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Antonina, Menina dos Olhos Rojos

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Cinco carros populares, trinta e um humanos com tendências artísticas duvidosas, um sítio lunático no meio do caminho, uma kombi girante chamada “O Espirro de Gil”, instrumentos, equipos e tintas nas botas do irmão maluquinho com um sério problema em suas bolas. Físicas. Metafísicas? Caldabranca, por quê você não foi mesmo? Tá ficando loki bicho? Tá com medinho do banheiro unisex com falta de água, feito pra suprir as necessidades trágicas de trinta e um planetas conflitantes, mas que por algum motivo desconhecido possuem o elo da existência, essa coisinha brega que os bobos e loucos continuam berrando por aí: em cada solinho de guitarra com direito a dança africana, em cada sorriso no verso maroto, em cada cara de dor aparente, mas que sabemos ser feeling, em cada groove do sopro invisível da teoria dos baixistas machistas, em cada fuçada na mesa de sonidos raros, em cada roubada de olhada da grande parceira da life e com sobrenome de salgado, em cada bamboleada, em cada brincadeira com fogo e com sons transcendentais produzidos por instrumentos aborígenes, em cada backing vocal forçadamente espontâneo, em cada sumida repentina, em cada clicada com o botão direito do mago tecnológico invisível e criador de palcos universais, em cada tragada do vapor barato que dá barato, em cada trocada de letra do amigo indie rebelde xamânico com fobias alimentares, em cada gole da cerveja roots de gengibre preparada pelo gamer, ou ainda em cada surtada da trupe rio platense sobre a vagabundagem aparente dos hermanos estelares. Essa sensação pueril e febril me faz lembrar do chocolate nosso de cada dia, e de todas as outras cosas que pedimos para os outros queridos vampiros com xis. Lembrar de cada massa esticada pelo Heinsenberg da cozinha matriarcal anti-ianque e que de repente, vira o Mister Magoo das sinuosas estradas graciosas que ligam o mangue à montanha das fantasias. Verdadeiras elipses atemporais, escuros espirais de uma serra lynchiana, parte fundamental de um mapa safado e perfumado pelos recuerdos de alguma infância com chapéu. O mesmo chapéu marinheiro do comandante flutuante que passa a bola pro próximo balão inflável da vez, seja uma miss coca-cola do Grandpa Staples ou seja para o conde pseudo xeique com sotaque da porra e a malícia de Alícia e outras rimas fáceis, típicas de seu personagem big brother.

Festival de blues? Prometo chegar nessa dimensão paralela há poucos quilômetros de casa, entretanto são tantos personagens memoráveis, digníssimos e maravilhosos filhos da puta de alguma natureza esquecida pelos livros lidos por avós e bisavós, e que por algum trem doido da mente abismal chegaram até esses peculiares seres de extrema periculosidade vital. Reluzentes personagens desbotados capazes de transitar entre o céu e as profundezas alienígenas de qualquer oceano que termine com a sílaba CO. Sim! Temos o CO2 biológico dos casais incestuosos, e temos a palavra que começa com CO, a palavra da nova ordem sociedade grâ-kavernista do clube agrofloresta nerd illuminati em curso preparatório pré apocalipse zumbi, a palavra era outra, mas nesse momento de poucas vírgulas não poderia deixar de citar o irmão zumbador com lindos e subversivos cacoetes, e seu filho-pai topa-tudo-por-amor, o grande Erasmo com cara de Paulo Miklos. Erasmo, cuidado com a Masmorra! Entretanto a palavra com CO jamais poderá ser esquecida ou deixada de lado ou pelo acaso como a bola de feno símbolo do destino e do melhor filme do mundo, afinal se tem uma palavra da nova moda social com potencial linguístico para nos salvar desse caos político existencial interplanetário, ela deve começar com duas letras, o Cê e o Ó, para instaurarmos eternamente esse chip do espelho preto além da imaginação, antes que seja tarde demais e sejamos possuídos pelo mal da outra era terrestre, em que outra palavra que também começava com CO, foi usada e abusada em nome de um sistema em COlapso. Essa história sobre mais um grupinho mimado e inspirado por sonhos megalomaníacos retrôs, é pra me fazer lembrar dessa palavra utilizada até pelos cientistas vanguardistas dos elevadores de 13 pisos. Ah número 13, me dê uma trégua pra falar da palavra amiga, da palavra doce da bruxa norueguesa, da palavra COcô da COmpanheira COmediante, da palavra que você aí já deve estar implorando para ser pronunciada, ou talvez já tenha até olvidado.  

