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É Hora Do Almoço

São as primeiras horas do dia para o casal de mochileiros. A noite fria e a falta de cobertas o enfermaram e agora ele toma um chá medicinal em um restaurante turístico na Copacabana boliviana. No rádio, somente folk-rocks americanos. Do lado de fora, um bebê chora compulsivamente à procura de seu avô que no momento, começa a trabalhar em seu restaurante turístico.

São onze e meia da manhã e o casal de mochileiros brasileiros já querem almoçar. O dono do restaurante é um senhor boliviano de cabelos largos ralos e acinzentados. Sua barba branca tem duas semanas de idade e ele também parece ter acordado há pouco tempo atrás.

O chá faz efeito e agora o casal faz seu pedido. O senhor toma nota e diz que nasceu no Rio de Janeiro, mas que não fala português. Depois de repassar o pedido para um jovem conterrâneo, ele vai para o lado de fora na tentativa de chamar mais clientes para seu restaurante. Nesse instante, o bebê pára de chorar.

Faltam quinze minutos para a metade do dia e aos poucos novos clientes estrangeiros ocupam as mesas de bambu feitas para atraírem esses mesmos turistas. E logo, o senhor de barba branca e cabelos largos ralos percebe que seu restaurante está cheio e é hora de trabalhar sem parar. Ao fundo, o folk rock melancólico é trocado por alguma música latina dançante. O bebê parou mesmo de chorar e supõe-se que ele agora está com seus pais. Seu avô precisa trabalhar, é hora do almoço e os gringos precisam comer.

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