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Toupeiras!

Na introdução do filme “El Topo” (ou “A Toupeira”) do cineasta surrealista Alejandro Jodorowsky, temos uma breve descrição deste peculiar animal, meio esquecido dos livros de biologia ou das brincadeiras infantis (não me lembro de me pedirem pra imitar uma toupeira quando pequeno). Aliás, toupeiras eram somente mais uma das outras formas de ofender alguém com aparentes problemas intelectuais.

Poderia iniciar uma análise pretensiosa sobre esse grande filme, sobre suas infinitas relações (afinal, o deserto tem forma espiral) com um significado maior para nossas vidas mesmo que aquilo pareça somente um grande devaneio psicodélico de um lunático qualquer – mas provavelmente esse texto ficaria chato ou apenas interessante para aqueles que já viram a película. Novamente, fica a dica do filme.

Esse texto é sobre as toupeiras que temos dentro de nós, seres que insistem em cavar intrínsecos buracos, se escondendo das tais grandes mazelas deste mundo aparentemente asqueroso e pior ainda, dos conflitos internos pertinentes a qualquer indivíduo: seja ele velho, novo, narigudo ou com bolinhas azuis embaixo dos braços.

Nós, como as toupeiras, preferimos o subsolo e de tanto nos esconder, vamos perdendo aos poucos nossa visão. E assim, aquela percepção que temos do mundo lá fora, distante dos nossos pensamentos, vai ficando cada vez mais limitada a nós mesmos (Egocentrismo? Sim senhor). Nos escondemos em porões sujos e clichês ou apenas em trabalhos socialmente aceitos com poucas janelas.

As toupeiras, como alguns de nós, fogem da luz por acharem que o mundo não está preparado pra elas: criaturas esquisitas sem o menor apelo estético, carisma ou qualquer característica que as enquadre em algum senso (inexistente) de normalidade.

Enquanto continuarmos em nossos (aparentemente) confortáveis esconderijos internos ou reais, continuaremos distantes daquela tão sonhada luz, mesmo que essa idéia pareça romântica e antiquada demais. Continuaremos, toupeiras.

O mais incrível é perceber depois que essa luz sempre esteve com a gente (afinal, anos e anos cavando sem parar tem suas conseqüências). E não adianta procurarmos essa luz nos outros – é preciso encontrarmos primeiramente na gente. Sempre.

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