São tantas dicas tropicalientes e não quero que a essência se transforme em mais uma piada de boteco, daquelas das tias e tios e que na cidade fantasma ninguém mais sabe, e tampouco quero que esse texto se transforme em outro lamento com fundamento repetido. Tudo que eu quero é citar Caetano de novo, esse mesmo ser que já ignorou os malditos benditos de agora e depois pediu desculpas e ficou tudo bem. Tudo o que quero é uma palavra perfeita maior, com todo mundo podendo brilhar num cââââântico quântico de proporções universais: os pequenos e os grandes, os baixos e os altos, os burrinhos e os espertinhos, os gordos gigantescos e os magros magérrimos, os lindos e os grotescos, as fadas e os bruxos, os pais e filhos da revistinha oitentista, os puros e os safados, os bons, os maldosos e os feios, e todos os filmes de bang-bang com profundos ensinamentos espirituais, ainda que alguns de seus fãs sejam mais céticos que a música celta comercial que permeia certos bares caretas carentes de moedas sinceras. CO, CO, COco Rosie do clipe fantástico, COco Channel da lista machista dos cem maiores nomes de uma história mal contada por gente do mal, CO,… OPA! Na real são três letras exatamente como na palavra OPA, a marca de cerveja carinha da terra fascista das casas fofas, COOOOOO, espere, sinto um eco de humberto, um ECO que ecoa, um eco que parece apontar a altura e a direção dessa palavra perfeita, que nos salvará dos bichos papões, dos dealers com verrugas exponenciais, dos juros bancários e das mamães aflitas, dos xerifes enxeridos, dos pornográficos XXX das pesquisas do GOOOOOgle, hey, até esse povo artificialmente escolhido já brincou com esse eco que tento explicar. O eco escudo do ego inimigo chamado… Cooperação!

Abandonemos os ismos de mais de vinte séculos de guerras conhecidas, e rumemos para adelante, sem nomes e sin nombres, sem barreiras e naquela pira feliz do mussUM. Talvez nossas costas sejam feitas para coçar, massageá-las de levinho ou lambê-las ocasionalmente, porém evitemos arranhá-las ou rasgá-las, a não ser que essa seja a pira do casal sado influenciado pelo marquês residente no universo interno de cada um.

COO, veja como nem mesmo essa palavra existiria sozinha, aunque tenha a letra solitária Cê, agora em caixa alta para agradar o amigo enxaqueca e que também COabita esse mesmo universo interno que tento explicar, ainda que eu insista nesse joguinho do C e dos idiomas, a palavra cooperação precisa desse diálogo rain man entre o Ó e o outro Ó.

Cooperar, colaborar, coexistir, enxergar para além do umbigo feio com ou sem aquele bizarro pedaço do cordão da mãe de todos, esse UMbigo, esse UM que sozinho nos mostra apenas um caminho e mais nada. Esse UM que perde o amigo, mas não perde a piada, esse UM pomposo que vive em busca do próximo gozo, esse Um que inicia bilhões de histórias e canções sobre o dia de qualquer pessoa, esse um que vai ficando pequenininho e sem aspas, quando comparado à imensidão de todas as galáxias possíveis, esse “um” que poderia transmutar em “OM” como no novo poema do reptiliano Rodô, e assim nos aproximarmos dessa natureza maior, desse desencanto branco do canto maia, desses deuses astronautas, dessas cordas multidimensionais, desses salvadores profetas orientais ou de olhos azuis para os olhos ocidentais, e de outras ficções bem escritas, mas que nós, humanos limitados, utilizamos para controlar, manipular e camuflar o verdadeiro sentido de uma palavra perfeita como essa do começo do parágrafo. O umbiguinho faz biquinho e parece ter a resposta pra esses caras sedentos por poder. Poder, poder, poder, para poder crescer. Cale-se please.

Apertem os cintos, o piloto sumiu! A criança que brincava disso com o irmão sueco no chevette do papai “largou os bets” e decidiu assumir pela primeira vez seu bairrismo, mesmo tendo acabado de pisar nos ismos achatados e que só mostram uma camada da cebola odiada por Fernando e a Vespa. Letícia também disse que ela não quer só um boy ou um toy, mas um man, um Hombre como o nome da jovem banda de Campinas e do gato monge leitor de camadas invisíveis dessa mesma cebola do jogo criado pra crianças na faculdade de design e dos personagens fakes de Caldabranca.

Precisamos respirar, respirar pra pirarmos de novo, afinal “a pira continua” não é mesmo? Essa criancinha aqui quer terminar mais uma história cheia de parênteses e sobre parentes e patentes, ou a falta dessas patentes do sítio de Marte, refúgio de loucos inconstantes que “roubaram o sol” e fugiram para suas próprias viagens com a ajuda de substâncias naturais ou tão artificiais como as cores daqueles papéis de mentirinha.

“Disseram pra gente que estávamos em crise e que os clientes iriam diminuir pra caralho e foi nessa bad trip que decidimos assistir ao triste fim da quaresma tomando uma bera gelada entre amigos ao som do bom e velho blues.” Viemos em missão de paz e para ajudá-los. Trouxemos gravuras, brechós, instrumentos e equipamentos suficientes para armarmos o circo em qualquer canto que seja conveniente: autênticos botecos com gente de verdade, prostíbulos invisíveis, carrinhos de perros calientes e essencialmente na rua, pois é lá que o povo está! O blues não pode parar e os corações despedaçados precisam de remendos imediatos. We Are The World. You Are One Of Us. Freaks, prazer, somos vocês! SELL yourSELF for some better days. Let the GOOD times ROLL. Bluesman, qual é o tom? Waits, Zé, ou Jobim? John Lenin está te chamando!

