pseudojornalismo

A Hora E A Vez Das Mulheres

O que Yoko Ono, Coco Chanel, Courtney Love, Dilma Rousseff e tantas outras pessoas têm em comum? Além dos possíveis problemas estéticos (continuo achando que beleza não se discute, mas enfim) da primeira e das últimas duas, e de obviamente, todas serem “grandes” mulheres (ok, se quiser você pode fazer aquela piada gasta sobre a transexualidade de uma delas), todas obtiveram seu primeiro grande êxito no mainstream graças a uma figura masculina, já conhecida no meio (sobre a Courtney, continuo achando ela pequena, como descrevi num post lá atrás).

Seja na política, na música, na moda, ou em qualquer outro ambiente profissional, as mulheres só parecem alcançar algum lugar de destaque quando têm seus nomes associados a homens de peso. Ok, infelizmente (para mim, pelo menos) o mundo é machista, reflexo da nossa própria herança, ou como cantaria Luiz Melodia “machismo, elegância paterna”.  E é completamente compreensível que no tal discurso da vitória da nossa nova presidenta, pessoas confundam “igualdade entre homens e mulheres” com uma suposta hipervalorização da mulher – o que também não seria tão absurdo assim, já que homens vêm recebendo privilégios desde o nascimento da Dercy Gonçalves.

Sobre esse sexismo, John Lennon e a própria Dercy Yoko Ono já diziam “A mulher é o negro do mundo”. Tom Zé, ainda fez um disco inteiro dedicado ao mesmo tema há poucos anos atrás. Segundo pesquisa da USP, quase 60% das mulheres não atingem o orgasmo “E os rapazes não estão nem aí para elas”, lembra o músico.

E esse assunto está longe de se esgotar já que o macho parece ter caminhado apenas alguns tímidos passos. Muitas fêmeas também. E não estou falando de mulheres dirigindo caminhões, pilotando caças franceses ou governando países emergentes. Essas coisas trabalham em um nível simbólico interessante, mas são apenas mais um passinho de bebê.

A mudança tem que vir de dentro, para que as ações sejam naturais e não milimetricamente pensadas como em algum modelo de estatuto politicamente correto que os norte-americanos insistem em vender para o mundo.

Mulheres e homens são diferentes e sempre serão – o que obviamente, não quer dizer que um seja melhor que o outro. Portanto, sim, os direitos (constitucionais, burocráticos) têm que ser iguais. O trato, o respeito ou a estratégia como o mestre Tom Zé diz, é que necessita de revisionamento. E essas coisas não mudam da noite pro dia, é preciso pouco menos do esforço consciente que a mulher precisou para obter alguns de seus direitos básicos, ao longo dessa nossa rica e pobre história. Como diria Woody Allen, a civilização evolui, mas a passos de alguma tartaruga manca (ele não disse bem isso, mas a idéia é a mesma).

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5 comentários sobre “A Hora E A Vez Das Mulheres

  1. Acho que existe uma busca mais forte de justicar o sucesso de uma mulher pelo homem ao lado, pela sociedade machista que vivemos. Acho q

    1. Puts….não era pra estar este comentário ai em cima. Saiu sem querer. Acho que você generalizou e rotulou com base em alguns casos. o que acontece, eu acho, que nunca se procura saber se há uma mulher por trás de um grande homem e como é este papel.
      Joana D Arc, Madre Tereza, J. K. Rowling, Clarisse Lispector. É possivel uma lista de sucesso maior que a que fez no texto. Pareceu tendencioso pra mim.

      1. Sim, há vários exemplos de mulheres bem sucedidas sem a adesão de homens facilitadores. Mas ainda é muito pouco, como já disse no texto. A idéia tb é justamente começarmos a olhar para essas mulheres que estavam (e estão) por trás de grandes homens, como é o caso da Yoko, injustiçada e incompreendida durante boa parte da sua vida (ainda tem gente que acha que ela foi a culpada pelo fim dos beatles, rs). E com certeza há vários outros exemplos que passam desapercebidos (e que não deveriam).

  2. Acho que agora que eu consegui realmente entender o que vc tinha para dizer sobre esse tema! hehehehehe

    Enfatiza o termo da mulher que alcança certo nivel de “reconhecimento” geralmente com a figura masculina, más que o tema mesmo que deveria dar ênfases e ser percebido, seria a busca da transformação interior de cada ser.
    Um texto interessante, que leva a caminhos distintos de interpretação como varios outros textos. A diferença deste, é obvia porém coberta pela nuvem cinza da visão da posição protetora disso que sou/somos: Mulher.

    Gostei de ler o texto, gostei de mudar de opnião!
    ^^
    beijokas nariz de pipoca!

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