contos

Jardim das Esperanças

florTomada pelas caipiras maringaenses do amigo felino, lá estava ela: intensa, acrobática, e como a famosa hashtag costumava dizer, sem filtros. Tudo havia rolado rápido demais, o suposto luto ainda cicatrizava e antes do bode premeditado ela apareceu para iluminar as esperanças de mais uma noite perdida entre biritas e outros brilhos. Minutos depois éramos dois vultos descabelados rolando na grama, roubando o fogo da fogueira alheia, enquanto lembrávamos nossos nomes sob a lua oculta.  

Os dias seguintes serviram para confirmar as suspeitas: éramos duas almas vagabundas destinadas a estarem unidas por um elo mágico e estranho, invisível a olho nu e radiante aos olhos de terceiros. O mundo voltava a fazer algum sentido, a primavera havia chegado e finalmente ela estava me presenteando com uma bela flor, daquelas espécies em extinção que precisam de água e música clássica para crescerem fortes e soberanas.

E ainda que esse jardineiro infiel tenha em suas costas uma mochila cheia de flores mortas, de diversas cores e tamanhos, ele continua acreditando na possibilidade de um dia poder ver florir em seu jardim os mais lindos girassóis.

Sei que parece bizarro querer falar de amor dias antes de outra eleição, mas talvez seja disso que esses políticos de merda estejam precisando. No congresso, na presidência e no governo estadual estamos sendo representados por corações de pedra, verdadeiros mortos-vivos, cavaleiros do apocalipse zumbi anunciado nas piores teorias conspiratórias. Para driblá-los só mesmo um caminhão de boas intenções e um trem bala movido a generosas porções de amor e compreensão.

Tenho feito minha parte e no presente momento, a roleta da vida me brindou novamente com um sorriso especial, de um tipo raro, pronto para emoldurar e colocar na parede, me lembrando que a escuridão será sempre passageira e que apesar dos pesares, a vida pode valer a pena e quem sabe no final venha a constatação: “o amor que a gente dá é igual ao amor que recebemos”.

E como cantaria Roberto, “Depois que a chuva cair, outro jardim um dia há de reflorir”.

 

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