Somos todos UM, somos todos o grande e eterno OM e JUNTOS, cooperando, seguiremos coexistindo. Internamente você é tão bonitin. Deixa de frescura e vem pra festa, mais que merecida!

Pra curar, basta existir.

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Crônicas de Nácar #03: Amolecendo a Ditadura

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Ton é talvez o garoto mais puro que conheci nesses últimos anos. Dono de uma risada inconfundível, estridente e potente, comparável com a Fafá de Belém, o Bira ou qualquer outro conhecido que costumamos encontrar em esquinas e casas malucas por aí. Novamente não presenciei o acontecido, mas ontem no telefone fixo Ed me contou o que rolou e só pude agradecer novamente ao universo e a tal natureza descrita pelo alien viajante no tempo que revi pela quarta vez na máquina vermelha maior do mundo.

Ton é músico de rua e costuma tocar sopros invisíveis com sua guitarra enferrujada, ao lado de seus parceiros de mangue: Jordi e Fred. Juntos eles formam um power trio instrumental bem doido, consumidores de néctar e daqueles que fazem você tirar o chapéu, e depois encher o chapéu deles, contribuindo pela arte de rua em uma cidade dominada por seres grotescos que ainda não enxergaram o verdadeiro valor deste tipo de apresentação. E foi justamente durante uma apresentação deste grupo, em plena Praça Ozório – berço da malandragem curitibana e também de lindas feiras cheias de artesanato e apetitosos rangos; foi nesse local aparentemente ordinário que policiais interromperam o show da banda de Ton, com a velha premissa de “quero ver a autorização de vocês, pois pra tocar e alegrar os transeuntes necessitamos de papéis!”. Jordi que havia descolado o tal documento junto a Fundação, outro órgão que já teve dias melhores, mas que como toda célula burocrática de um sistema antiquado e capenga, sofrerá baixas naturais.

Dedicarei um punhado de palavras para descrever algumas das atrocidades dessas supostas autoridades de uma “Coolritiba” que parece legal nos cartazes, mas que esconde sujeira e muco para todos os lados, deixando seus moradores doentes, com a garganta fodida e uma voz rouca e falha, cansada de já não possuir valor especialmente quando lidamos com humanóides que têm o poder na forma de uma arma na cintura. Alguns destes absurdos já foram retratados nesse mesmo blog pseudo hipster de valor duvidoso.

Primeiramente, fora… Piadas desbotadas à parte, esses mesmos policiais que pediram o alvará para o trio em questão, sabiam que eles estavam “legais”, pois já haviam pedido o famigerado documento em outros momentos. Jordi que havia esquecido o papel na Casa de Nácar, algo típico de artistas e demais portadores de DDA, correu para poder depois esfregar na cara da sociedade que eles estavam dentro da lei, e assim, poderiam seguir seu show, esquentando corações em processo de congelamento favorecido pelas últimas mudanças climáticas. Porém esse papel não foi encontrado, e restou para Jordi pedir desculpas aos seus comparsas, afinal, estamos falando de bandidos que escolheram a música como forma de sustento.

No outro dia os tiras tiveram a cara de pau de pedir para uma mulher de aparência humilde e que sempre prestigia as bandas de Nácar, lançando sorrisos e moedas que consegue com a venda de balas infantis. Essa mesma mulher, que na ocasião estava com um bebê no colo, foi pedida para ser revistada, em plena praça pública. Tiraram seu filho, enquanto uma policial feminina com o instinto materno adormecido revistava cada parte do corpo da mulher, incluindo peitos e língua, em um claro sinal de humilhação. E não, esses tiras mal intencionados não encontraram nenhuma droga ou arma em seu corpo. Ed que tocava com seus amigos decidiu se manifestar do jeitinho que esses tiras de araque gostam de ouvir: “Hey, vocês não fizeram nada com aquele bêbado que não deixou a gente fazer nosso show e aí vocês revistam uma mãe com criança de colo? Em que mundo vocês vivem?”. E é óbvio que quando a autoridade e o trabalho deles é questionado publicamente, essa mesma classe se junta para justificar qualquer tipo de tosquice que eles estejam fazendo. “O que? Você tá querendo nos dizer como devemos fazer o NOSSO trabalho? Você vai querer nos humilhar em público?”. “Não meu senhor, desculpe pela maneira que falei,… Como vou discutir com alguém armado? Viver em um estado fascista é foda, mas ainda sinto amor e quero seguir vivo.”

“O Mal acha que faz mal” é a célebre frase repetida todos os dias pelo mestre argentino Tijuan. E foi assim, depois dessa sequência de bizarrices envolvendo fardas e papéis, que diversos músicos de Nácar, se reuniram em frente ao famoso bar hippie-good-vibes para insistir naquilo que eles acreditavam ser o correto: arte de rua jamais será um crime. E tocaram. Tocaram um pouco mais. Tocaram transbordando emoção e groove, e logo uma multidão se aglomerou em volta deles. Mas o xerife Mr. Garrett continuava insatisfeito, mandando uma viatura parar o show, exatamente as 8 e meia da noite de um domingo.

