contos

Blues e Delírios em Anto Nina

pace_bluesLá estavam eles, novamente no vilarejo charmoso e cheio de histórias pra contar. Antonina, ou a A Menina dos Olhos Rojos como havia sido batizada no ano passado, também estava lá, onipresente e pronta para outro evento blueseiro de proporções internacionais. Os pregadores do bom e velho blues também marcaram presença, de frente para a igreja matriz, convocando todos os anjos e demônios criados por esse estilo nascido nas fazendas de algodão. Escravos negros munidos de um talento nato, sorrateiros lamentos rompendo barreiras geográficas e sociais, e que ecoam até hoje pelos quatro cantos de um planeta em processo desconstrutivo, especialmente em becos populados por corações despedaçados e pulmões esfumaçados. São nesses becos que o blues sobrevive e certamente Antonina possui uma porção deles. Cenário perfeito para a explosão dos choros em forma de solos, protagonizados por guitarras em extinção, sinal dos tempos modernos. Cenário necessário para a construção da quarta edição do festival que precisou ser adiado por conta da greve dos caminhoneiros, sinal dos tempos sombrios permeados por políticos esquizofrênicos e presidentes ilegítimos. A Música, essa eterna companheira, segue pulsando e unindo mentes conflitantes, através dos corpos inquietos que vibram de acordo com o ritmo, ignorando posições políticas e ensinando que a música ou a arte não possui fronteiras. Elas estão no terraço blindado do prédio, enquanto as leis humanas moram centenas de andares abaixo, provavelmente no primeiro piso ainda sem janelas, onde os burocratas também costumam trabalhar e atrapalhar os planos daqueles que buscam a felicidade através do conhecimento interior.  

Lindos recuerdos de um fim de semana pra lá de especial. Nem tudo são flores quando a missão é fazer com que 25 planetas distintos orbitem em torno do mesmo objetivo. É nesse instante que começo a lembrar desses instantes inconstantes extremamente comuns e sempre carregados de significados: tetinhas e tretinhas, socos em monges índios, sumiços wallyanos, viagens marcianas em luas sorridentes, estridentes acordes azuis no festival dos horizontes, doces momentos sem tormentos, movimentos orquestrados por sinais visuais, raios e mais acordes de sol, deliciosos bobós de siri acariciadores de estômagos, vinhos produzidos por abelhas boêmias, jogos da copa das decepções, madrugadas embaladas por canções de jukebox, colchões esparramados na casa dos artistas, contundentes jams na avenida principal, místicas coreografias líquidas, improvisos musicais na oficina mecânica, saudades argentinas da filha finalmente livre, blues das antigas na padaria dos sonhos de nata da nata das bandas de um homem só, desfile de chapéus no restaurante dos sombreiros e dos mangues, titãs afundando como titanics, senhoras embebedadas por cataias sensualizando e bulinando plateias mais sérias, portuguesas sequestradoras de baixistas sentenciados, camarotes culturais de rádios am, irmãos roqueiros apavorando no blues gringo, gigantescos pastéis artesanais, obscuros encontros em fachadas históricas desmoronadas, rio e minas embelezando as brisas responsáveis por abastecer panças famintas, vagões e ornamentos carnavalescos emoldurando comboios emanadores de good grooves, o blues de chicago encontra o funk de Tim Maia, Elmore James Brown no palco principal, pioneiros do blues paranaense em reunion, criaturas do pântano animadoras de tardes ensolaradas, talentosos cabeludos obesos contadores de lorotas, pés vermelhos lançando discos em códigos digitais, paulistas interioranos viajantes do tempo em barracas de cachorro quente, símbolos e mais símbolos, êmbolos surreais que embolam na memória capenga e que agora se esforça para unir essa colcha de retalhos temperada pelo alho frito da frigideira das emoções livres de razões. Rimas dos amores, das dores e das loucuras oriundas desse blues cafetão capaz de penetrar almas opacas carentes de sentido.

E enquanto o mundo desaba diante desses nossos olhos rojos, talvez o melhor a fazer seja beber ao som do blues, assim como o cozinheiro verde havia dito na época em que esse festival permanecia no campo das ideias. Quatro anos se passaram e esse conselho parece ainda mais certo. Let the good times roll.

