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Os Famosos, Os Duendes e o Cinema Nacional

Quando questionado sobre a produção cinematográfica brasileira atual em um raro programa interessante na TV Aberta, o sempre otimista cineasta Cacá Diegues declara estarmos no melhor momento da nossa história. Nunca, segundo ele, o cinema brasileiro esteve tão pluralizado e diversificado em sua(s) forma(s). Antes nos limitávamos a um cinema de gênero cativo apenas para um determinado público (sejam os malucos utópicos do Cinema Novo ou as grandes multidões sedentas por risadas das Chanchadas, ou ainda as multidões sedentas por erotismo das Pornochanchadas setentistas).

“Os Famosos e os Duendes da Morte” vem exemplificar novamente essa teoria, mostrando que aquela retomada a partir de 1995 com filmes essencialmente de crítica social ou de violência urbana, felizmente haviam ficado para trás. Não que não devêssemos fazer mais filmes comercialmente apelativos com a tal “Estética da Fome” – essa crítica (nem sempre apelativa, no ponto de vista social) deve continuar, ou pelo menos enquanto houver miséria nesse país, ou seja, enquanto o mundo for mundo.

Hoje temos comédias globais com direito a continuações e todo o marketing (ou pelo menos boa parte dele) que estamos acostumados a receber dos filmes blockbusters norte-americanos, assim como filmes autorais e de extremo bom gosto estético como o mencionado acima.

Nessa obra, o jovem diretor Esmir Filho explora o universo intimista de um adolescente preso em uma bucólica cidade gaúcha interiorana. Como diria Jimi Hendrix e tantos outros, a guerra que acontece dentro de nós consegue ser muito maior que qualquer outra guerra que já ouvimos falar na TV ou agora, na internet. E é sobre isso que o filme trata, diferenciando de boa parte da produção nacional contemporânea, tanto em espaço (uma pequena cidade colonizada por alemães no RS), como em conteúdo e forma (conflitos internos de um garoto de 16 anos que utiliza a internet como escapismo e sonha ir a um show de Bob Dylan).

Como o próprio Cacá Diegues diz em sua entrevista, a riqueza cinematográfica brasileira o distancia de qualquer outro cinema que seja feito no mundo, já que podemos ter vários “Brasis” em um mesmo território. “Os Famosos e os Duendes da Morte” é sobre um pedacinho meio esquecido desse enorme país, mas que consegue dialogar com o resto do mundo, já que suas questões são universais e tão pertinentes quanto o tráfico de drogas, a corrupção, a violência, a pobreza, ou qualquer outro grande problema que já estamos cansados de saber.

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4 comentários sobre “Os Famosos, Os Duendes e o Cinema Nacional

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