pseudojornalismo

A Tragicomédia do Debate na TV

fidelixraivoso“Obelix raivoso” esguichou seu veneno contra os homossexuais e seus aparelhos excretores que não fazem filho. “O Jorge” e “Tarsiana” tentaram arrancar um pedido de perdão, mas o homem carrancudo não cedeu, insistindo na tal “Família Brasileira” ou em “Mais Uma Utopia Inventada Pelas Igrejas Ortodoxas” (já que o verdadeiro cristianismo parece passar longe disso).

A primeira temporada do “Debate na TV” chegou ao fim e infelizmente os prognósticos não apontam para uma sequência à altura, pelo contrário, essas malditas pesquisas encomendadas só fazem entristecer aquele que sente que o futuro será sombrio e com opções pífias (para usar mais uma palavra proferida no último episódio).

Restaram os personagens mais chatos, caretas, e menos humildes da série. O ditador Obelix adicionou generosos toques à trama que beirou o humor nonsense, proclamando neonazistas de plantão para uma união com a bancada fundamentalista do congresso, a mesma turma que vem atrasando o país há séculos. Enquanto isso, os irmãos siameses protagonistas da série, escolhidos a dedo por banqueiros e interesseiros desinteressados em mudar a política econômica atual, seguem firmes em seus palanques de cristal. Sem planos de governo concretos, mas com infindáveis frases de efeito, eles cativam os telespectadores com seus horários eleitoreiros que mais parecem comerciais de margarina, mesclados com programas de humor, onde os candidatos a deputado só têm tempo para cuspirem bordões enferrujados sem a menor graça.

Nas ruas, a profusão dos cavaletes inúteis e a distribuição em massa dos santinhos e diabinhos colaboraram para o empobrecimento desta série, fadada ao fracasso desde o princípio.

É uma pena que os mocinhos e mocinhas da história sejam ofuscados pelos vilões travestidos de heróis. Sem tempo de TV e praticamente excluídos das pautas dos telejornais, eles acabaram tendo que se contentar com seus quinze minutos de fama na curta temporada do “Debate na TV”. E ainda sim, devido às regras estúpidas desses episódios, a polarização entre os “irmãos siameses do topo da cadeia alimentar” se tornou inevitável, e o telespectador se viu obrigado a tragar o enfadonho blá-blá-blá decorado e roteirizado por assépticos assessores de campanha.

Creio que a digestão desses personagens fakes será lenta e ácida, mesmo que os outros personagens, pejorativamente chamados de “nanicos”, tenham crescido aos olhos daqueles que ainda possuem algum senso crítico e libertário (chame de utópico se preferir, sonhar será sempre melhor que se conformar). No entanto, na segunda temporada estes saíram de cena e agora resumem seus papéis em apoios de araque para o boneco que julgarão ser o menos pior, ou ainda mais trágico, para aquele eleito pelo partido (em troca de empregos melhores) . De qualquer maneira, nossa “democracia” é essa, e enquanto não for feita uma reforma política séria neste país, ficaremos sempre com as três piores opções de protagonistas, e assim, o Brasil segue incapaz de criar uma série decente, roteirizada pelo povo e sem apelos marqueteiros.

De qualquer maneira, ter visto a “Tarsiana” falar que só havia sido chamada para o elenco da série, por uma questão legislativa e não da Rede Globo (capitaneada por uma das poucas famílias detentoras do poder no país), somente essa fala, direcionada aos milhões de brasileiros que ainda parecem não se atentar para essa questão, me fez sentir orgulho de ter assistido à primeira temporada dessa decadente série chamada “Debate na TV”.

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