Anúncios
contos

Vagos Vagões Verdes

pace_vagoesverdesO feixe de luz que entra pela fresta da janela levemente aberta provoca um espetáculo visual, especialmente pela fumaça acumulada dos parceiros e habitantes do quarto da tríplice fronteira argentina-paranaguá-fortaleza. Ondas esfumaçadas em movimento constante assim como os pensamentos incessantes de quatro estranhos seres que por obra do destino, compartem o mesmo espaço tempo construído a duras penas por gente maluca que continua acreditando no sonho do artista. Correntes de fumaça com 500 tons de cinza, notas musicais imaginárias, quadros esboçados pela mente, palavras não ditas, novelas vividas, ziquiziras somadas com os pêlos brancos que brotam em peles queimadas pelo sol dos primeiros dias de outono. Dias arrastados e abafados e que provocam sono, um sono com lindos sonhos delirantes e muitas vezes, reconfortantes. Sinais aleatórios que apontam a direção? Equações existenciais não resolvidas, teoremas sem lógica, cartas fora do baralho, contas que não fecham, relacionamentos pixelados criadores de enormes pontos de interrogação. Interrupções amorosas, paixões abruptas tão redundantes como os seus redondos seios, a vida segmentada, por vezes celibatária, anárquica em essência e indefinível na realidade. Quem sabe os códigos binários castigados pela idade pudessem facilitar essa resolução? Assim como o velho novo Zé, é preciso confundir para se fazer entender, e nada melhor que aquelas ondas esfumaçadas provocadas por aquele feixe de luz para incitar essas torres neurais, capazes de conexões improváveis numa tentativa de comprovar a teoria de tudo, ou talvez aquela que diga basicamente que somos todos um: somos todos Mussum, e Mussolini também. E o caos? Até o caos estaria conectado? Johns e Manu Chaos juntos pelas mãos do universo.

Silêncios rotineiros, falsas previsões do tempo: desse tempo marcado por incertezas, montanhas russas emocionais, feministas ucranianas e novelas de papel: do papel enrolado por beckenbauers bebendo Jack Bauers, enquanto na vitrola microscópica e irreal o jazz eclode pelas previsões do tempo do tio Jordi. Na mente, os velhos subterfúgios de siempre, subterrâneos e saudosos blues, submarinos amarelos e vegetarianos, subversivos e desalinhados subtextos, subtrações linguísticas, submissas palavras sublinhadas nos subúrbios cerebrais e nos “artificiosos brejos da alma”. O subcomandante é convocado para assumir a bronca. O comandante de campo Cohen abandonou o jogo, mas eu continuarei te escutando muito tempo depois de você ter nos deixado, thanks for that tip man. Retratos antiquados e repaginados na lojinha dos curiosos.

Na beira do mato a paisagem é uma floresta com bonecas semióticas do vô Jards. Na beira do mato o calor é interno, os abraços são ternos e o vento parece eterno. A encantada fogueira também. No palco os saltos da trupe ordinária alegram as cabeças presentes nesse extraordinário recanto, enquanto na cozinha as esfihas celebravam as vidas não-sacrificadas. Memórias póstumas de outro fim de semana com o combo certeiro para hippies e hipsters de plantão: natureza e festival musical capazes de encher as esperanças em tempos sombrios. Vivemos o pesadelo político capitaneado por vampiros do poder, milicos travestidos de heróis e juízes narcisistas com biografias encomendadas. O cenário perfeito para discursos estúpidos para uma plateia de fantoches, sejam eles amarelos, vermelhos ou albinos com pintas azuis. O pensamento crítico ficou enclausurado em postagens repetidas nas redes sociais, organizadas por algoritmos retardados. O compartilhamento de informações agigantou-se com a tecnologia, mas esses malditos algoritmos estragam qualquer possibilidade de debate real, ainda que em meio virtual e com gente que teria vergonha de dizer certas coisas caso o papo fosse de fato real. E por que a insistência em escolhermos um lado se está cada vez mais claro que a maldade faz parte da condição humana e não será um perfil de feicebuque ou um partido político que livrará alguém de fazer merda? Wallace Coopers e Walkilmers parecem já saber disso. Necessitamos de métodos mais eficazes para combatermos essa so called corrupção. Algo que dispensasse humanóides broncos e mal intencionados. Talvez esses mesmos algoritmos, misturados com conhecimentos da inteligência artificial bem no estilo daquele espelho preto que tanto adoramos, pudessem de fato, nos ajudar nessa aparentemente impossível tarefa de apontar os verdadeiros vilões da história, de forma 100% segura. E se as dúvidas das urnas eletrônicas atrapalharem a evolução desse poderoso projeto, podemos ignorá-las ou usarmos essas polêmicas urnas como um exemplo para não ser seguido. Guidos Faraônicos e Gustavos Marcianos parecem não saber disso.  