Ton, o menino dos olhos brilhantes, somatizou toda a dor e a tristeza daqueles companheiros de trabalho, músicos honestos “sem frescura”, e simplesmente desabou, derramando baldes de lágrimas. Ed que já havia enfrentado problemas com a lei recentemente e estava trabalhando essa energia dentro de si, olhou nos olhos do policial e disse, em tom sereno: “O meu amigo ali está chorando porque vocês não estão deixando a gente fazer nosso trabalho, só queremos tocar.”

E eis que a esperança em um mundo melhor surge do céu sob purpurinas e o policial demonstra compreender a situação explanada, movimentando positivamente sua cabeça e enchendo seus olhos de lágrima: “Podem tocar, a gente sai, tá tudo bem.”

Muito se fala hoje em dia: tememos um presidente ilegítimo, tememos mais ainda um presidente fascista que promete acabar com as esperanças de um povo sofrido e corrompido, mas que ainda sabe o valor da criatividade e da união em momentos de crise.

E se algum dia a tal revolução não televisionada acontecer de fato, ela será pelo coração e jamais pela mente, como nos acostumamos a pensar. E viva esse idioma que nos permite ter lições espirituais: “A mente mente” e o “O presente é um presente”. Pois sabemos que o amor é muito maior que qualquer arma inventada em impressoras 3D.

 

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Crônicas de Nácar #02: Baseado em Contos Surreais

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A história que contarei não aconteceu exatamente na rua em questão, mas nas redondezas, bem no centro histórico da chamada República de Curitiba, nomezinho feio que inventaram recentemente, para descrever essa província pseudo européia localizada no sul do Brasil – um país bem diferente do que vemos por aqui.

Era mais ou menos umas onze e meia da noite, quando meus amigos decidiram lanchar no copo sujo, uma lanchonete 24h com coxinha de 1 real e uma série de personagens notívagos um tanto curiosos. Cumprida essa missão, Ed, Renata, Fernando e Nina, decidiram celebrar a saciedade de seus estômagos, e fumar unzinho bem na frente de um famoso restaurante, que em inglês, algo típico dessa republiqueta, diz pra gente que eles tem “o melhor hambúrguer do mundo”. Egocentrismos a parte, meus amigos estavam lá, cantando All You Need Is Love, no melhor astral que uma capital fria pode oferecer. Nina coloca o baseadinho na boca e de repente o cenário muda de figura: um camburão da polícia militar encosta e logo saem cinco homens com escopetas e expressões faciais de puro ódio. Chegam brincando e dizendo coisas do tipo “rodaram, rodaram, seus filhos da puta, maconheiros de merda, podem encostar na parede”.

Apesar das duas meninas e de serem cinco homens na abordagem, eles foram revistando os meus quatro amigos, ao som de xingamentos e esculachos, infelizmente típicos dessa polícia brasileira. Durante esse processo tosco, Fernando levou uma cacetada nos testículos, e quando esboçou uma reação perante uma das maiores crueldades que um homem pode passar, o policial pergunta “que que você tá se contorcendo aí viado?”. Fernando apenas explicou com seu sotaque nordestino inconfundível “você bateu nos meus ovos!”.

Nina, uma garota que esbanja alegria no viver, e não deve passar dos 50 quilos, também sofreu preconceito, talvez por ser negra, ou pelo fato de ter nascido no Rio de Janeiro. “Ah, você é uma carioca folgada. Volta lá pra sua terrinha de merda”. Renata, que veio de Londrina, mas que naquele momento bizarro resolveu dizer que era daqui e que morava no Pilarzinho, foi prontamente humilhada em um sentido reverso. “Ah, você veio de um bairro bom, o que a senhorita está fazendo com esses vagabundos: negros, nordestinos e bandidos por natureza?”. Só aí esses tais homens da lei cometeram pelo menos três tipos de crimes, crimes que a sociedade costuma ignorar, afinal, eles só estão cumprindo a lei“, algo a ver com os costumeiros “homens de bem” típicos desses cantos.

Ed, um dos maiores talentos musicais que conheci nos últimos anos, foi o único que decidiu rebater algumas das atrocidades ditas por esses cinco homens, sem rostos e sem um pingo de bom senso ou respeito, cinco homens que pensam que a farda possui alguma mágica especial que faz deles superiores a qualquer outro cidadão. Ed também é negro, tem um cabelo black power invejável e veio do interior de São Paulo. De cara ele afirmou pacificamente “sou maconheiro sim, mas sou trabalhador, trabalhei o dia todo e agora vocês querem me prender porque estou fumando um baseado com meus amigos?”.

