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Curitiba Nonstop

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Noite de quarta. Aniversário de improviso do jovem Paul, pizzas do tio, coca-cola, presentes atrasados, desenhos de Bob, pizza doce presente do tio, histórias de família, risadas, improvisos na gaita curta e no violão mexicano desafinado do rapaz dos dedos largos, o preto sai e entra o rosa.

Noite de quinta. Alpargatas na tempestade do equinócio de outono, críticas ao teatro, espanhol falsificado bêbado chato quebrando copos, Johnny e Brian pisando nos cacos, papos desconexos, universitários dos cursos de sempre, loira alta e magra buscando a festa pós-esquenta e o namorado inteligente do curso pseudocabeça que lembre seu pai ausente, cara descobrindo mais uma utilidade pros pelos de sua vasta barba, garoto bêbado rebelde estacionando o carro do pai sem cuidado, porta abrindo e raspando na calçada de pedras, namorada ruiva de pato branco, dono insistindo na piada, Johnny e Brian insistindo na cerveja e nos cigarros na chuva.

Noite de sexta. Reencontro de velhos amigos cada vez mais velhos, cervejas no mercado, voltas na quadra, novas companhias, papos entrecortados, deus e o diabo tentando unir os dois grandes tesouros da humanidade, pouca humildade na apresentação do artista tardio, novos projetos, mais rostos conhecidos, senhor de idade distante das drogas pesadas e parceiro para voltas na quadra, casal de amigos de passagem, o marido fica, casal de marceneiros legais, Curitiba é melhor que Joinville, cachorro quente sem vina e sem espera, mercado pré-balada, meninas de saia, garotos estranhando o cigarro do cara, taxi pra casa.

Sábado à tarde. Festival na praça importada, céu azul, sol, carro torto e aberto na rua escondida, espaço gourmet, micro-fatias de pizzas superfaturadas, sopas e caldos com costela de Adão, família reunida, óculos escuros do cantor cego, banda olímpica tocando rock, cachorros se pegando, criança hell angels apavorando na moto de brinquedo, ala dos shortinhos e das pernas das revistas, meninas com os mesmos narizes, playboys de plantão, promoções irreais, história da arte na casa do professor, chute sem querer no namorado sem nome, culpa do game do Michael.

Noite de Sábado. Volta na quadra com o reconhecido e seus conhecidos, racionalizando Tim Maia e os novos rappers, menina corrigindo a baliza e deixando a menina da rua envergonhada, amigos de volta na praça, Paul, Wilde e Brian atingem o estrelato, xépes citrus, Yoko de chapéu da moda querendo dançar, despedidas, Straits e seu dinheiro pra nada, Floyd e a música da torcida, casal e amigo buscando sanduíches na nova barba, mau humor, pratos americanos com o ketchup do filme, hambúrgueres de batata e de grão de bico, joguinho da verdade, carro pra casa da mãe, medicações necessárias, esposa descansa, parceiros em busca de barbudos, cigarros e as cervejas de sempre, ex-vizinha leitora com o novo namorado, discussões pequenas sobre língua portuguesa e o uso da crase, grandes discussões sobre amizades e o uso do tato, alguma compreensão e muito sentimento, cigarro na lateral do bar, portas fechadas, propostas de banda, mesas e cadeiras amontoadas, mais cervejas, mais um cigarro, dois ingressos pra festa dos gringos faltando um, velha rua com luzes novas, gente amontoada na cerca dos fumantes, desconto negado, disque jóquei interessante, menina e mulher afim do mesmo garoto, drink em copo de plástico, Brian cansado e querendo partir, fila pra pagar imensa, samba pro gaúcho, professora de maracatu, gases fedidos, francesas que falam português, gaúcho falando portunhol, italianos conversando com o garoto dos vinis, sonhos de artista, táxis demorados, garoto e mulher encontram a paixão nas últimas horas da madrugada, gaúcho espera sozinho e sem créditos em seu celular.

Noite de Domingo. Festival de novas bandas no bar da adolescência, sai a vodka barata e entra o rock com água, Cream e os blues caseiros surpreendem, baixista sério, platéia de amigos, a nova banda mais fofa da cidade, adolescentes cantam e se abraçam, banheiro, conhecido da próxima banda, produtor viajando, xixi, cigarro, cachorro quente sem cartão, ando meio desligado no palco, platéia semi-vazia, amigos no camarote, canções e letras de qualidade, saxofone especial, balanço legal, o eterno romance de Paul, rosto limpo e piadas verticais entre os silêncios, dançarinos imaginários, casal de amantes bebendo água, dores de ouvido, a viagem no palco, compromissos importantes, breves desabafos, parabéns ao amigo pelo filho que ainda vai nascer, desculpas públicas pela saída francesa, escada, rua, carro, casa da mãe, medicamentos necessários, textos compridos demais imitando alguém, quem os lê, talvez gravando fique melhor, o sono também deixa bêbado, chocolate na madrugada, banho, cama, carência, insônia, revisão de prioridades, revisão mental do texto, insônia, o peso nas costas, abraços, insônia, mãos dadas, sonhos de um bêbado sem iluminação.

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