Os vagões da mente seguem desconexos, rompendo limites e com a infindável missão de encontrar trilhos seguros que me levem para pueblos tranquilos, onde o bom senso possa reinar e me salvar do apocalipse iminente. E chega de ser do contra, “não quero torcer contra, quero torcer a favor de nós”, ainda que seja preciso desatar nós seculares para que esse Nós capital se desprenda dessas raízes terrestres que nos fazem cada vez mais insignificantes, e assim possamos perceber que essas raízes são de fato, celestes, e portanto, universais!  

arte, contos, pseudojornalismo, Uncategorized

Antonina, Menina dos Olhos Rojos

pace_amoranto

Cinco carros populares, trinta e um humanos com tendências artísticas duvidosas, um sítio lunático no meio do caminho, uma kombi girante chamada “O Espirro de Gil”, instrumentos, equipos e tintas nas botas do irmão maluquinho com um sério problema em suas bolas. Físicas. Metafísicas? Caldabranca, por quê você não foi mesmo? Tá ficando loki bicho? Tá com medinho do banheiro unisex com falta de água, feito pra suprir as necessidades trágicas de trinta e um planetas conflitantes, mas que por algum motivo desconhecido possuem o elo da existência, essa coisinha brega que os bobos e loucos continuam berrando por aí: em cada solinho de guitarra com direito a dança africana, em cada sorriso no verso maroto, em cada cara de dor aparente, mas que sabemos ser feeling, em cada groove do sopro invisível da teoria dos baixistas machistas, em cada fuçada na mesa de sonidos raros, em cada roubada de olhada da grande parceira da life e com sobrenome de salgado, em cada bamboleada, em cada brincadeira com fogo e com sons transcendentais produzidos por instrumentos aborígenes, em cada backing vocal forçadamente espontâneo, em cada sumida repentina, em cada clicada com o botão direito do mago tecnológico invisível e criador de palcos universais, em cada tragada do vapor barato que dá barato, em cada trocada de letra do amigo indie rebelde xamânico com fobias alimentares, em cada gole da cerveja roots de gengibre preparada pelo gamer, ou ainda em cada surtada da trupe rio platense sobre a vagabundagem aparente dos hermanos estelares. Essa sensação pueril e febril me faz lembrar do chocolate nosso de cada dia, e de todas as outras cosas que pedimos para os outros queridos vampiros com xis. Lembrar de cada massa esticada pelo Heinsenberg da cozinha matriarcal anti-ianque e que de repente, vira o Mister Magoo das sinuosas estradas graciosas que ligam o mangue à montanha das fantasias. Verdadeiras elipses atemporais, escuros espirais de uma serra lynchiana, parte fundamental de um mapa safado e perfumado pelos recuerdos de alguma infância com chapéu. O mesmo chapéu marinheiro do comandante flutuante que passa a bola pro próximo balão inflável da vez, seja uma miss coca-cola do Grandpa Staples ou seja para o conde pseudo xeique com sotaque da porra e a malícia de Alícia e outras rimas fáceis, típicas de seu personagem big brother.

