contos

Pequenos Furtos e 2000 Designers

Naquela noite de julho minha vontade era de me recolher em algum canto quente daquele apartamento que depois de uns meses, me acostumei a morar. Não que eu seja do tipo “caseiro”, anti-social ou qualquer outra definição para alguém que reme contra a corrente, preferindo permanecer sob cobertas a frente de uma TV chata, ao invés de se aventurar, como muitos, rumo a uma noitada imprevisível e cheia de surpresas por uma cidade que nos acostumamos chamar de Curitiba.

Mas nem sempre nossos planos ocorrem da forma que planejamos, seja pra pior, ou no caso, pra melhor. É nessa parte da história que entra minha mais nova amiga até então, uma designer palestrante que chamarei de Polli (mas que poderia chamar de Renata, Paula ou qualquer outro nome fictício). Polli estava sendo hospedada nesse mesmo apartamento que me acostumei a morar. Ela vinha de Brasília (ou Buenos Aires, já que a cidade também é fictícia, afinal, prefiro manter a integridade moral de todos os envolvidos).

Ela estava na cidade para dar uma palestra em um badalado evento de design e eu como bom samaritano que costumo ser, ofereci-a um colchão supostamente macio.  Ela aceitou e dias depois conversávamos como velhos amigos, sem a necessidade de medir palavras.

Pronto, acho que esses dois últimos parágrafos já cumpriram sua função. Voltarei para a história em questão, sobre aquela noite especial de julho. Era uma noite de julho, como vocês já devem estar cansados de saber e eu lá, sem vontade de sair. Polli chega do evento pilhada e me intimando para a super-festa que iria acontecer logo mais. Alguns argumentos depois e um bottom com os dizeres “All I Wanna Do Is Have Some Fun” agregado a minha jaqueta, e lá estava eu, em um carro de um amigo, junto com Polli, rumo a tal festa dos designers.

Paramos em um posto para comprar cigarros ou alguma coisa assim e lá o mais absurdo aconteceu. A caixa pede para uma menina devolver a barra de crunch que ela escondeu na blusa e quando olhamos, a adolescente (que nessa altura já estava rimando com outra palavra mais apropriada) deixa cair inconvenientemente umas dez barras de crunch no chão daquela loja de conveniência fajuta. A caixa chama o segurança, cobra nossos cigarros e surpresos, vamos para o carro. Falando em crunchs e surpresas, vocês se lembram daquele chocolate chamado “surpresa” com desenhos de animais africanos?

Minutos depois estamos na frente de uma mansão procurando algum cara que possa conseguir uma pulseira fosforescente de uma maneira não menos ilícita que a menina lá, mas justificável já que Polli era convidada de honra e, portanto, possuía algumas regalias aqui e ali.

E foi assim que instantes depois eu estava em um ambiente com aproximadamente 2000 designers, todos com pulseiras fosforescentes, obviamente. Um pesadelo? Talvez. Tentem imaginar um lugar com 2000 engenheiros ou ainda pior, advogados. Se pudesse optar, ainda prefiro os 2000 designers “descolados”.  Esses caras podem não saber como fazer uma logomarca para a Copa do Mundo no Brasil, mas pelo menos sabem muito bem como fazer uma festa “irada”.  Abraços a Polli que hoje continua em Brasília ou Buenos Aires, ou onde sua imaginação quiser.

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