pseudojornalismo

Homossexualismo: ainda discutimos isso?

Semana passada a Argentina se tornou o 10º país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Pera aí, o décimo país? Como assim, e os outros 181? E o Brasil? Ah, ok, eles estão parados no tempo, congelados em uma cápsula que não os permitem aprovar uma lei tão ridícula como essa, em pleno século 21. A lei ajuda casais gays obterem financiamentos bancários, coberturas médicas ao cônjuge, licenças para lua de mel, entre outras coisas básicas. Religiosos de plantão, essa lei não tem nada haver com vocês. O matrimônio, a cerimônia religiosa, o padre ou o pastor abençoando os noivos, aquele órgão tocando a tradicional marcha nupcial, as crianças vestidas como adultos, os padrinhos bêbados dançando whisky a go go com chapéus florescentes no meio do salão na festa depois, esse ritual todo continua sendo apenas para casais heterossexuais.  Deixem seus cartazes homofóbicos em casa, guardem seus gritos para protestos realmente relevantes, para caçarem assassinos cruéis ou políticos corruptos.

Ainda no âmbito religioso, a única coisa que tenho a dizer aos homossexuais, é que, caso vocês pretendam seguir esse estilo de vida (pois é, ainda tem gente que acredita que gays são como boêmios ou artistas, eles simplesmente escolhem viver assim), por favor fiquem longe da Bíblia. Lá está escrito: “Não te deitarás com um homem como se fosse uma mulher. Isto é abominação… Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável. Devem ser mortos. Seu sangue cairá sobre eles” (Lev. 18:22, 20:13). Aparentemente, as lésbicas podem ficar tranqüilas. Mas esperem, lá também está escrito isso aqui: “Mas sabemos que a lei é boa e aquele que a utiliza de modo legítimo, mas sabeis disto: que a lei não foi feita para o que é íntegro, mas para os transgressores e rebeldes, para os irreverentes e pecadores, para os ímpios e profanos, para os assassinos de pais e mães, homicidas, para os fornicadores, para os sodomitas , raptores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para tudo quanto seja contrário à sã doutrina” (1 Tim 1:8-10). Assim, o livro sagrado coloca vocês, homossexuais homens e mulheres, juntamente com a escória da humanidade, os seqüestradores, os homicidas e até com meros mentirosos.

Voltando a questão sobre a homossexualidade ser uma opção de vida, repetirei aqui o mesmo argumento válido em relação a isso. Quem em sã consciência iria escolher ser gay nesse mundo predominantemente heterossexual repressor e preconceituoso que vivemos? Os masoquistas talvez. Outro argumento contra os homossexuais é dizer que o comportamento deles é contra a natureza. Pois bem, o que hoje em dia é considerado natural? Teoricamente, deveríamos estar andando nus por ruas de terra e morrendo de doenças casuais, já que a indústria farmacêutica até onde eu sei, é basicamente feita de manipulações sob a natureza, gerando produtos artificiais. Por que a sexualidade tem que ser diferente? Somos seres humanos criativos, e usamos essa criatividade para inventar outras formas de fazer sexo, até partes do corpo que não deveriam ter essa função, passam a ganhar outras finalidades.

Por fim, reproduzirei uma fala de um querido amigo gay (informação desnecessária) meu, sobre a importância que a sociedade dá para as pessoas “saírem do armário”. “Porque os gays têm que assumir?”, diz ele. “Você não vê ninguém aí assumindo ser hetero”. Exato, por que as pessoas precisam saber o que as outras fazem entre quatro paredes ou no meio do mato, como diria Jards Macalé? É essa curiosidade patológica que faz com que tablóides lucrem milhões e gays sejam discriminados mundo a fora. Quando a sociedade vai perceber que estamos todos no mesmo barco? Um barco, aliás que, cada vez mais, merece afundar logo. E chega dessa discussão sem sentido.

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8 comentários sobre “Homossexualismo: ainda discutimos isso?

