contos, pseudojornalismo

Perigo Em Lima

É domingo em Lima e dizem que por aqui vivem mais de dez milhões de peruanos. No resto do país, há mais vinte. Porém onde estou vejo poucos deles. Estou no bairro de Miraflores e nesse lugar estrangeiros caminham tranquilamente – algo quase impossível de acontecer em qualquer outra cidade dessa nação com mais de cem mil habitantes.

Ando por uma avenida e logo descubro que nem aqui estou totalmente seguro: recebo um presente vindo do céu em forma de um excremento esverdeado produzido por algum pombo local. Havia acabado de me banhar e levo um tempo para compreender o significado disso. Se fosse a pessoa mais otimista do mundo, podia supor que isso seja, em realidade, um presente divino, uma substância natural que funcionará como alguma espécie de terapia capilar alternativa.

Seja como for, prefiro ignorar o acontecimento por alguns instantes até encontrar uma rua vazia para me limpar ou pelo menos, tirar a bosta excedente. Para isso, utilizo algum resto de papel higiênico que costumo carregar na mochila, justamente para situações emergenciais como essa.

Ainda um pouco abalado, paro em uma banca de jornais para me distrair com as notícias locais. Em breve me dou conta do som que vem de uma loja de discos antigos, bem ao meu lado. Em seu interior, Pink Floyd (em uma de suas melhores fases) toca a todo volume. Sou atraído por uma capa de algum vinil dos Beatles que nunca havia visto e logo um vendedor vem me oferecer cd´s compilatórios dos Beach Boys, depois de reparar na camisa verde que uso no momento, de um homônimo disco dessa mesma banda. Digo a ele que coletâneas não me agradam e volto para a seção de discos, onde passo um tempo me encantando pelas artes das capas.

Agradeço ao cara que esperava vender alguma coisa em um domingo quase morto e retorno para a rua à procura do restaurante vegetariano que havia visto ontem. A comida não é das melhores, mas é supostamente saudável e o preço, bem agradável.

E com o estômago saciado me recordo do que tenho na cabeça, ou mais precisamente em algum lugar desse meu cabelo valderramenho e decido que é hora de voltar para aquele albergue cheio de franceses incomunicáveis, com o objetivo de tirar toda essa merda, ou finalizar minha “terapia capilar”.

Com a sorte que não estou, é possível que dê resultado.

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6 comentários sobre “Perigo Em Lima

  1. Cocô na cabeça pode não ser necessariamente azar, nem sorte. Pode ser só a coincidência de um pombo querendo cagar e seu posicionamento geográfico coincidir com o banheiro dele.

    Abraços!

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