poesias

Boulevard do Ócio Criativo

Metafísica
Jogos com fósforos
Palpites perdidos no tempo
Meu palpite é quatro
O seu é três
Jogos de palavras e palitos
O sol encobertando o frio

Boulevard e o ócio criativo
Boulevard e o ócio criativo
Boulevard e o ócio criativo
Boulevard e o ócio criativo

Nada para fazer ou pensar
Só sentimento e amor
Dois poetas e duas gangorras
Da vida iludida
Às vezes vivida
Às vezes sentida

Dois bebês e suas lindas babás
Pastéis de camarão
Símbolos da podridão
O sol não brilha para todos
No boulevard dos sonhos perdidos

(Marquês de Casanova e Igor Moura, 17/09/2014)

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poesias

Desapego

Comprei um casaco
Charmoso, descolado e barato,
Que encontrei no brechó.

Perdi o telefone
Perdi oitenta reais,
Meu sobrenome e o esmalte dos dentes.

Perdi meu chapéu escuro
E como o gato sem bigode,
Fiquei sem rumo.

Tonto, quase perco a carteira, os documentos e os créditos.
O amigo diz: isso é coisa de sequelado!

Pra mim, isso é tudo culpa do casaco.

Doei um casaco
Feioso, largado e sem sorte.

Encontraram meu chapéu!
A mulher diz: isso é coisa de dia dos namorados.

contos, poesias

Vamos

Vamos, o show vai começar logo, temos que encontrar o Gustavo, que veio de longe, a Joana e a Bruna, que vieram de perto, e o Homer, que também veio de longe, as ruas estão cheias, é a virada cultural de Curitiba e talvez essa tarefa, de encontrar pessoas, seja difícil, mas vamos tentar, o Arnaldo Antunes já começou a tocar, o som está baixo e mal podemos ouvir o que ele canta naquele microfone, mensagem no celular, o Gustavo me diz que eles estão no lado esquerdo do palco, perto dele, o Marcos me manda outra mensagem dizendo que ele está no banco da praça e indo pro show, minutos depois cruzamos com ele e sua amiga, para logo nos perdermos no meio da multidão, tentando chegar no lado esquerdo do palco, que saco, não dá pra ver o Gustavo e o som continua horrível, baixo e confuso, preferia escutá-lo no auto-falante do meu celular, ok Carine, vamos sair daqui e tentar encontrá-los no outro lado do paço, onde não há quase ninguém, somente um monte de bicicletas acorrentadas, mando mensagem pro Gustavo, mas ele não responde, esperamos mais um pouco, fumamos um cigarro para em seguida recebermos uma nova mensagem, desta vez ele nos diz que está indo pras ruínas, eu mando uma mensagem pra Joana, perguntando se elas ainda estão no bondinho, ela me diz que estão nas ruínas e então, diante dessa situação, decidimos seguir para lá, mas antes uma passada no banco pro dinheiro da cerveja, chegando nas ruínas compro uma latinha de cerveja por cinco reais, malditos comerciantes de rua,  encontramos as meninas sentadas na arquibancada, de frente pro palco e nele, a banda Gentileza toca sua mistura fina de samba, ska, jazz e rock, para uma multidão que é bem menos multidão que aquela do show do Arnaldo, e assim, eu e Carine podemos finalmente curtir um bom show, sem os empurra-empurras costumeiros das grandes aglomerações, e finalmente na companhia dos amigos, e falando neles, logo na nossa frente, mais perto do palco, vemos o Gustavo e sua nova namorada, dou mais um tempo com as meninas, fumamos, e desço pra cumprimentá-lo, curtimos um pouco do show juntos, o papai noel estridente de posto também parece curtir, depois retorno pra arquibancada, no palco a banda deixa as gentilezas de lado para tocarem um funk carioca e fazerem todo mundo rebolar um pouco pra depois terminarem o show com seus maiores hits radiofônicos, ovacionados por uma platéia cheia de energia e jovialidade, sem música, seguimos em direção ao Fidel, o bar dos barbudos, que nessa noite está bombando, com o Pedro discotecando antigos vinis brasileiros e com uma galera do lado de fora do bar, fazendo lembrar outro bar famoso da cidade, entramos, milagrosamente as meninas conseguiram uma mesa pra oito, sim, agora estamos em um grupo maior, mas a tarefa de conseguirmos uma cerveja gelada se mostrou quase impossível, esperamos uns quarenta minutos, falamos com o Lucas, o garçon e brother da galera, mas ele estava ocupado servindo dezenas de chopes pro povo lá de fora, o Gustavo tentou conseguir as geladas direto com o Fagner no balcão, mas este carecia de um pouco de simpatia, e enfim, depois de um longo e tortuoso tempo com as gargantas vazias, conseguimos as tais cervejas e aproveitamos e pedimos nossos lanches, os clássicos pacaias, sanduíches de abacate para paladares desacostumados com carne de bicho, na mesa olhares entrecortados entre pessoas que se conhecem e pessoas que não se conhecem, Fagner discute com o cara que tentou pegar uma cerveja sozinho, o retirando de seu bar, olho pro lado e encontro um grande amigo dos tempos de colégio que estava lá para um aniversário, conversamos um pouco, fumo mais um cigarro e ele vai embora, volto pra mesa, comemos nossos pacaias, converso com o Homer sobre sua viagem para o Uruguai e depois Argentina, nos despedimos de todos e vamos embora, pra longe dessas loucuras de cidade grande, dessas aventuras que são as tais…viradas culturais.

(agora sim, posso respirar)

poesias

Eu Poderia

Eu poderia ter sido o sócio-fundador daquele grande e badalado estúdio de design e propaganda

Se eu tivesse tido um monte de dinheiro

Eu poderia ter sido aquele famoso escritor de best-sellers

Se eu tivesse tido um monte de dinheiro

Eu poderia ter sido o cineasta mais querido do Brasil

Se eu tivesse tido um monte de dinheiro

Eu poderia ter sido o maior viajante de todos os tempos

Se eu tivesse tido um monte de dinheiro

Eu poderia ter sido o radialista dos seus sonhos

Se eu tivesse tido um monte de dinheiro

Eu poderia ter sido o artista plástico mais promissor e produtivo do século 21

Se eu tivesse tido um monte de dinheiro

 

Que nada, se eu tivesse tido um monte de dinheiro

Eu gastaria tudo em farras ou apostas

E seguiria sendo feliz do seu lado

 

Minha gata branquela.