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Os Planos de Wes Anderson e Moonrise Kingdom

moonriseWes Anderson, assim como Woody Allen, é um daqueles diretores que se repetem, mas que ainda sim, não canso de assisti-lo, por justamente gostar de seu estilo e de suas repetições temáticas e estéticas. Anderson gosta mesmo é de planos e não falo sobre seus planos cinematográficos, mas dos planos que seus personagens criam para resolver alguma questão, normalmente amorosa ou familiar.

Não vi seu primeiro filme, o “Pura Adrenalina”, mas já a partir de seu segundo, o excelente “Rushmore”(ou Três é Demais, em mais uma tradução metida a engraçadinha), seu personagem principal, um adolescente prodígio, tem um plano bem claro, o de conquistar o coração de uma professora sob qualquer custo.

Em “Os Excêntricos Tenenbaums”, o pai da família, bola um plano para resgatar seus laços familiares com seus filhos e também de sua esposa, que na ocasião, está prestes a se casar com outro.

Depois temos “A Vida Marinha com Steve Sissou”, em que o marinheiro tem um plano inicial bem traçado, o de encontrar o tubarão ou a criatura misteriosa que matou seu companheiro de tripulação. Também temos ali outro caso de família, já que Sissou descobre um possível filho, o qual o convida para sua expedição.

Em “A Viagem a Darjeeling”, seu quinto filme, um dos irmãos constrói um plano para reencontrar a mãe deles em um retiro espiritual, além de com isso, conseguir ver novamente os três irmãos convivendo sob o mesmo teto, no caso, o de um trem indiano bem louco.

Ainda temos a animação “O Fantástico Senhor Raposo”, onde o personagem do título desenvolve um plano mirabolante para roubar as galinhas das fazendas da vizinhança, as dando de alimento para sua querida família.

E depois de tantos planos, Anderson lança “Moonrise Kingdom” (ainda sem tradução, felizmente), contando a história do garoto órfão (de aparência que me fez lembrar do Sean Lennon criança) que decide largar sua equipe de escoteiros para acampar com uma garota de sua escola, a qual vem se correspondendo secretamente durante anos. Nesse filme há pelo menos dois planos bem claros: o primeiro bolado pelo garoto para fugir do acampamento de escoteiros e se encontrar com sua parceira, que recebe instruções minuciosas envolvendo uma sinfonia; e um segundo, dos escoteiros que decidem se unir para resgatar seu antigo membro, antes que ele seja mandado para um orfanato.

Além de mais uma bela história de amor, do primeiro, por se tratar de crianças, Wes Anderson encanta mostrando mais do mesmo, com algumas pequenas variações. Seus traços estão todos lá: os pomposos travellings, os zooms supostamente bregas, os enquadramentos frontais e simétricos, os bons diálogos, os atores repetidos, mas sempre com a adição de novos (neste, Edward Norton e Bruce Willis), os personagens decadentes (normalmente retratados por Bill Murray), o figurino e a direção de arte retrô (nesse caso, perfeitamente justificável já que a história se passa em 1965), e talvez a única mudança esteja na trilha sonora, um dos pontos fortes de todos seus trabalhos. Neste ele substitui o rock anos 60 cheio de baladas assoviantes por música clássica, também justificável pela história, além de baladas country do mestre solitário Hank Williams.

Confesso que não sei o quanto eu realmente gostei desse filme, ou o quanto ele se compara aos seus outros grandes filmes, mas também isso pouco importa, pra mim este é mais um grande filme de Wes Anderson, com todas suas formulas já pré-estabelecidas, e planejado meticulosamente, assim como os planos rocambolescos de seus personagens, sempre interessantes.

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