  1. Oi, querido blogueiro! Permita-me desfiar alguns comentários pertinentes ao seu texto sobre a questao (mas nao a menor intençao de discutir mais a fundo nada, porque todos nós somos livres para pensar o que quisermos):
    1. De fato, os heterossexuais ainda sao (ainda) uma maioria, mas penso que nao podemos ignorar o crescimento de um suposto “movimento gay” no mundo hoje em dia. Prova disso sao as inúmeras paradas gays que existem em muitas cidades hoje e mesmo a conquista de um espaço maior dentro da sociedade civil. Conquista ou concessao, isso é seria uma discussao mesmo.
    2. Os próprios homossexuais, nao sei se a maioria pelo menos, acredita que escolhe ser o que é, entao fico pensando o que você acha que sobre isso: opçao ou condiçao?
    3. Sobre o “fato” de o homossexualismo ser contra a natureza, acho esse argumento um pouco nebuloso porque mesmo entre os animais isso ocorre como já foi verificado. Contudo, nao poderíamos nem de longe nos comparar com os outros animais porque estes vivem basicamente regulados pela seleçao natural, o que ironicamente poderíamos aplicar a nós humanos num certo sentido, hehe… Contudo, os animais sao seres amorais porque nao refletem sobre seus atos, ao contrários dos homens, que estao no topo da cadeia alimentar ainda. Penso que seria mais apropriado dizer que o homossexualismo seria imoral ao menos no Ocidente, de bases civilizatórias predominantemente cristas. ainda sobre criatividade no sexo, ainda considero isso questionável, rsrs.
    4. Por fim, sobre o “argumento” de seu amigo sobre ninguém se assumir hetero, acho que você respondeu indiretamente essa questao acima, no seu primeiro parágrafo: os heterossexuais parecem ser a maioria da populaçao, o que logicamente lhes concede alguns “privilégios” sobre algumas minorias. Além do mais, nao creio que se trate de uma profunda ignorância de um suposto homofóbico pensar que se trata de uma questao meramente de curiosidade ao querer saber o que acontece entre quatro paredes, porque pessoas minimamente inteligentes e maduras sabem o que acontece, tanto para homossexuais quanto heterossexuais. Mas penso que o verbo “assumir” ao menos para mim, quando questiono um amigo meu gay, significa muito mais porque nao assumir o peso do preconceito que existe ao invés de viver, digamos, no “underground” da sociedade como se fossem criminosos reais. Assumir para se afirmar, tendo consciência de sua suposta escolha pessoal.
    Desculpe a relativa prolixidade, mas senti essa necessidade de esclarecer certas coisas em seu texto, sem desmerecê-lo ou depreciá-lo tanto.

  2. Primeiramente gostaria de retificar o título desse post, apesar de ser contra termos “politicamente corretos”, concordo que quando falo em homossexualismo estou ligando o comportamento a algo doentil, já que as doenças costumam ser acompanhadas do sufixo “ismo”. E como a Organização Mundial de Saúde excluiu o “homossexualismo” da lista de doenças em 1° de janeiro de 1993, o termo correto seria “homossexualidade”.

    Segundo, como eu mesmo falo, acho essa discussão um tanto sem sentido, já que os argumentos contrários me parecem carentes de maiores dados concretos. Mas vamos lá Josh, vou tentar elucidar alguns pontos.

    Pesquisar realizadas em 2008 mostraram que 10,8% dos homens e 5,1% das mulheres com mais de 18 anos de idade nas capitais brasileiras são homossexuais ou bissexuais. O interessante dessa pesquisa é que em cidades onde há menos preconceito em relação ao tema, o índice é maior, chegando a 14,5% de homens gays no Rio de Janeiro, por exemplo, e apenas 5,4% em Curitiba – cidade tipicamente preconceituosa e tradicionalista. O que isso comprova? Que o índice de gays talvez seja o mesmo em qualquer lugar, porém apenas em locais livres de preconceitos, eles se sentem confortáveis em admitir sua condição.

    Não sei baseado em que vc diz que homossexualidade é uma opção. Até hoje não conheci nenhum gay que disse pra mim que havia escolhido isso. Muitos falam das dificuldades da própria aceitação no meio de uma sociedade extremamente machista e homofóbica. Sugiro que leia esse depoimento aqui (ou pesquise milhares de otros espalhados pela internet) http://www.bengalalegal.com/opcao.php

    Realmente, a homossexualidade só passou a ser “crime” após o Cristianismo. Leia esse artigo sobre a homossexualidade na história da civilização. http://historia.abril.com.br/comportamento/vale-tudo-homossexualidade-antiguidade-435906.shtml
    O termo “homessexual” só foi criado em 1848, pra vc ter uma idéia.

    Por fim, usar o argumento “os heterossexuais parecem ser a maioria da populaçao, o que logicamente lhes concede alguns “privilégios” sobre algumas minorias”, me parece um tanto desmedido, já que pensando assim, brancos deveriam ter mais privilégios que negros, ou até chineses, já que são “maioria”.

    Espero ter esclarecido alguns pontos, por favor, leia esses links que te passei, aqui vão outros:
    http://www.soropositivo.org/noticias/noticias-de-2010/janeiro-de-2010/5259-pesquisa-traca-perfil-de-homossexuais-.html

    http://www.45graus.com.br/pesquisa-traca-perfil-do-jovem-homossexual-de-the,geral,32741.html

    http://adulto.zoelmalima.com/?p=324

    Abraços!

