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Tem De Tudo Nessa Hollywood

Longas avenidas, carros automáticos de luxo, palmeiras ou coqueiros sem cocos, estúdios de tatuagem por todos os lados, mendigos na porta de Mcdonalds, asiáticos obcecados por fotos digitais, estrelas douradas nas calçadas, letreiros luminosos, limusines brancas e pretas, lojas com os mesmos souvenires: é informação que não acaba mais.

Hollywood é assim, em segundos é capaz de encher os olhos de qualquer estrangeiro para minutos depois cansar a vista e pedir descanso ao lado de sua famosa placa, no alto de uma montanha calma e simples, distante do burburinho dos milhares de turistas eufóricos e dos mesmos carros automáticos de luxo que transitam aos montes pelas longas avenidas.

Ah se esse mundo de fantasia, de estrelas douradas nas calçadas e de cera nos museus, fosse verdadeiro! Mas espere aí, aquele ali não é o Michael Jackson andando na rua sem ser notado? E esse Elvis aqui, insistindo para tirar uma foto comigo? Por um dólar, ele diz que eu terei uma foto sua para o resto da minha vida.

No Mcdonalds vou ao banheiro e encontro um punk tentando bater o recorde mundial de palavrões no menor número de frases possíveis.  O segurança expulsa outro maluco do mesmo banheiro. Os junkies encontraram sua junk food, só pode ser isso, penso eu. Do lado de fora, uma rara mendiga obesa implora por trocados, enquanto punks e junkies tocam um violão azul hippie, além de batuques improvisados e descompassados, acompanhando um rap free style guspido por um negro bom em rimar palavras com palavrões. A promoção do palhaço Ronald está muito boa, por alguns trocados você tem o hambúrguer da televisão.

Nas ruas, mexicanos ilegais e robotizados vendem cachorros quentes esquisitos. Basta olhar para um deles que a propaganda sobre o melhor lanche da cidade é despejada em um idioma híbrido, mas não menos eficaz. Se estiver com sede, basta colocar umas moedas em uma máquina que possui mais de 1000 sabores de refrigerantes, mas que todos insistem em escolher o de sempre.

No famoso teatro, placas com nomes dos filmes premiados pela academia avisam que teremos o Oscar até 2060 – depois disso, só construindo mais pilares. Ao invés do tapete vermelho e das celebridades, apenas turistas desconhecidos.

Em uma espécie de shopping ao ar livre, escadas rolantes me levam a construções gigantescas com elefantes indianos, texturas egípcias e um portal simbolizando algum deus do dinheiro, idolatrado por aquelas terras.

Caso se sinta tecnologicamente desfavorável, uma máquina te possibilita comprar alguns dos novos modelos de ipods sem a necessidade de contato com vendedores chatos, basta ter em mãos um cartão magnético, daqueles da propaganda.

Hollywood encanta pela imponência de suas construções temáticas, seu glamour, seus carros chamativos e suas pessoas plásticas. Por algum estranho motivo, depois de algum tempo, essas coisas enchem o saco.

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3 comentários sobre “Tem De Tudo Nessa Hollywood

  1. Sensacional bro, uma descrição perfeita. Agora voce sabe porque eu vou em Hollywood só quando tem visita, é o que eles chamam de “information overload”, e como você falou tão bem…enche o saco!

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