pseudojornalismo

Turismo Desenfreado (E Suas Desastrosas Consequências)

Não sei como era essa cidade peruana há cinco ou quinze anos atrás. Um livro me diz que ela já foi bem diferente e um nativo confirma essa história. Só posso dizer que hoje Cusco, e especialmente a praça das armas, viraram um pequeno festival de bizarrices turísticas sem limites ou o menor bom senso que se poderia esperar de uma cidade com tamanho peso histórico.

Luminosos indicam promoções dos restaurantes e bares, sempre em inglês — a língua oficial dos turistas preguiçosos. Na charmosa praça das armas, vendedores ambulantes de todos os tipos e idades oferecem tudo que esse mesmo turista possa necessitar: capas de chuva para a chuva que não pára; alguma pintura de aquarela com temas regionais para decorar a sala e lembrar suas visitas da aventura pela América do Sul; ou ainda uma engraxada nas botas ou um típico gorro andino ou quem sabe umas bonecas, andinas também, ou algum colar com símbolos locais ou uns postais com lindas fotos dos lugares ainda desconhecidos,…

E o bombardeio incessante de ofertas consegue ficar ainda pior com as dezenas de agentes de viagens e seus impertinentes súditos, dispostos a vender seus previsíveis pacotes turísticos pré-fabricados.

Como atração principal, Machu Pichu é oferecida com opções para bolsos de todos os tamanhos, ou pior, quase todos os tamanhos, já que nem todos terão os mais de cem dólares necessários para o pacote mínimo — o tal “by car” como eles chamam por aqui.

Sem o saudável hábito da pechincha, gringos de fora do continente acabam pagando mais caro e são facilmente ludibriados por vendedores sedentos por seus, aparentemente, abundantes dólares.

Na esquina de uma rua movimentada, ainda vejo uma senhora de idade com sua lhama de estimação (!) visivelmente perdida no meio daquele pequeno caos urbano. “Uma foto?” — em tom afobado, ela me oferece. “Não, obrigado” — gesticulo do outro lado da rua.

E é com esse gosto amargo que me despeço dessa cidade que mesmo com toda sua história e seus interessantes sítios arqueológicos, é assim que ela se apresenta para o século 21: explorando inocentes animais, turistas e crianças. Essas últimas forçadas a trabalhar nos arredores da praça principal em busca de alguns trocados.

Machu Pichu? Talvez numa outra (e espero, melhor) oportunidade.

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Um comentário sobre “Turismo Desenfreado (E Suas Desastrosas Consequências)

  1. Acho que infelizmente muitas cidades humildes como essa deve sobreviver por causa dos turistas preguiçosos. A globalizaçao aqui é mostrada com um efeito colateral mesmo. 😉

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