pseudojornalismo

O Último Suspiro dos Malucos Norte-americanos

Olhando atentamente não é difícil perceber o eco dos poetas, músicos e artistas diversos que um dia transitaram por aquelas calçadas. Ponto de encontro dos beatniks e de jovens músicos responsáveis pela súbita escalada do psicodelismo nos distantes anos 60, “Venice Beach” é parada obrigatória aos interessados em arte, contracultura e principalmente, muita loucura.

É lá que andarilhos tipicamente americanos (imagine o que quiser), street performers, hippies sessentões, vendedores ambulantes, videntes, skatistas, gângsters vendedores de discos de rap, músicos de rua e toda uma rica espécie de malucões, bêbados e desocupados se encontram. A atmosfera “paz e amor” predomina e há momentos que parecermos ser figurantes de um filme sobre algum jovem poeta tentando ganhar a vida com sua banda de rock, em pleno anos 60.

Logo a sua frente, uma menina repete palavras arrastadas sobre uma tal maconha medicinal e um suposto médico disposto a “te ajudar”. Na frente do restaurante recheado de turistas, um senhor oferece massagens e tubos de oxigênio como cura para as mais variadas dores e ressacas que se têm notícia.  O mendigo pede trocados e sua placa sincera anuncia que todo o financiamento espontâneo será para alimentar sua embriaguez.

Ainda na calçada, velhos músicos tocam Hallelujah do guru Cohen. A versão tocada em um violão sujo e velho, um piano recém tirado de um ferro-velho e um projeto de bateria emociona os poucos que decidiram parar e sentir um pouco daquela poderosa melodia.  No final, a senhora compra o disco da desconhecida banda e ainda pede um autógrafo ao vocalista com poucos dentes na boca, mas de sorriso simpático.

Na praia, ciclistas trafegam pacificamente e surfistas surfam. Sem grandes novidades ali. “Venice Beach” é o exemplo de um sonho psicodélico americano de verão, distante do consumismo desenfreado e autodestrutivo das megalópoles. Quase um último suspiro, mostrando que é possível ser feliz sendo você mesmo, sem a necessidade de se enquadrar em algum estereótipo pré-estabelecido e ultrapassado. Felizmente essa receita parece continuar sendo passada para as novas gerações que agora habitam esse lugar.

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