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Crônicas de Nácar #08: Excrementos e Falsos Padres

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Sonhos intranquilos, sonhos coletivos e individuais. Sonho de religião, sonho da casa própria, sonho de comunhão, sonho que surge do nada e vai para a nata de outro sonho promocional recheado com o doce de leitevegano para os fundamentalistas e azedo para os fatalistas. Que nada, quero o bem deles, o sol é de todos e para brilhar basta não esquecer do protetor solar de Michael Douglas. Spray para os globais, óleo de coco para os naturalistas. Códigos e bizarros sinais, senhas implantadas, frases de sax, solos em fruit loops e la mala leche para los puretas, especialmente na cidade das frias primaveras e das verdades absolutas absortas em ideologias furadas. Ontem vi um cara defecar e depois manipular seus excrementos na parede esculpida por artistas consagrados de um passado distante. Enquanto encenava um quadro vivo de Sade, uma plateia o observava em plena praça púbica, os colegas riam e aplaudiam, enquanto outros seguiam na pergunta ocidental mais enferrujada e caduca desse meio. “O que é Arte?” Confesso que senti um leve contentamento quando o rapaz chupou seus dedos e assim demonstrou, ao menos para si próprio, esse lance de sermos uma coisa só e porquê tanto nojo de algo que sai de você? “Ah, mas eu estudo e pratico pra chegar onde estou, esse cara só precisou comer algo para poder cagar na frente daquelas cinquenta pessoas, pessoas que não tinham um programa melhor pra fazer.” É bro, mas por trás daquela cena havia um texto, memorizado e interpretado enquanto os olhos e os narizes se concentravam apenas nas fezes. Havia um contexto libertário e transgressor importante para tempos cinzentos e temerosos típicos das repúblicas sem histórias. Novamente me recordo da frase dita no megafone gralhento: “É preciso conhecer as estranhezas que acontecem por aí”. Hoje posso dizer que vi tudo isso pertinho de casa, bebendo um vinho com amigos. Percebendo e respeitando seus limites, como peixes em oceanos ou pássaros em altitudes pré-definidas. Deixe suas regras e suas leis pra depois, somos seres cósmicos e universais, mas deixe esse discurso nova era pós-tropicalista pra depois também, a mesma conexão espacial infinita está no chão que você pisa e nesse pó terrestre que nos criou. Seja humilde e respeitoso, de resto, viaje a vontade, viaje nos baratos filosóficos, canábicos ou cachaceiros de possibilidades mil, anos-luz de qualquer milícia com ou sem malícia, onde a censura mais profunda nasça desse autor de histórias sem fim e que deixou de ser ator de storylines repetidas com finais previsíveis para se tornar a água mutante de Bruce Lee.

A lua rosa do tio Drake aparece novamente, por entre xícaras da silva, folhas e pães caseiros, por entre lágrimas de frustrações, discursos vazios e sentimentos vulgares. O mago precisa ir pro lago para perceber que a realidade estava somente no lago. “It was forty years ago”, a luz estava lá e jamais deixe que a obscuridade familiar dos ciclos aparentemente diferentes atrapalhe sua cura interna. Tivemos paciência, porém uma hora a corda da inocência é rompida e os fiapos que ficam são lembranças de atitudes contaminantes, sujeiras no chão quadriculado de outro palco improvisado e que também fora aberto pra ti um dia.

Preciso dessa brecha e desses brechts inexplorados, preciso desse blues acústico do eterno garoto de 27 anos que morava em um castelo, preciso do tabaco bolado ressuscitador de ritmos esquecidos, preciso desses reluzentes olhos negros da mamma mia dos meus dias, olhos puros sem julgamentos prematuros, olhos jequieticongues e tibetanos, ojos del amor después del amor, olhos da maçã antes da mordida, observadores e hinduístas olhos de shiva que se aproximam do aniversário em inglês. Yes! It’s your birthday and we are gonna have a birthday party, afinal, o que vemos pode ser apenas a superfície de um oceano de conexões e incríveis mistérios compreendidos por seus baby eyes. Você é o que é e nunca ninguém precisa entender o porquê de você ser assim, me explicou Caldabranca, outro eterno jovem e que agora voa por praias celestes de países menos complicados. E que você também seja as free as a bird can be, ou como assobiaria outro Bird amigo, break it yourself. Nadie fará isso por ti.

I’m sorry, mas palavras não te salvarão. Sua história muito menos. Aceita-la pode ser o começo. Boas intenções ajudarão, pois os receptores estão cada vez mais atentos.

Luz, câmera… Ação!

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