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Série “Aventuras Com Caldabranca” – Episódio #1: Explosão Metafísica

explosaoNunca fui o tipo de cara que gosta de dirigir e muito menos aquele tipo que entende tudo de automóveis e ainda assiste à Fórmula 1 aos domingos. Como minha mãe dizia, dirijo para chegar aos lugares, só isso.

A semana começou estranha, ventos de incerteza passaram a me incomodar, especialmente quando estava dirigindo. Havia cheiro de coisa errada no ar, como se o universo estivesse querendo me alertar de algum perigo iminente. Para piorar, era justamente sobre essas bad vibes que o livro do meu amigo Caldabranca tratava no capítulo que estive lendo durante a semana. Raul Bonfim, seu personagem bukowskiano, pressentia que alguma merda estava para acontecer. E eu também.

Quinta-feira, cinco e meia da tarde. Caldabranca no banco do passageiro, vomitando suas ideias inconsequentes nos meus ouvidos vermelhos de desconfiança. Eu, no volante, me concentrando na estrada que nos levaria ao jardim americano cercado por viaturas de empresas de segurança. Caldabranca repetia seus planos mirabolantes para cair da estrada e seguir sua vida sem grandes responsabilidades, no melhor estilo on the road.

De repente, escutamos o que parecia ser o som de uma bomba, provavelmente oriundo do caminhão que nos seguia na pista da direita. Olho pro lado e o vidro do passageiro está totalmente estilhaçado. Caldabranca berra e agradece a Deus por estarmos ilesos, enquanto tento entender o que se passou. Um ataque terrorista? Um assassino de aluguel tentando matar meu novo amigo? Que maldição era aquela?

Diminuo a velocidade, saio da BR e encosto próximo ao portão da universidade. Caldabranca está fora de si e agora diz que o estouro no vidro é a prova da existência da metafísica e que nunca conseguiremos explicar o ocorrido. Eu ainda me recuperava do pequeno trauma instaurado enquanto meu amigo cuspia teorias conspiratórias envolvendo alta ciência e celulares novos que explodem de repente.

“Nada disso, Calda, pare com essas piras, isso só pode ter sido alguma partícula desprendida do caminhão que nos acompanhava”. Alguém precisava fazer o papel da serenidade e da razão, e não seria a mente pilhada e insana do meu novo parceiro.

Mesmo sem encontrarmos qualquer objeto estranho que pudesse ter provocado a explosão vitral, essa continua sendo a teoria mais aceita. Mas como sou como o Lennon que dizia acreditar em tudo até que provassem o contrário, ainda penso em outras possibilidades menos concretas. E com relação à metafísica do Caldabranca, disse-lhe que a culpa era toda dele, pois se ele não tivesse corrido até meu carro e demorado um ou dois segundos a mais, certamente a partícula misteriosa não acertaria o vidro do carro. E essa pseudo-história nem existiria.

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