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Israelitas na Bahia

israelistasConflito Palestina-Israel, mortes todos os dias, mais palestinos, menos israelitas. Muito mais palestinos e muito menos israelitas. No Egito eles discutem a paz e uma trégua para o massacre, mas ninguém quer saber de estado palestino. No Morro do São Paulo, na Bahia, o hostel está cheio de israelitas e não há nenhum palestino por ali. Aliás, alguém já viu palestino viajando? De férias?

No hostel em questão, há uma bandeira judia convidando judeus israelitas e eles parecem atender ao pedido, lotando praticamente todos os quartos daquele estabelecimento. Eu acabei ficando no único quarto sem nenhum deles, juntamente com meu amigo italiano, duas holandesas e mais dois australianos.

Enquanto os israelitas passavam seu tempo fumando narguilés, bebendo camparis e conversando em hebreu, nós, do lado de cá, fumávamos erva, bebíamos rum com coca e conversávamos em inglês, a língua universal e mais fácil do mundo. Hebreu, me parece difícil pra caralho.

Tentamos contato, com o lado de lá, algumas vezes, mas a barreira criada era maciça e foi só quando uma das holandesas decidiu atravessar a fronteira e deitar na rede do quarto das israelitas foi quando os israelitas se aproximaram, deixando o hebreu de lado e passando a se comunicar em inglês, aparentemente dominado e com um acento característico.

Conversamos sobre temas controversos, perguntei quantos não-judeus havia em Israel e me disseram que algo em torno de 10%, entre cristãos e mulçumanos. Também disseram que não eram a favor da guerra e que é chato receber noticias de casa sobre bombas explodindo próximas das suas famílias.

Os rapazes eram simpáticos, porém quando as garotas chegaram e viram seu território invadido por brasileiros e holandesas, seus semblantes eram de desconforto e reprovação. Quando cruzava com elas na praia ou na rua, viravam o rosto e fingiam não me conhecer.

O que justifica esse tipo de comportamento? São os três anos de serviço militar obrigatório para homens e mulheres? São os conflitos com a Palestina? É a religião? Ou é só falta de educação mesmo?

Lembro-me de encontrá-los também em um vilarejo colombiano. Estava com um amigo canadense e cruzamos com alguns deles em uma estrada de chão. Senti como se estivesse em um campo de batalha, caracterizado pela língua estranha que falavam e pelo clima hostil que senti.

Não sei, para mim, os israelitas permanecem sendo um enorme mistério, um choque de cultura tão absurdo que não saberia emitir uma opinião concreta sobre eles.

E parece que aqueles que estão curtindo a praia na Bahia, não fazem o menor esforço para diminuírem esse obscurantismo que os cerca.

Axé neles!

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