Por motivos incompreensíveis esses cinco homens com escopetas algemaram Ed e o colocaram no camburão, enquanto meu amigo tentava explicar que o país estava uma merda justamente por essa hipocrisia. Com claustrofobia, Ed tentou meditar dentro daquele pequeno espaço escuro destinado a verdadeiros bandidos: assassinos, estupradores e quem sabe alguns políticos também. Mas sua meditação era sempre interrompida pelo policial baixinho com algum problema sério de auto estima, que seguia xingando e esculachando meu pobre amigo.

Resumo de mais uma das milhares de histórias que se repetem na cidade onde “a lei funciona e é pra todos, menos se você for do PSDB”: levaram Ed até o décimo segundo batalhão da polícia militar, há pelo menos dez quilômetros do centro, fizeram ele assinar um termo estúpido e ainda ouvir aquela mesma ladainha de sempre “pô, você tá me fazendo trabalhar nessas horas só por um baseado?”. Fale isso pros policiais que levaram meu amigo, os mesmos policiais que passaram por ele e gritavam “Bolsonaro 2018!!! Pra acabarmos com esses vagabundos todos, vocês têm que morrer!!”.

All You Need Is Love, pois esse ódio todo não te pertence. E por favor, na próxima vez, deixe meus amigos fumarem. Talvez vocês também precisem disso para acalmarem essa mente doentia e lavada a seco nesse quartel de onde vocês vieram.

Ed foi encontrado somente duas horas depois, em um bucólico posto de gasolina, tentando conseguir algum celular emprestado para chamar um uber, enquanto era mangueado por outro músico de rua.

 

 

 

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Arte de Rua Não é Crime

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Sábado de sol, mas dessa vez não aluguei um caminhão e muito menos comprei feijão. E se tinha maconha, quase não vi. Vi outras coisas bem legais e essas palavras tentarão explicar um pouco o que foi o dia de anteontem. Pela segunda vez, vi diversos artistas de rua unidos para uma causa nem nobre, nem pobre, apenas necessária em tempos estranhos. Tempos em que o ódio e a ganância são exalados por todos os poros, tempos de guerra como sempre e tempos em que a polícia militar precisa de nove carros e trinta homens fortemente armados preparados para prender o pior bandido da história dessa cidade cada vez mais cinza. No caso esse bandido se chama Música de Rua, e quem sabe mais uma meia dúzia de inofensivos maconheiros.

Sim, os músicos de rua tem sofrido uma repressão desmedida apenas por estarem tocando na rua, como sempre fizeram. E não estou falando de mega shows pirotécnicos e clandestinos, em algum bairro residencial e em plena madrugada. Esses músicos têm sido abordados somente por estarem tocando um jazz-fusion-groove, ou seja lá como queira chamar, em pleno centro de Curitiba, às oito horas da noite de uma sexta-feira. Uma pequena multidão parou para vê-los e também contribuir para que continuem fazendo isso, colaborando com algum trocado.

E sábado foi novamente um dia de protesto, um protesto artístico sem cartazes de ódio, sem a presença de maçons engravatados pedindo impeachment, nem panelas, nem camisas de futebol, nem megafones ou carros de som insuportavelmente chatos. Apenas música! Bem, talvez o principal fosse a música devido às últimas histórias bizarras envolvendo esses caras, mas também teve outras formas de arte, teve um palhaço de rua venezuelano andando em um monociclo de proporções girafais, teve dança de carimbó,  teve poesia e teatro misturada com música, e teve uma porção de fotógrafos e videomakers registrando tudin.

Pararam famílias, trabalhadores em dia de descanso, desempregados, lojistas, estudantes, turistas, outros artistas e mais um ou dois bêbados típicos de qualquer rua de cidade grande. Houveram outros transeuntes que não chegaram a parar, mas mexeram seus corpinhos em sinal de aprovação, ou como se estivessem alimentando brevemente suas almas carentes. Afinal, as ondas sonoras também cumprem esse papel.  

No fim do dia a sensação era de paz e de dever cumprido, ao menos pelos organizadores. E que venham novos atos de conscientização como esses últimos, cheios de amor e arte: dois lances que costumam andar lado a lado, se fundindo na maior parte do tempo e fazendo a gente perceber que a verdadeira transformação será sempre de dentro pra fora, ou seja, discursos inflamados e piquetes jamais serão suficientes, especialmente quando o espírito está fraco ou contaminado pelo ego que obstrui, aleija e faz a gente esquecer que o verdadeiro irmão não está no sangue ou na amizade, mas na sua frente.

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Data Limite?

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Notícias aterradoras assistidas na máquina vermelha maior do mundo me deixaram perplexo. 2019 seria a “data limite“ divulgada por um documentário de mesmo nome e também sobre outras previsões de Chico Xavier. E como não acreditar em um cara que disse já em 1971 que no futuro encontraríamos água na Lua, petróleo no oceano do Brasil e os órgãos transplantados seriam de plástico – novas descobertas nessa história recente maluca que não pára de se desenrolar em escala exponencial, e que é tão rápida que nem mesmo conseguimos acompanhá-la. Esse lance do primeiro coração de plástico transplantado eu mesmo nem fazia ideia. Chico, diferente das mães Dinás interessadas em fama e dinheiro, foi um homem de poucos recursos que doou praticamente tudo que ganhou e não parecia interessado em aparecer. E quando o fazia, em um popular programa de TV brasileiro, era por motivos extremamente relevantes.

