pseudojornalismo

Paul McCartney – Eu (Não) Vou!

O simpático Paul já está com 67 anos e segundo a sua própria música, poderia estar cuidando de seu jardim, trocando lâmpadas e passando os verões na Ilha de Wight. Mas não, lá está ele em mais uma turnê mundial, tocando Jimi Hendrix e os grandes clássicos da ex-banda que todo roqueiro gostaria de ter feito parte.

Até aí, eu teria todos os motivos do mundo para ir a uma das suas passagens pelo Brasil. Afinal, se Paul manter sua média de shows por aqui, a próxima oportunidade talvez nunca aconteça.

Minutos antes da tal pré-venda de ingressos, apenas para clientes “Bradesco” ou “American Express”, uma série de pensamentos passam por minha conturbada mente. Penso nos quinhentos reais (ingresso + viagem) para ver um show pelo telão, penso naquele povo metido na fila (os mesmos que anexam “Eu Vou!” ao lado de seus nomes em messengers e afins), penso nos adolescentes tietes (os mesmos que ficam na porta de hotéis e que tentam vender a grama que o “astro” pisou), penso nos milhares de malucos se apertando na entrada dos portões, penso na cerveja quente de seis reais, penso nos “fãs” de Yesterday e Hey Jude, penso que John Lennon poderia estar vivo e fazendo shows gratuitos em praças públicas (talvez eu também seja um sonhador), penso naquela conta que esqueci de pagar e por fim, penso que é melhor esquecer de tudo isso e ir dormir. Mega-shows e festivais “sustentáveis” não são mais pra mim. Me chamem de velho, chato e rabugento, mas hoje, meu negócio é outro.

Gosto de camas confortáveis, sofás macios, bancos de praça limpos e shows pequenos. Sim, pequenos. Daqueles que a gente pode ficar do lado da banda sem precisar pagar milhões por isso. Daqueles que você escuta as tossidas do guitarrista, e sente na cara a saliva do vocalista (caso você realmente queira ficar perto do palco).

Se quero beber, não preciso enfrentar uma fila enorme pra me darem uma cerveja quente servida em copo de plástico, colocando a tal sustentabilidade junto com as raras lixeiras que tenho dificuldade de encontrar.

Você me diz que as bandas que você idolatra não fazem shows despretensiosos e eu te digo: vá conhecer mais bandas! Garanto que essas mesmas “grandes” bandas já foram desconhecidas algum dia. Os clientes do Cavern Club que o digam.

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2 comentários sobre “Paul McCartney – Eu (Não) Vou!

  1. Concordo com tudo que você disse. Sou bem mais novo que você e também sou “velho”. Também gosto de shows pequenos, pouca muvuca e tudo isso que você falou. Mas minha beatlemania persistente me fez pagar 603 reais só no ingresso + taxa de conveniência para ficar na área “gramado premium” para não ficar no meio de 30.000 pessoas, passar menos aperto e ficar perto do ídolo. Não me arrependo de nem um centavo, mas hoje em dia nenhuma outra pessoa vai me tirar de casa sob essas condições novamente =)

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