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Adeus Harvey Pekar

Harvey Pekar foi um nobre arquivista americano, natural da cidade de Cleveland. Harvey Pekar foi um quadrinista famoso no meio underground, principalmente com a série “American Explendor” (ou o “Anti-herói Americano”, como foi traduzida por aqui). Harvey Pekar foi um quadrinista que não sabia desenhar. Mesmo assim, através das suas histórias sobre as pequenas coisas da vida, o cotidiano no subúrbio, a rotina no trabalho e os amigos esquisitos, ele conseguiu encantar os olhos do amigo e parceiro de coleções de discos de jazz, Robert Crumb – esse sim, sabia desenhar, e muito. E assim, foram saindo as primeiras edições daquela que seria um marco no universo HQ e na sub-cultura pop daquele “querido” país.

Pulemos para a década passada quando a história de Harvey Pekar virou filme, protagonizado pelo próprio Pekar e o grande ator Paul Giamatti. Quem ainda não viu, corra para uma locadora próxima ou algum torrent no Google.

Harvey Pekar era capaz de arrancar ironias e sátiras de situações normais e do nosso dia-a-dia. No supermercado, ele alertava para o momento crucial de selecionar a melhor fila do caixa: o número de pessoas é sim um fator determinante, porém uma velhinha judia pode atrasar o processo. Nos anos noventa, ele lança uma graphic novel intitulada “Our Cancer Year”, juntamente com sua esposa. Naquele momento ele próprio sofria de um câncer e para ajudar no tratamento, decidiu escrever sobre, com a mesma ironia de sempre.

Hoje o mundo dos quadrinhos ficou um pouco órfão, mas o nome de Harvey Pekar continuará vivo, seja nos traços esquizofrênicos de Crumb, nas dezenas de outros cartunistas que ilustraram suas histórias, ou no cinema.