Segundo suas próprias palavras, no dia em que o homem foi à lua, em julho de 1969, teria rolado uma reunião intergaláctica com outros seres do espaço. Esses seres estranhos estariam preocupados com a destruição da Terra e principalmente com o mal uso da energia nuclear. Uma energia que move o universo, mas que o Homem estaria utilizando para a criação de armas de destruição em massa e explosões de proporções catastróficas, não apenas para nosso planeta. De acordo com Chico Xavier, Cristo apareceu nesse encontro e advogou em favor da Terra, pedindo para esses seres esperarem um pouco mais antes de intervirem. Depois de muito debate, foi definido um prazo de 50 anos, ou seja, 2019.

Haveria dois cenários possíveis: no primeiro, seguiríamos explodindo bombas e a própria Terra, cansada da exploração humana, começaria a se autodestruir na forma de terremotos, enchentes, tsnunamis e qualquer outra catástrofe natural que você consiga imaginar. No segundo, finalmente os humanos entrariam numa nova era de paz e de grandes revoluções tecnológicas, graças ao intercâmbio entre os extraterrestres e a gente. Contatos oficiais seriam feitos e pelo jeito, já estaríamos nos preparando pra isso.

Note como isso parece fazer algum sentido – há poucos anos atrás uma série de governos estava divulgando informações sobre OVNIS, incluindo o Brasil, que liberou 100 páginas das 300 que tinha sobre o assunto. Segundo o doc, reuniões entre líderes governamentais estariam sendo feitas para decidir, por exemplo, quem seria o porta-voz oficial da humanidade, tudo escondidinho pra não dar bandeira. A NASA confirmou a possibilidade de vida fora da Terra, afirmando que até 2020 eles conseguiriam provar.

Poderia seguir citando outros pontos a respeito, mas claro que o ideal será assistir o vídeo completo no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=4JxukHvGVzE) e tirar suas próprias conclusões, ainda que essa história possa soar maluca demais para sua cabeça. Jesus, ETs e Espiritismo, tudo conectado, como assim?

Seja como for, é fato que estamos vivendo um momento único em nossa história, onde descobertas científicas e tecnológicas acontecem todos os dias. Enquanto politicamente parecemos estar em algum roteiro rocambolesco das dimensões de um Trump ou Putin, afinal, quem devemos Temer? Por enquanto a resposta aponta para um único culpado – nós mesmos.

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Crônica de Um Amigo Louco

caldabrancaJorge Caldabranca é um daqueles caras que a gente só conhece uma vez na vida. Quando penso em sua história, as luzes se apagam e imensos e coloridos pontos de interrogação feitos de papel cartão preenchem minha mente, gerando lacunas indecifráveis, capazes de enlouquecer o mais competente psicanalista que há no mercado. Ainda sim, farei esse esforço.

Como o Dylan da canção, ele também saiu de casa com 12 anos de idade, e assim como o personagem de Long Time Gone, sua mente ficou confusa desde então. Seus pais búlgaros o deixaram em um pedaço de terra chamado Caldabranca nos confins de São Paulo. O objetivo era chegar a Buenos Aires, e talvez o bebê estivesse atrapalhando seus planos. Foram sem ele e nunca mais voltaram.

Jorge Caldabranca viveu na rua, como andarilho, por alguns anos. Não foi mendigo e para evitar tal condição encontrava trabalhos temporários em troca de alguns trocados. Sempre foi esperto e, na primeira oportunidade, matriculou-se num curso do SENAC para aprender a ser garçom. Assalariado, pôde sair das ruas e se dedicar aos estudos. Formou-se em Letras e, de quebra, fez mestrado em Literatura só para poder realizar o sonho de garoto: ser escritor.

Foi professor universitário, escreveu cinco livros depois de ler mais de 1000. Boa parte das histórias que contou veio justamente das experiências vividas como andarilho ou mesmo depois, em subempregos que além de ajudarem nas contas no fim do mês, foram verdadeiros laboratórios sociais, capazes de produzir contos, poemas e romances sinceros e originais; sem as apelações dos escritores de classe média, enfurnados em apartamentos centrais. Suas referências literárias o auxiliam nessa função e, para isso, ele conta com a ajuda de Bukowskis, Kerouacs, Calvinos e uma porção de poetas malditos.

Não poderia ser diferente, conheci-o na rua, por entre retratos de artistas famosos e senhoras com suas sacolas cheias de verduras orgânicas. No segundo encontro, Caldabranca já estava munido de sua câmera de bolso, pronto para me entrevistar. Passamos longas tardes juntos, por entre nuvens esverdeadas e charros, contando causos e em devaneios febris, distantes de qualquer contato com a realidade – que a cada novo ano, se enche de tédio e caretice por todo lado.