    1. Okay, vamos lá, meu velho…

      Para começar, essa idéia de que o sufixo -ismo significa “doença” é furada. Existem muitas outras palavras em português determinadas em -ismo que nao sao doenças como espiritismo, cristianismo (rs) e totemismo. Por outro lado, existe albinismo, que é uma doença de fato. Mas nao generalizemos, okay… Em todo caso, dê uma olhada nisso:
      http://www.artigonal.com/cotidiano-artigos/preconceito-e-o-sufixo-ismo-1826156.html
      Eu sou da mesma opiniao quanto ao fato dessa “discussao” ser desnecessária. Contudo, mesmo imersos em um oceano de informaçoes, muitas podem se mostrar inverossímeis, tendenciosas ou muitos de nós mesmos nos informamos muito mal, o que nao é necessariamente o seu caso aqui, embora eu tenha ainda dúvidas.
      Quanto a relaçao diretamente proporcional entre número de homossexuais e tolerância moral de cidades, eu nao precisaria ser um gênio para chegar a essa conclusao. Para mim, é um tanto lógico que, se eu fosse homossexual por exemplo, escolheria morar numa cidade como Rio de Janeiro ou Montreal, para nao sofrer mais discriminaçao e ter mais liberdade de açao.
      Quanto ao fato de considerar o homossexualismo (ou homossexualidade, para mim dá no mesmo na prática) uma opçao, eu nao disse que acreditava que você uma opçao sexual porque isso seria ridículo mesmo. Mas lembro que lancei a pergunta para você mesmo: opçao ou condiçao? Nao houve nem resposta, mas tudo bem… Mas confesso que escutei um grande amigo meu gay que me disse que ele havia optado por ser gay, o que me fez pensar se outros gays pensam assim, o que parece ser verdade pelo que já escutei por aí e mesmo indiretamente no vídeo abaixo:

      Por outro lado, sobre dizer que homossexualismo (ou homossexualidade) poder ser definido biologicamente, desde o nascimento, acho que nao é bem assim, principalmente depois de ler o texto abaixo:
      http://blog.zequinhabarreto.org.br/2009/09/20/homossexualismo-imprensa-e-ratos/
      De fato, o homossexualismo (ou homossexualidade, whatever) é mais antigo que o cristianismo, um comportamento típico nas sociedades pagas do passado.
      Por fim, sobre sobre privilégios de uma maioria, nunca sociedade ideal, isso nao deveria acontecer e concordo plenamente com sua crítica, mas ao mesmo tempo lhe lanço uma última pergunta: será os brancos ou os heterossexuais nao têm na prática certos privilégios que outros grupos sociais nao têm? Um exemplo disso sao as tentativas esdrúxulas do governo atual de tentar corrigir discrepâncias históricas em vez de tentar resolver o problema das brutais desigualdades sociais da naçao. Por outro, você acha mesmo que um casal de homossexuais aos beijos nas ruas chocaria menos que um casal de heterossexuais fazendo o mesmo? Sou contra todo e qualquer tipo de privilégio de cunho social, mas quando leio os jornais ou ligo a TV, nao vejo isso. Desculpe, mas essa é a realidade, embora nao concorde com ela.

  3. Fico feliz que concordemos que a homossexualidade não é uma opção. Se é condição, genética ou psicológica, talvez a gente nunca saiba. A questão é que ninguem escolhe ser gay, salvo esse seu amigo e talvez uma meia dúzia de outros, que curtam remar contra a corrente e serem desrespeitados. Como o próprio artigo que vc passou diz “São condições culturais, ambientais, históricas e, às vezes, até biológicas”.

    E realmente, determinados grupos sociais ou étnicos possuem certos privilégios nessa sociedade capenga. Um casal de gays aos beijos choca muito mais que um casal de heterossexuais “caretas”. Brancos têm tratamento diferenciado quando são abordados pela polícia. E é justamente por isso que existem passeatas e grupos de orgulho Gay ou Negro, para combater a DIFERENÇA e o PRECONCEITO.

    Sobre a nomenclatura, concordo com o texto também. De qualquer forma, não acho que uma palavra vá mudar alguma coisa. Chame do que quiser, é o preconceito que precisa ser combatido.

  4. Penso que infelizmente as paradas gays sao muito mais carregadas de uma ideologia hedonista que propriamente um combate efetivo ao preconceito radical. Nunca estive em uma parada dessas e nem tenho curiosidade porque suas próprias imagens na mídia em geral mostram justamente o contrário do que os homossexuais supostamente combatem. Por outro lado, porque será que os negros nao fazem uma parada do orgulho negro, hein?

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