Festival de blues? Prometo chegar nessa dimensão paralela há poucos quilômetros de casa, entretanto são tantos personagens memoráveis, digníssimos e maravilhosos filhos da puta de alguma natureza esquecida pelos livros lidos por avós e bisavós, e que por algum trem doido da mente abismal chegaram até esses peculiares seres de extrema periculosidade vital. Reluzentes personagens desbotados capazes de transitar entre o céu e as profundezas alienígenas de qualquer oceano que termine com a sílaba CO. Sim! Temos o CO2 biológico dos casais incestuosos, e temos a palavra que começa com CO, a palavra da nova ordem sociedade grâ-kavernista do clube agrofloresta nerd illuminati em curso preparatório pré apocalipse zumbi, a palavra era outra, mas nesse momento de poucas vírgulas não poderia deixar de citar o irmão zumbador com lindos e subversivos cacoetes, e seu filho-pai topa-tudo-por-amor, o grande Erasmo com cara de Paulo Miklos. Erasmo, cuidado com a Masmorra! Entretanto a palavra com CO jamais poderá ser esquecida ou deixada de lado ou pelo acaso como a bola de feno símbolo do destino e do melhor filme do mundo, afinal se tem uma palavra da nova moda social com potencial linguístico para nos salvar desse caos político existencial interplanetário, ela deve começar com duas letras, o Cê e o Ó, para instaurarmos eternamente esse chip do espelho preto além da imaginação, antes que seja tarde demais e sejamos possuídos pelo mal da outra era terrestre, em que outra palavra que também começava com CO, foi usada e abusada em nome de um sistema em COlapso. Essa história sobre mais um grupinho mimado e inspirado por sonhos megalomaníacos retrôs, é pra me fazer lembrar dessa palavra utilizada até pelos cientistas vanguardistas dos elevadores de 13 pisos. Ah número 13, me dê uma trégua pra falar da palavra amiga, da palavra doce da bruxa norueguesa, da palavra COcô da COmpanheira COmediante, da palavra que você aí já deve estar implorando para ser pronunciada, ou talvez já tenha até olvidado.  

São tantas dicas tropicalientes e não quero que a essência se transforme em mais uma piada de boteco, daquelas das tias e tios e que na cidade fantasma ninguém mais sabe, e tampouco quero que esse texto se transforme em outro lamento com fundamento repetido. Tudo que eu quero é citar Caetano de novo, esse mesmo ser que já ignorou os malditos benditos de agora e depois pediu desculpas e ficou tudo bem. Tudo o que quero é uma palavra perfeita maior, com todo mundo podendo brilhar num cââââântico quântico de proporções universais: os pequenos e os grandes, os baixos e os altos, os burrinhos e os espertinhos, os gordos gigantescos e os magros magérrimos, os lindos e os grotescos, as fadas e os bruxos, os pais e filhos da revistinha oitentista, os puros e os safados, os bons, os maldosos e os feios, e todos os filmes de bang-bang com profundos ensinamentos espirituais, ainda que alguns de seus fãs sejam mais céticos que a música celta comercial que permeia certos bares caretas carentes de moedas sinceras. CO, CO, COco Rosie do clipe fantástico, COco Channel da lista machista dos cem maiores nomes de uma história mal contada por gente do mal, CO,… OPA! Na real são três letras exatamente como na palavra OPA, a marca de cerveja carinha da terra fascista das casas fofas, COOOOOO, espere, sinto um eco de humberto, um ECO que ecoa, um eco que parece apontar a altura e a direção dessa palavra perfeita, que nos salvará dos bichos papões, dos dealers com verrugas exponenciais, dos juros bancários e das mamães aflitas, dos xerifes enxeridos, dos pornográficos XXX das pesquisas do GOOOOOgle, hey, até esse povo artificialmente escolhido já brincou com esse eco que tento explicar. O eco escudo do ego inimigo chamado… Cooperação!

Abandonemos os ismos de mais de vinte séculos de guerras conhecidas, e rumemos para adelante, sem nomes e sin nombres, sem barreiras e naquela pira feliz do mussUM. Talvez nossas costas sejam feitas para coçar, massageá-las de levinho ou lambê-las ocasionalmente, porém evitemos arranhá-las ou rasgá-las, a não ser que essa seja a pira do casal sado influenciado pelo marquês residente no universo interno de cada um.

COO, veja como nem mesmo essa palavra existiria sozinha, aunque tenha a letra solitária Cê, agora em caixa alta para agradar o amigo enxaqueca e que também COabita esse mesmo universo interno que tento explicar, ainda que eu insista nesse joguinho do C e dos idiomas, a palavra cooperação precisa desse diálogo rain man entre o Ó e o outro Ó.

