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Como Me Apaixonei Pelas Olimpíadas

Confesso que antes dessa tal olimpíada começar, meu interesse por esses jogos supostamente importantes para o esporte mundial era mínimo, pra não dizer nulo. Mas com meus 73 anos de idade e com todo esse tempo livre que me foi dado, após longos e cansativos anos de trabalho em uma repartição pública, não me envergonho de dizer que meu amigo maior tem sido a TV. E como é difícil encontrar programas decentes para me informar, ou ao menos me entreter, ligar a TV logo pela manhã e não ter que encarar uma Ana Maria Braga, ou uma Fátima Bernardes, é definitivamente algo bem positivo.

Comecei devagarinho, assistindo aqueles esportes que já me interessaram em algum momento dessa minha longa vida: o bom e velho futebol, o basquete que praticava quando adolescente e até o vôlei, que parece somente ser mesmo interessante durante esses jogos olímpicos. Ok, admito que já encheu um pouco o saco assistir novamente o Bernardinho ou o tal Zé Roberto assumindo ou revezando entre a seleção masculina e a feminina. Mas ainda sim, temos boas equipes, candidatas a medalhas, as poucas que costumamos ganhar nesse evento monstruoso e de proporções gigantescas, visado até por terroristas de plantão.

Meus dias têm sido bem divertidos e aos poucos comecei a flertar com outros esportes, com a agilidade e a desenvoltura dos chineses nas barras paralelas, com a velocidade impressionante dos quenianos nas corridas, com a beleza dos saltos ornamentais propiciada pela câmera ultra lenta da TV, ou ainda com os épicos velejadores lutando contra o vento e as probabilidades, enfim, poderia citar também o vôlei de praia, onde os brasileiros também costumam arrebentar, ou até o tênis de mesa, onde os asiáticos são imbatíveis e talvez só páreos para algum Forrest Gump que possa aparecer por aí, ou a esgrima, com toda sua tecnologia em contrapartida com a tradição desse esporte milenar.

Tudo é muito lindo: ver o suor de todos esses atletas, superando as dificuldades, batendo recordes, dançando na comemoração de alguma medalha.  Também não poderia deixar de falar dos uniformes de algumas atletas, mínimos na quantidade de peças e grandiosos na sensualidade.

Infelizmente daqui a poucos dias tudo será esquecido e a programação da TV voltará ao normal, ou seja, ao tédio mortal, onde bigbrothers e novelas passam a ser o foco do dia.

Mas até lá, seguirei minha pequena grande maratona televisiva, torcendo pra esse país tão querido, seja no boxe feminino, nos esportes ditos mais populares, ou naqueles em que aprendo cada nova regra com cada novo jogo. As olimpíadas salvam qualquer programação de TV e fazem expectadores assíduos como eu, mergulhar nesse universo mágico e poético que os adultos costumam chamar de esporte. Pra mim, continuam sendo uma brincadeira, sadia e gostosa, como tantas outras coisas dessa vida passageira.

 

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2 comentários sobre “Como Me Apaixonei Pelas Olimpíadas

  1. Adoro seu ponto de vista, sua leveza e sinestesia.
    Sempre um prazer, voltar neste blog!
    Gostaria muito de ter mais tempo pra degustar desses jogos, mas me restrinjo aos resultados.
    Escreva sempre, seu dom nos presenteia.
    bjo
    p!

  2. Também pirei nesses jogos.
    Como é rica a nossa complexidade psíquica que é o cerne dessas atividades e disputas físicas. É fantástico assistir o ser humano totalmente absorto em sua disputa contra o seu próprio corpo e mente ou contra a mente e corpo de seus rivais. Quem se conhece mais geralmente leva vantagem, pois saberá onde colocar a atenção para o algo mais que nas competições olímpicas sempre são necessárias aos vencedores.

    Em suma: – Du carai!

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