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Changes

irisAno passado eu tentei de tudo. A crise era tão braba que decidi parar com quase tudo. Deixei as drogas e o álcool de lado, comecei a praticar yoga, frequentei templos religiosos de várias correntes: espíritas, orientais e afro-brasileiros. Fui a um iridólogo argentino que me passou uma dieta pra lá de radical: 60% dos alimentos deveriam ser crus.

Ele tirou fotos dos meus olhos e me disse “sua pupila está tão dilatada que quase não foi possível tirar essas fotos”, complementando o diagnóstico com “isso é sinal de três fatores: excesso de medicamentos, abuso de drogas ou estresse”. “Seus olhos eram azuis, não eram?” Disse que sim e ele me disse que eles agora estavam cinzas devido ao alto consumo de laticínios. Na parte da íris que representava meus pulmões, havia uma mancha enorme. Fiquei com medo e decidi tentar seguir suas instruções: parei com os laticínios, aumentei a ingestão de frutas, cortei o café e comecei a tomar clorela – um suplemento natural oriundo de algas do oriente, rico em proteínas e uma série de vitaminas. Também comecei a tomar magnésio, valeriana e chás calmantes, além dos chás digestivos. Tomei “banhos vitais”, massageando meu ventre com água gelada enquanto meus pés estavam mergulhados num balde de água quente. Minha insônia era crônica e depois das cápsulas de valeriana, eu até conseguia dormir um pouco, mas acordava no meio da madrugada com a bexiga cheia, corria pro banheiro e urinava litros de xixi.

Tentei tudo que estava ao meu alcance, passei a caminhar no parque quase todos os dias, tomei ayahuasca na casa de amigos, tomei forteviron pra ver se me animava, fiz acupuntura com as fisioterapeutas da minha mãe, fiz shiatsu com um massoterapeuta meio depressivo e troquei de psicólogo. Consultei um cara meio estranho que dizia receber a proteção de mais de 1000 anjos. Quando me benzeu, disse que naquela noite eu sofreria uma grande transformação em meu coração. Pediu que comprasse umas cápsulas para controlar minha circulação e eu comprei. À noite, nada aconteceu. Também comecei a tomar melatonina, um hormônio indutor do sono e proibido no Brasil, mas que, por sorte, um amigo do meu pai, usuário da substância, conseguiu algumas amostras pra mim.

Pensamentos fatalistas corrompiam minha alma e tiravam meu sono, esvaziando qualquer tipo de sentimento ou emoção. Eu estava oco como um coco e burro como uma porta. Negatividade e Miséria eram minhas companheiras. O peso do vazio existencial havia caído sobre meus ombros, impossibilitando meus pés de seguirem caminhando.

Perdi quase 10 quilos nessa história toda, saí de um relacionamento de quase dois anos, enxuguei uma lágrima e meditei. Tirei a barba de quase três anos e quando me dei conta, já não era a mesma pessoa de antes. A felicidade bateu novamente na minha porta e eu a mandei entrar e pedi que, se possível, continuasse sempre ao meu lado. Não sei dizer ao certo o que realmente me ajudou, se foram as dicas do iridólogo argentino, as mudanças de hábito, os suplementos, as massagens, os banhos vitais, as práticas de yoga, o cara dos 1000 anjos, a melatonina, as caminhadas no parque, as rezas japonesas e os passes nos centros espíritas ou as meditações matutinas. Só sei que hoje me sinto diferente, cercado de cores vibrantes e de ondas positivas.

Mudei. 

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