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Simplicidade Na Ilha do Sol

Acabo de urinar e de dar uma espécie de descarga natural utilizando um balde de água vinda da chuva, e agora estou em uma cozinha por entre panelas pretas de carvão, folhas de eucalipto, pedaços de madeira e pequenos bancos feitos com troncos. O teto é feito de palha e uma senhora de aparência indígena e origem boliviana, utiliza um tubo preto para, em poucos segundos, fazer o fogo crescer com apenas dois sopros instintivamente calculados. Do nada, iniciamos um breve e curioso diálogo:
— E vocês também fazem doces nessas panelas? — Pergunto a ela, um pouco intrigado.
— Não, não. — Ela responde, com ar de estranheza.
— Por que não?
— Porque o doce estraga os dentes das crianças e por aqui elas não escovam os dentes como vocês fazem na cidade.
— Hmm… Entendi.
— E me diga uma coisa, esses filmes que passam na TV, são verdadeiros?
— Não, tudo mentira. Às vezes eles tentam imitar a realidade, mas continuam sendo mentira.
— Hmm… Entendi.

Ilha do Sol, fevereiro de 2011

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4 comentários sobre “Simplicidade Na Ilha do Sol

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