no dia anterior a esse sonho. Durante todo o pouso, eu e uns amigos assistíamos tudo diretamente da pista de pouso. Felizmente meus pais sobreviveram, apesar de algumas pessoas terem morrido no pouso. Engraçado que eles não sabiam que estavam no mesmo vôo e depois do ocorrido os dois marcaram um jantar (desejo?). Curioso também foi o fato de no dia seguinte eu ver o noticiário e descobrir que um avião havia tentado fazer um pouso forçado em um aeroporto africano, e que todas as pessoas morreram, restando apenas um sobrevivente (futuro?). À medida que as pessoas eram resgatadas, uma multidão de curiosos se formava em torno do avião – dois dias depois vi uma reportagem na TV sobre o povo africano, com aquelas imagens clássicas de multidões nas ruas (futuro?).

Coincidências a parte, acredito que no sonho em questão havia outras variáveis que talvez pudessem explicar melhor o significado daquilo tudo. Lembro que acordei assustado, como se tivesse realmente sentido todas aquelas emoções (ver o avião pousando e pegando fogo, presenciar um possível reencontro dos meus pais). É uma pena que ainda hoje os sonhos continuem sendo alçados a categoria de meros agentes místicos, sem importância. Continuo acreditando (com menos fé e mais razão) que nossos sonhos podem nos ajudar a entender muito mais que desejos, mas pra isso, primeiro é preciso que intelectuais, cientistas e psicólogos, comecem a levá-los mais a sério.

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Um comentário sobre “Passado, Presente, Futuro e os Sonhos

  1. Acredito que tempo sonhado seja tempo vivido. Ao sonhar adquirimos a experiência do sonho, por mais bizarro que este tenha sido, da mesma forma em que adquirimos a experiência do que vivemos, por mais rotineira ou bizarra que esta esteja sendo.
    Vejo as emoções como respostas físicas, psicológicas e espirituais que temos perante as vibrações que nos atingem. Nos sonhos sentimos emoções (adquirimos experiência), só não sabemos de onde vêm os estímulos. Na vida ordinária achamos que conhecemos as fontes dos estímulos, mas considero ignorância nossa acreditar cegamente (olha o termo aí) nisso.

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