contos

Crazy Girl na Amalucada Cartagena

crack“Crazy Girl”. Esse foi o apelido dado por Pedro José e Kevin após conhecerem essa alemã de 27 anos, loira, alta e de boa aparência. Na ocasião, os dois estavam num hostel em Cartagena, no norte da Colômbia, assistindo às finais da copa do mundo de rugby.

Kevin é irlandês e em seu país, o rugby é levado a sério. Pedro José, brasileiro e meio avesso a esportes, acabou aprendendo as regras desse jogo enquanto via seu amigo Kevin se emocionar a cada lance decisivo. E foi em algum desses momentos que Johanna, a “crazy girl”, apareceu. Sem enrolação, ela foi logo pedindo um baseado para fumar, disse que tinha acabado de chegar em Cartagena e que, como era noite, não queria sair para comprar, mas que na manhã seguinte ela gostaria de comprar uma quantia boa para passar sua semana de férias.

Pedro José foi cordial e lhe disse que estava com um baseado enrolado em seu bolso e que estava pensando em fumá-lo. Johanna lhe disse que no dia seguinte lhe devolveria o favor. Kevin, Pedro José e Johanna fumaram o cigarro delgado na sacada do hostel, observando o movimento de gringos e colombianos na rua. Lá descobriram que a alemã era dona de um hostel no Chile e que estava de férias em Cartagena, em busca de drogas e diversão.

Na manhã seguinte, os dois decidiram levar Johanna até um traficante conhecido pelo pseudônimo de “Girafa”, devido a sua estatura elevada e seu consequente pescoço alongado. Mas antes disso, enquanto caminhavam no centro histórico, um homem abordou Johanna, oferecendo-lhe cocaína. Kevin e Pedro José seguiram esse homem até um restaurante chinês. Os quatro se sentaram, o homem pediu ao garçom alguns refrigerantes e perguntou para a alemã, quanto ela queria comprar. Johanna perguntou o preço do grama e quando ouviu o valor dos lábios do homem, ficou furiosa, bateu na mesa com força e levantou enlouquecida. Kevin e Pedro José estranharam a reação, mas como não faziam ideia do custo da cocaína naquele país, apenas levantaram e seguiram Johanna. Disseram-lhe para ficar tranquila e que conheciam um cara confiável e esse cara era justamente o tal “Girafa”.

Quando questionada sobre a quantidade e qual produto gostaria de adquirir, Johanna respondeu que queria 2 gramas de cocaína pura, “daquela boa para fazer crack”, e mais 60 gramas de maconha para relaxar. Girafa lhe disse quanto iria custar, pediu-lhe o dinheiro e disse para esperarem ali mesmo que logo os produtos seriam entregues. Girafa passou a grana para um menino, uma espécie de “aviãozinho”, que retornou após 5 minutos, com os respectivos produtos em mãos. Girafa pediu para Johanna guardá-los em seus seios, debaixo do sutiã e, cautelosos, Kevin e Pedro José levaram a “crazy girl” até um táxi, que os levou de volta para o hostel.

Lá, a alemã perguntou se os rapazes gostariam de ver o processo “de transformar a cocaína em crack” e eles, curiosos, responderam que sim. Os três entraram no banheiro e Johanna misturou em uma colher de metal, o pó branco da cocaína com o pó branco do bicarbonato de sódio, esquentando esses pós com um isqueiro. Após alguns minutos, o pó havia se transformado em uma pasta, minuciosamente transportada até o plástico da carteira de cigarro. “Pronto, agora é só esperar um tempo e fumar essa pasta com um cachimbo”, disse ela.  

Coisas estranhas aconteciam em Cartagena e foi lá que Pedro José conheceu uma americana, também hóspede do mesmo hostel em que ele e Kevin estavam. Após uma festa, os dois, Pedro José e a americana regressaram para o hostel, mas antes que entrassem, Pedro José se aproveitou da própria embriaguez e deu um beijo na boca da moça, também molhada de aguardiente. Os dois foram para um banheiro e transaram escondidos – fato que se repetiu durante os próximos dias. Nessa primeira noite, no entanto, Pedro José foi até seu quarto compartilhado para dormir e, quando deitou, notou que um de seus companheiros de quarto roncava como um rinoceronte apnético. Chateado, pensou que nunca conseguiria dormir com aquele ruído incômodo do seu lado, mas logo o barulho cessou.

Ainda desperto, Pedro José notou que alguém havia se levantado e caminhava lentamente em sua direção. De repente, escutou o som de alguém urinando no chão do quarto e quando virou, viu um rapaz cabeludo, o mesmo do ronco estridente, mijando no chão e em cima das mochilas de um casal de ingleses, também companheiros de quarto. Os ingleses acordaram furiosos e começaram a gritar “Hey, what the fuck!” e foi quando o cabeludo provavelmente despertou de seu sonambulismo doentio, guardando seu bilau na cueca e saindo de fininho para fora do quarto.

Alguns minutos depois, Pedro José viu a dona do hostel entrar e averiguar a situação, pedindo desculpas para os ingleses. O cabeludo mijão nunca mais foi visto desde então. A “crazy girl” continuava por lá, fumando sua pedra no banheiro e saindo com colombianos interessados em sexo intercontinental.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s