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Série “Taxistas Curitibanos” – Episódio #5: Memórias das Putas Tristes

taxistas_curitibanosDesta vez estou acompanhado de mais três amigos: Jorge Caldabranca, Charles Paraná e Toddy Suspiro. Caldabranca senta no banco da frente e dispara contra o taxista: Nos leve até o Santa Marta, que vamos ver o show do Marceleza, na faixa!

Tratava-se do show do Marcelo Nova e suas novas camisinhas, para o qual nosso amigo empelotado havia conseguido convites VIP´s, já que sua produtora cobriria o evento, pago pelo bar de luxo mencionado acima e onde casais loiros endinheirados consumiriam baldes de vodca russa pela bagatela de 500 reais.

No banco de trás, eu, Paraná e Suspiro alternávamos ataques de riso provocados por papelotes coloridos e pelas insanidades ditas por Caldabranca ao taxista, um sujeito indefeso e simpático e que logo se incorporou ao espírito jovial e festeiro do grupo que acabara de conhecer.

Caldabranca repetia sua ideia maluca de colocar uma câmera no táxi, “dessas gopro”,  para o taxista filmar todas as bizarrices que costumam ocorrer em seu carro, e depois rir delas em casa, com a esposa, filhos ou amigos. E talvez para mudar de assunto, perguntei ao condutor: E as putas, se oferecem para transar com você, em troca das corridas? Rapidamente o taxista me respondeu e começou uma espécie de semi-monólogo, alternado pelas intromissões surreais de Caldabranca, e pelas risadas frenéticas vindas do banco de trás:

“As putas são a pior raça que existe por aí. Elas nunca acham que vão pagar a corrida. Elas pegam no seu pau e acham que isso já vale 50 reais. Mas essas putas aí que você me pergunta não são putas propriamente ditas. São mulheres normais, com grana, que saem por aí e chegam reclamando pra mim e dizendo coisas do tipo lá só tinha veado, eu louca pra dar e ninguém pra me comer. Essas são as que se oferecem e querem dar a qualquer custo, independente se ela vai precisar pagar a corrida ou não. Elas têm grana e querem sexo, só isso.”

Perguntei o que ele fazia com essas mulheres e a resposta provocou mais um riso generalizado e desmedido em seu carro alaranjado:

“Não como ninguém. Vocês sabem, quando a mulher é fácil demais, você desconfia. E porra, eu tenho mulher e filhos em casa, não quero sair por aí comendo essas putas no meu local de trabalho.”

Respeitamos a conduta do taxista e fomos para o show-punk-para-burguês-ver. Marceleza continua inconfundível e com o humor de sempre, ao lado de seu filho guitarrista e “oriundo de seus testículos”.

Depois fiquei pensando sobre quantas mulheres desse bar voltarão sozinhas para casa, de táxi, e tentarão seduzir seus condutores, em troca de sexo fácil, sem comprometimentos e com o taxímetro desligado (ou não).

 

Outros textos desta série:

Episódio #4: O Justiceiro das Madrugadas

Episódio #3: Ecotaxis

Episódio #2: Vídeo-game

Episódio #1: Um Som Caipira Dos Bons

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