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Crônicas de Nácar #07: Va Pa I!

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O calendário corre cego, os números, as datas e as fechas latinas de flechas incertas engolem os prazos e as aburridas deadlines, pra depois serem cuspidas e lembradas nas artificiais explosões de mais um fim de ano que se aproxima a passos largos, enquanto reparo nos itálicos caracteres que inspiram velocidade. Logo invadiremos o ar e os Arcaicos Módulos dos revolucionários e perseguidos, dos ratos e moscas que coabitam esse universo holográfico infestado por seres míopes e daltônicos, velhos rostos quadrados capazes de enxergar apenas duas cores e cinco bundas, porém com a incrível capacidade nomeadora de defeitos em série. Defeitos que estão lá fora, bem longe de si. LOL, escreveria algum boboca norte-americano. O colapso emergente mais que necessário carece de espaço em um plano reto visível ilusório e que fazem humanoides despedaçados acreditarem que estão em um patético tribunal, e o que nos resta é defender, acusar, ameaçar e cobrar, cobrar especialmente tudo aquilo que eles jamais deram. “É o juízo final, quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer”, cantaria o rouco avô Nelson, ou o maior acumulador de rugas sinceras que esse país já teve.

“El Uruguayo” está novamente nas linhas brancas e amarelas rumo aos gaúchos pastos e com a missão avermelhada de reunir seus falecidos pais, we’ll miss you man. Gente sincera e amorosa a gente sente falta. A palavra perdeu o sentido no século 21 ou talvez já no terceiro, enquanto essa lauda safada padece de sentido lógico a cada nueva linha. Hoje estamos inundados por caras que prometem e falam abobrinhas empanadas e cheias de tempero, pra depois virarem as costas e você perceber que elas, as abobrinhas, estavam podres e até o tempero era artificial. Sai o bandido e fica o homem e as vezes sai o homem e fica a saudade.

A segunda temporada terminou, o caldo azedou, o motorista já foi pago e agora devolve as tralhas de outro cara estranho que não soube valorizar o ouro que tinha, afinal também estamos infestados por princesas modelos prontas para deixar qualquer barbudo pulando de alegria, ainda que momentaneamente. Ficam infinitas lembranças e agora seu número favorito no letreiro de mais essa irônica crônica, no more Montana e Lousiana. Em paralelo, perdemos outro grande Tom do hemisfério duplamente citado. Ce la vie, as vielas seguem contorcendo os limites da vida real, enquanto os donos desse planetinha azul criam novas distrações para a vida irreal dos pequenos que pensam que são aquilo que tem, e cobiçam aquilo que todavia, no possuem.

Serão as vogais capitulares de outro culo testículo e que agora são substituídas pelo randômico “S”, que fará com que eu compreenda o sentido disso tudo? O “S”, uma letra tão bela e com uma forma tão incrível e perfeita, capaz de se conectar com histórias que se repetem, caminhos tortos que vão e vêm, como as reviravoltas desse sax parkeano eclodindo pelos auriculares, ou como a cachorra Janis transitando no balanço de seu rabo, por entre cômodos multidimensionais. Talvez seja a hora do café, and I better go e parar de repetir trilhas ou cambios de idiomas, entediando motoristas de uberalles, e outros urbenautas tocadores de flautas, ambos futuros ouvintes da rádio blast from the past.

E chega de piadas baratas ou otimismos relâmpagos, bem como a estrofe final do hino existencial do tio Bill, pois como ele, eu também já nadei em águas fluidas, mas isso é metano, contaminante até o osso e por vezes pensamos que não iremos conseguir. Obrigado por cantar mais essa bola em formato representativo de pérola, pois o “conhecimento bloqueia o nosso caminho”, ao mesmo tempo que as experiências e sacações e as quebras de fronteiras nos libertam. Va pa i!

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