idéias, pseudojornalismo

Compreensão, Compreensão

John Coltrane exterioriza todos seus conflitos internos no primeiro capítulo de “um tal” disco sobre meditações. Em um solo interminável de seu visceral saxofone, no melhor estilo avant-gard da época, imagino todas suas brigas com Deus e o Diabo e por que não dizer, com seus pais biológicos (ou não). Ainda não li a biografia desse gênio, mas suspeito que ele tenha tido uma infância difícil e algum envolvimento com drogas pesadas, como 99% dos músicos de jazz de seu tempo.

Mas esse texto não é pra falar desse estupendo músico e o primeiro parágrafo foi apenas para iniciar esse tema que assola 99% dos jovens por aí: o conflito com os pais. Fica a dica do disco.

Seja você de classe média, baixa, alta ou operária, imagino que em algum momento já tenha pensado sobre isso, seja na calada de uma noite fria ou em uma tumultuada festa de família. Grande parte dos nossos problemas vem de nossa relação com nossos pais, como já diziam nossos queridos (ou não) psicólogos.

Queremos trilhar nossos próprios caminhos, escrever nossas histórias cheias de reviravoltas, redenções, conquistas, ou apenas diversões. E para isso me parece importante que sejam resolvidas aquelas questões que costumam nos incomodar toda a vez que olhamos para nossos pais, em pensamento ou em algum jantar rotineiro ou previamente agendado.

Às vezes esquecemos que por mais que não pareçam, eles nos amam e fariam de tudo para terem a gente perto deles, energeticamente falando. Obviamente que não falo de um amor inventado, conto de fadas ou paixões instantâneas moderninhas, e sim daquele amor fraterno puro e belo, por mais escondido que possa parecer estar.

Muitas pessoas costumam confrontar os pais, julgando suas atitudes ao invés de tentar compreende-las. Compreensão, que não é para ser confundido com conformismo. Você pode não aceitar que sua mãe seja assim, mas é importante que tente entender o porquê dela ser assim. Pra isso, um pouco de investigação é sempre bom. Saber como ela era quando jovem, quais eram seus sonhos, como era a sua relação com seus avôs, tudo isso ajuda. E muito.

Como diria um velho sábio aí, temos uma séria tendência de avaliar as outras pessoas (pais inclusos) de acordo com nosso próprio ego, segundo nosso jeito de ver as coisas. Para compreender o outro, é importante tentar se colocar no lugar do outro, na falta de uma expressão menos clichê.

E não fique esperando seus pais darem o primeiro passo. Deixe seu orgulho de lado, o guarde em uma vaga lembrança daquela gaveta da sua primeira escrivaninha de infância (dada pelos seus pais), e tome uma atitude. A timidez você coloca na gaveta debaixo, da mesma escrivaninha.  Sua consciência vai agradecer depois.

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4 comentários sobre “Compreensão, Compreensão

  1. confesso que essa investigação eu não fiz ainda. vou aproveitar que meus véios estão aí e ter essa conversinha. valeu, belo texto.

  2. Well said bro. Muito bom o texto, concordo que tentar colocar-se no lugar dos nossos pais é fundamental, afinal filho não vem com manual de instruções e os pais fazem o melhor que podem. Talvez quando a gente tenha nossos próprios filhos vamos entender que criar um filho não é uma tarefa fácil. Ninguém é perfeito e agradeço a Deus pelo nossos pais, que nos deram muito mais do que educação, amor e carinho, carregamos os seus ideais e sonhos, que muitas vezes eles sacrificaram para dar nos uma vida melhor.

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