arte, fotografias, pseudojornalismo

A Annie Por Trás Das Lentes

Para Gugagumma, por me lembrar dela, e para as mulheres, pelo seu dia (atrasado) ou mês como as farmácias costumam divulgar

annie

Annie Leibovitz é fotógrafa e como não poderia deixar de ser, ficou famosa por seus retratos. Retratos, de gente famosa e de gente que ficou ainda mais famosa depois de seus retratos. E como qualquer grande artista, ela foi além. Além dos clichês e dos preconceitos da época por ser uma mulher: indefesa, sensível e todos aqueles adjetivos que alguns insistem em colocar ao lado desse substantivo. E pseudo-feminismos à parte, esse fato sempre foi irrelevante, pelo menos para ela.

Annie ficou ainda mais conhecida por retratar um certo João, nu, abraçando em posição fetal o grande amor de sua vida – uma japonesa famosa por ter sido injustamente culpada pela separação dos besouros (pois é, ainda tem gente que acredita nessa lenga-lenga).

Na ocasião ela chegou de mansinho, assim como de costume, explicou algumas de suas idéias e segundo a japonesa com fama de bruxa, seu João curtiu sua proposta e acrescentou que aquela nudez representaria sua vulnerabilidade. Sim João, é sempre bom lembrar os mortais que pequenos ou grandes artistas, reis, papas ou presidentes americanos também são humanos (e logo, mortais) e além de carregarem o peso da existência, também fazem suas necessidades onde conseguem e se despem, quando lhes convém.

Annie aprendeu desde cedo, nas viagens de carro da família, a ver o mundo por uma lente, no caso, a da janela do carro de seu pai. Cresceu. Conheceu alguns mestres e aprendeu alguns truques com eles e com suas pequenas câmeras ainda em fase embrionária naqueles tempos e assim, roubou pra si a essência desse conceito que hoje conhecemos como portabilidade e que graças a Deus vai muito além de celulares.

Jovem e selvagem ela logo foi contratada pela revista símbolo de toda aquela contracultura norte-americana, depois que suas fotos da já velha mochila de viagem foram parar nas mãos da responsável por um setor que hoje tem pouco ou nada haver com o nome, mas que talvez naquela época ainda fizesse algum sentido – o da direção de arte.

E sendo essa jovem selvagem ela conhece e se identifica com o jornalista-escritor-gonzo Hunter Thompson, que segundo a própria, era “um maluco que nunca estava longe das drogas, pelo contrário, estava sempre dentro delas”. E junto com mais esse personagem da vida real, ela passa a conhecer os bastidores do que hoje conhecemos por “sexo, drogas e rock´n´roll”, e como o próprio Doutor Hunter fazia com seus textos, Annie também sentia que para retratar aquele mundo, ela precisava fazer parte dele, mesmo que para isso, precisasse ceder seu corpo e seu espírito. E assim, Annie conseguia fotos de extrema originalidade e imparcialidade (se é que isso seja possível), desvendando ao mundo um pouco (talvez muito) desse universo pop do rock daqueles anos ou a tal alma do artista que tantos procuram.

Os anos se passaram e para não parar de crescer Annie precisou se afastar de tudo aquilo que havia se apaixonado nos anos anteriores. Foi admitida em uma clínica de reabilitação e conseguiu ficar limpa (seja lá o que isso signifique) até os dias de hoje. E para não sucumbir aos antigos vícios, mudou de ares e caiu de cabeça num deplorável mundo novo que poucos achavam que ela se interessaria – o mainstream de uma grande revista de moda. Sob sua tutela e depois de encontrar uma nova mestra, artistas badalados de Hollywood passaram a aceitar seus milionários contratos agora com mais um novo motivo: Annie extrairia o máximo de cada estrela.

Além da moda, do rock e até de Arnold Schwarzenegger (que considero um mundo à parte), Annie ainda se aventurou na dança e este talvez tenha sido seu maior desafio, o de encontrar alguma fórmula (estudada previamente por outros mestres da fotografia) de capturar o momento exato que pudesse simbolizar a essência de um grande dançarino. Sim, Annie não se cansa (ela ainda tem três filhas pra criar), já enfrentou sérios problemas financeiros pós-fama e mesmo que seu Sobrenome agora pese tanto. Mas para alguém que nunca se importou com rótulos, provavelmente isso não faça muita diferença.

Parabéns Lebowsky, ou melhor, Leibovitz! Por seu amor e dedicação que com certeza superam sua arte e abrem novos horizontes, sem os velhos preconceitos ou as velhas lentes de sempre.

Em tempo, para quem se interessar, o documentário sobre Annie está disponível na íntegra, em inglês, no link abaixo:
http://vimeo.com/42602711

E para um coletivo infinito de suas fotos, clique aqui.

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