Normalmente eu, que sempre fui taxado de prolixo e que sempre insisti em histórias longas, cheias de detalhes aparentemente insignificantes, ficava na maior parte do tempo em silêncio, ouvindo o que o velho Caldabranca tinha pra contar. Nem citarei a idade real do meu novo amigo Jorge, pois prefiro ficar com os “45” que ele mesmo disse que estava fazendo em seu último aniversário. Engraçado, logo 45, prum cara que sempre odiou e vomitou em cima da direita desse país. Sim, Caldabranca é petista de carteirinha, daqueles fanáticos mesmo, que continuam achando que o José Dirceu é mais um herói-vítima-do-sistema-que-ele-não-criou.

Politicagens à parte, Caldabranca se transformou em um personagem de si mesmo, construído a duras penas por um mundo que o cuspiu, o jogou na sarjeta e depois recebeu de volta, na mesma moeda. Seu nome de batismo pouco importa, Jorge Caldabranca ganhou o título honorário de Marquês, concedido por ele mesmo. Quer maior reconhecimento que esse? O de si próprio?

Inimigos de plantão e demais seres pré-históricos que preferem julgar antes de aceitar dirão que Caldabranca não passa do cara mais egocêntrico do planeta. E olha que esse título ele também não dispensa. Em um mundo infestado por falsos modestos e pseudo humildes, como meu outro amigo apontou, Caldabranca é a carta coringa do baralho e ainda que ele possua inúmeros defeitos, para mim ele tem algo inexorável, carente a 99% dos artistas que vemos por aí: autenticidade.

Sim, Caldabranca é, além de escritor, um artista “on the road”, como ele mesmo costuma enfatizar. Já foi ator e recitou sua poesia intitulada “Junkie” mais de 100 vezes em diversos palcos, porém principalmente no Madame Satã em SP. Já pintou um quadro com bolas de sinuca e pretende leiloá-lo em Paris por um milhão de dólares. Caldabranca também é cantor de blues e pretende viajar pelo Brasil com sua Big Band. Como se não bastasse, como roteirista ele pretende trabalhar em São Paulo, diretamente de sua suíte cinco estrelas para uma grande produtora nacional. Quando envelhecer verdadeiramente, morará em Montevidéu, ao lado de sua assistente, sua secretária e sua enfermeira particular. Mas antes, Caldabranca ainda viajará pela América do Sul com a grana do carro vendido e de tantos outros negócios oriundos de uma treta chamada OLX. Antes, Caldabranca também realizará o seu próprio festival de cinema “on the road”, diretamente do campus da USP, na Pauliceia Desvairada. Segundo ele, meus filmes de viagem estarão lá também, e tudo, tudo, não passa de… Metafísica!

E é justamente essa explosão de ideias, projetos e sonhos que fazem desse ser, ímpar, só pra ficar no clichê das palavras redundantes. Muita gente o colocaria no primeiro hospício, mas não poderia deixar de frisar seu senso de responsabilidade e zelo pela própria saúde, algo que faz a distância entre ele e seus possíveis colegas de instituição crescer consideravelmente. Para o senso comum, Caldabranca pode ser inoportuno e irremediavelmente expansivo, pode possuir o ego maior que o do John Lennon. Porém, para mim, ele não passa de um cara alegre, sincero, singular e que consegue aquilo que eu mais invejo em sua pessoa – a capacidade de ignorar a opinião dos outros – seguindo em sua felicidade plena, transbordando otimismo por cada célula de seu corpo ainda jovem, no melhor estilo “dança da realidade” que um tal de Jodorowsky explicou lá atrás, e em um mundo cheio de fakes, como ele próprio insiste em esbravejar por aí.

Caldabranca pode ser avistado na Boca Maldita ou por outras esquinas de Curitiba – a cidade que ele escolheu viver ao lado de Simonetta, sua amante italiana. Cabeludo, óculos escuros e sempre escutando Creedance e outros roques manjados no alto-falante de seu celular, Jorge Caldabranca, um zen-dudeísta de carterinha, exclamará: “pra toda essa gente sou e sempre serei um ghost”.

E só poderia terminar essa “crônica de um amigo louco”, citando outro ídolo maluco conhecido pela alcunha mutante de Arnaldo Baptista… Te amo, podes crer!

 

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Intervenção Alienígena Já

intervencao alienO porta-voz da NASA anunciou: “existem mais de 100 mil planetas habitáveis por aí, acreditamos que, em no máximo 20 anos, os alienígenas farão contato conosco e talvez 10% dos crop circles ou agroglifos (aqueles desenhos gigantes feitos nas fazendas) sejam tentativas de começar esse diálogo”. Os ufólogos ficaram eufóricos, enquanto os religiosos e os antropocentristas simplesmente ignoraram tal declaração.  O blues brother Dan Aykroyd também deu saltos de alegria, exclamando “Eu sabia!”. No Canadá, o ex-ministro da Defesa, Paul Hellyer, afirmou enfaticamente que vários governos, incluindo o canadense e o norte-americano mantêm contato com “mais de uma civilização de outro planeta”.

