idéias

Fé.

Em tempos difíceis – para usar os mesmos termos que usei anteriormente, outra questão evidenciada e enfatizada por todos é justamente aquela que parece unir e ao mesmo tempo separar algumas pessoas. São duas letras capazes de produzirem uma série de divagações e convicções para todas as direções e sentidos: a fé.

Pessoas supostamente inteligentes costumam dizer que não acreditam nessas coisas, que é tudo papo de igreja buscando fiéis e novos bolsos para construírem seus impérios pessoais ou seus templos estilo shopping center, de grandes vidros e de aparência messiânica.  E isso parece ser o caso toda a vez que vemos alguma história na TV, sobre algum pastor malandro, ou algum padre pedófilo, para não ficarmos na mesma religião. Afinal, perseguições e generalizações são de fato, ignorantes e produzem falhas que são difíceis de serem corrigidas em um curto prazo.

Pois bem, a fé, muitos dizem, não é para ser discutida. E isso eu preciso concordar. Afinal, discutir uma escolha pessoal é como discutir a preferência por algum time, ou até a preferência sexual, que por sinal, não acredito ser bem uma escolha, mas enfim, isso é papo para outro texto (já escrito antes nesse blog).

A questão é que existem pessoas que parecem insistir em uma idéia, e acabam utilizando os discursos errados e repetitivos para atraírem as outras pessoas para essa mesma idéia. E quando falo de idéia, não estou falando de algo necessariamente proveniente de um pensamento lógico, mas falo também daquelas pessoas que realmente tiveram experiências espirituais profundas que as levaram para alguma determinada religião, filosofia ou crença, ocidental, oriental ou até de outro planeta.

O que infelizmente essas pessoas não conseguem perceber, é que ao defenderem e promoverem suas ideologias, elas acabam se tornando escravas de seus próprios egos, pois possuem uma enorme dificuldade em entender um caminho diferente daquele traçado por elas mesmas. Somos filhos de Deus ou do Criador ou de qualquer outra coisa que não sabemos ao certo o que é. Quem sabe um ET se você se identificar com “Os Deuses São Astronautas” ou qualquer coisa do gênero. O que sabemos é que não somos maiores do que ninguém e, portanto, é de no mínimo desconfiar de alguém que diz ter encontrado a verdade absoluta e que essa verdade é restrita a um grupo de seguidores.

É no mínimo natural admirarmos aquilo que nos deu a vida, alçando essas coisas a um patamar grandioso, sejam nossas queridas mães ou em uma esfera mais ampla, o criador de tudo, ainda que esse criador esteja infinitamente acima de qualquer compreensão humana, ou mesmo que tenhamos vindo de uma grande explosão, como os cientistas gostam de nos lembrar (e nunca direi que eles estão errados, pelo menos não nesse papo).

Mas além de sermos filhos de alguém ou de algo, somos indivíduos e pela própria definição, temos características e personalidades próprias e de alguma forma ou de outra, tomamos nossas próprias decisões, mesmo que influenciadas por amigos, familiares ou o dito cujo “sistema”. E através dessas escolhas começamos a traçar nossos caminhos, levando em conta valores que julgamos interessantes: materiais, físicos, psicológicos, éticos, espirituais ou talvez uma combinação de dois deles ou de todos os cinco.

E toda a vez que escutamos uma idéia nova, ou somente uma simples palavra diferente, parecemos nos direcionar àquilo que já estávamos acostumados ou que já havíamos construído e solidificado em nossas mentes anteriormente. E assim, deixamos de escutar os argumentos do outro indivíduo, sem percebermos que assim, nos fechamos para algo que poderia ser bom para a gente, ou caso julguemos prejudicial, deixaria ao menos o outro mais contente pelo simples fato dessa outra pessoa perceber que você a escutou, sem julgamentos, preconceitos, ou radicalismos estúpidos.

Há também aqueles que por se cansarem dos mesmos discursos, muitas vezes em tom de pregações, de religiões modernas ou até de filosofias milenares, preferem se fechar nesse assunto, nessa coisa de buscar um caminho espiritual, mesmo que não convencional e longo, pra não dizer eterno.  E isso acaba entristecendo aqueles que por algum motivo, estão dando os primeiros passos nessa estrada e que sentiram suas vidas profundamente mudadas por esse negócio, difícil de explicar. E assim, gostariam que seus entes queridos, o acompanhassem nessa estreita estrada.

Porém, precisamos se lembrar que nunca poderemos pensar pelo outro e muito menos sentir pelo outro. Podemos sim, falar das nossas experiências, do que acreditamos, mas sempre com o cuidado de não soarmos chatos e repetitivos, como ironicamente, já disse antes. E para falarmos desse assunto é imprescindível escutarmos o outro e usarmos a sensibilidade que nos foi dada, ou ao menos trabalhada, para sacar o que outro consegue entender, ou em outras palavras, precisamos falar sempre a mesma língua e para isso, é interessante buscarmos os símbolos corretos e que podem e irão variar de pessoa pra pessoa.

Parece uma missão impossível, eu sei, mas gosto de acreditar que o mundo está mesmo mudando e que aos poucos, as pessoas estão percebendo a necessidade de compreender o outro, e de perceber que justamente pelo mundo estar mudando é fundamental acompanharmos essas mudanças. Mesmo que para isso, necessitemos de bases sólidas (como diria Dylan “may you have a strong foundation when the winds of changes shift) e sigamos nossa intuição, no sentido de buscarmos o bem comum, sem complicações.

Por fim, cito outro compositor, David Bowie, que nos dá o toque: “Love will clean your mind and make you free”.

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2 comentários sobre “Fé.

  1. Um dia meu pai me disse algo que apenas fortaleceu a minha humilde e suave confiança diante a vida.
    ” Os humanos passam vidas lutando com sobre esforço de mudar o mundo, mudar o proximo, a economia, a politica, o meio social e por ai vai. Sofrem de temor pela derrota, um caminho de sofrimento e prazer.
    Para mudar asi mesmo já é um caminho bastante complexo imagina mudar o que esta fora de ti”
    Estamos passando por uma fase que já não há censura da violencia, por temor as pessoas buscam salvação espiritual no mundo externo, guias externos. Esquecendo que dentro de si mesmo está o guia mais fiel e sabio.
    Aprendemos que ao nascer devemos viver para capacitarmos e se alimentar do que não somos capazes, assim sobresaltamos e nos perdemos en la dimensão do sentido de viver. Já nascemos sendo o que somos, e aqui estamos para ampliar um caminho de consciencia do que somos e a onde vamos com muita fé em si mesmo e no proximo. Dando claridade aos olhos julgadores podendo ver e escutar o outro como ele é realmente.
    Não precisamos de cursos ou de conselhos para seguir um caminho mais sincero, O registro vem de dentro de nos mesmo e vamos ao mundo para compartir as experiencias e reencontrarnos. “Porém, precisamos se lembrar que nunca poderemos pensar pelo outro e muito menos sentir pelo outro. Podemos sim, falar das nossas experiências,”

    Já não luto já não reclamo, tudo vai bem, tudo que ocorre é o efeito e o que realmente deve acontecer. Aqui seguimos com um impulso que não se vê que não se toca e que não se escuta, mas que nos esta pulsando constantemente, que nos guia a um caminho consciente de ascenso e liberação.

    Te mando muitos abraços e beijos profundos de carinhos e calida alegria.

    Te quero muito!

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