No Brasil, ainda tem gente que pede uma intervenção militar como forma de acabar com a corja de “corruPTos” que se instaurou no poder, após quatro eleições diretas homologadas pelo TSE. Dessas, em pelo menos três, o candidato vermelho não obteve apoio da grande mídia – um fato novo na história desse país e que foi lembrado por Sebastião Salgado, que também afirmou “é por isso que nunca vimos tantos casos de corrupção sendo investigados”. Mas talvez isso tudo seja “papo de petralha” e o melhor mesmo é que sejamos comandados por um exército patriota até o caroço e comprometido com a honestidade e a moral de uma sociedade brasileira cada vez mais decadente e sem rumo.

Pois bem, deixando a política de botequim de lado, o que estamos prestes a ver talvez não seja a almejada “intervenção militar”, mas sim, uma intervenção infinitamente mais perigosa, de âmbito mundial e que atingirá os sete bilhões de habitantes desse planeta aguado, ironicamente chamado de Terra. Falo da “intervenção alienígena”, proclamada pelos supostos mestres da ciência espacial, um grupo que recentemente retirou do ar as imagens recebidas por um satélite próximo do nosso planeta, após a constatação de uma nave não identificada pairar ao lado desse mesmo satélite, que costumava ser visto em tempo real, ao vivo, por terráqueos curiosos.

E se a NASA só havia mencionado vidas extraterrestres em dois momentos de sua história, e a declaração que abre esse texto foi justamente o segundo desses polêmicos momentos? Quem sabe, desta vez, a chapa tenha esquentado, e os figurões por trás dessa imensa organização tenham decidido informar a moçada antes que a referida intervenção aconteça, dilacerando a credibilidade e a reputação construída pelo veículo de comunicação que eles próprios inventaram.

Outra declaração pertinente vem do renomado astronauta Edgar Mitchell: “Nós estamos sendo enganados e a verdade está sendo encoberta. Mas isso mudará rapidamente. Há 50 anos essa política de sigilo aos UFOs tinha uma razão militar e estratégica. Agora, não. Tal jogo governamental é pantanoso, sujo e burocrático. Isso tem que ser acabado e será. Os ufólogos não se calam e têm a seu favor o fato de que o Fenômeno UFO está em constante evolução, inquieto, aumentando a cada dia. Não se pode mais tapar o Sol com a peneira. No entanto, a revelação da verdade deve ser gradativa, senão sacudirá e abalará nossos alicerces.”

Enquanto isso, em um exercício ainda de loucura, fico tentando imaginar como será essa intervenção, que pelos catastrofistas deverá ser chamada de invasão. Haverá milhares de suicídios coletivos? Haverá governantes tentando se aliar aos ET´s? Haverá um discurso alienígena televisionado e talvez até uma bronca do tipo “vocês foderam com tudo, por isso estamos aqui”? Haverá algum tipo de agência do emprego para que possamos trabalhar para eles? Haverá sexo interespacial?

Enfim, essas e uma série de outras perguntas esdrúxulas habitarão minha mente pelos próximos anos ou, pelo menos, até o fato acontecer de vez. Mas quem sabe o geek gumpista Philipe Kling David tenha matado algumas dessas charadas. Em sua breve análise sobre o tema, o astuto rapaz afirma que provavelmente não haverá qualquer tipo de dominação, uma vez que isso implicaria alguma riqueza material interessante para os ET´s, algo como o ouro ou o diamante, responsáveis por boa parte das pancadarias por aí. Porém, para um ser que pode viajar entre vários planetas, esses bens não possuem valor algum, já que existem virtualmente planetas inteiros feitos de diamante e o ouro também é um metal extremamente comum no cosmos. Para eles, somos insignificantes, o que não justificaria um extermínio da humanidade. Restaria, segundo “Kling”, “estudar como a flora e fauna evoluiu neste planeta em comparação com outros – isso sim, seria uma riqueza “não roubável”.

Sobre a cena clássica dos filmes “B” em que o ser zoiúdo demanda “leve-me ao seu líder”, Philipe afirma que probabilisticamente “uma espécie alienígena é dotada de um tipo de internet mental onde todos estão ligados a todos, o líder passa a ser o grupo. Qualquer um deles será o líder. Desse ponto de vista, nossa estrutura hierárquica é nada mais que uma piada estranha. Talvez sejam estes os grandes medos dos que detêm o poder na Terra. O contato com uma classe evolutiva que vai derreter essa estrutura de poder. Ninguém quer perder o poder.”

Nem o PT e nem o PSDB.

Tenho certeza de que essa será a maior lição dada pelos alienígenas e de que já havia sido profetizada por Lennon, que cantou e tocou em seu famoso piano branco “Imagine que não houvesse nenhum país… E o mundo será um só”. Diante de tanta maluquice, não duvidaria de que essa inspiração do beatle revolucionário tivesse vindo do lado de fora da Terra, através de ondas invisíveis, capazes de influenciar estrelas do rock.

ET´s, por favor, venham logo.