Cooperar, colaborar, coexistir, enxergar para além do umbigo feio com ou sem aquele bizarro pedaço do cordão da mãe de todos, esse UMbigo, esse UM que sozinho nos mostra apenas um caminho e mais nada. Esse UM que perde o amigo, mas não perde a piada, esse UM pomposo que vive em busca do próximo gozo, esse Um que inicia bilhões de histórias e canções sobre o dia de qualquer pessoa, esse um que vai ficando pequenininho e sem aspas, quando comparado à imensidão de todas as galáxias possíveis, esse “um” que poderia transmutar em “OM” como no novo poema do reptiliano Rodô, e assim nos aproximarmos dessa natureza maior, desse desencanto branco do canto maia, desses deuses astronautas, dessas cordas multidimensionais, desses salvadores profetas orientais ou de olhos azuis para os olhos ocidentais, e de outras ficções bem escritas, mas que nós, humanos limitados, utilizamos para controlar, manipular e camuflar o verdadeiro sentido de uma palavra perfeita como essa do começo do parágrafo. O umbiguinho faz biquinho e parece ter a resposta pra esses caras sedentos por poder. Poder, poder, poder, para poder crescer. Cale-se please.

Apertem os cintos, o piloto sumiu! A criança que brincava disso com o irmão sueco no chevette do papai “largou os bets” e decidiu assumir pela primeira vez seu bairrismo, mesmo tendo acabado de pisar nos ismos achatados e que só mostram uma camada da cebola odiada por Fernando e a Vespa. Letícia também disse que ela não quer só um boy ou um toy, mas um man, um Hombre como o nome da jovem banda de Campinas e do gato monge leitor de camadas invisíveis dessa mesma cebola do jogo criado pra crianças na faculdade de design e dos personagens fakes de Caldabranca.

Precisamos respirar, respirar pra pirarmos de novo, afinal “a pira continua” não é mesmo? Essa criancinha aqui quer terminar mais uma história cheia de parênteses e sobre parentes e patentes, ou a falta dessas patentes do sítio de Marte, refúgio de loucos inconstantes que “roubaram o sol” e fugiram para suas próprias viagens com a ajuda de substâncias naturais ou tão artificiais como as cores daqueles papéis de mentirinha.

“Disseram pra gente que estávamos em crise e que os clientes iriam diminuir pra caralho e foi nessa bad trip que decidimos assistir ao triste fim da quaresma tomando uma bera gelada entre amigos ao som do bom e velho blues.” Viemos em missão de paz e para ajudá-los. Trouxemos gravuras, brechós, instrumentos e equipamentos suficientes para armarmos o circo em qualquer canto que seja conveniente: autênticos botecos com gente de verdade, prostíbulos invisíveis, carrinhos de perros calientes e essencialmente na rua, pois é lá que o povo está! O blues não pode parar e os corações despedaçados precisam de remendos imediatos. We Are The World. You Are One Of Us. Freaks, prazer, somos vocês! SELL yourSELF for some better days. Let the GOOD times ROLL. Bluesman, qual é o tom? Waits, Zé, ou Jobim? John Lenin está te chamando!

Somos todos UM, somos todos o grande e eterno OM e JUNTOS, cooperando, seguiremos coexistindo. Internamente você é tão bonitin. Deixa de frescura e vem pra festa, mais que merecida!

Pra curar, basta existir.

contos

Domingo de Chuva

chuvaDomingo de chuva, de uma chuva aclamada e pré-anunciada nos rodapés dos jornais, uma chuva esperada pelos fazendeiros e não desejada pelos feirantes e demais vendedores ambulantes, uma chuva típica da montanha e que não adianta ter medo dela, pois “a chuva voltando pra terra traz coisas do ar”. Ainda bem, pois era justamente disso que eu estava precisando.

Curitiba testemunhou o recorde histórico: mais de 90 dias de sol, céu azul e um clima árido típico da capital de um país em declínio e que o baterista argentino tem dificuldade de entender. “Vi domingo passado aquele protesto contra o governo, mas só vi gente de relógio caro, tênis de marca e camisa oficial da seleção brasileira… do que eles estão reclamando mesmo?”.  Meu amigo Mariano, dessa vez vou calar a boca e não serei aquele que te dirá que “a vida é séria e a guerra é dura”, pois quando penso assim, tudo fica tão chato e cinza como os papos dos granfinos ou os discursos pseudo politizados de gente que ainda não entende que as opiniões são como aqueles dados cheios de lados dos tabuleiros imaginários de RPG e que nunca fizeram minha cabeça chata de nordestino, assim como escutava na adolescência.

Na vitrola da sala, João canta sobre o nada e sobre Deus ser um “conceito pelo qual nós medimos nossa dor”, enquanto escuto aquele som neoclássico do aplicativo do momento, algo a ver com aquelas propagandas ridículas das operadoras de celular sobre mensagens ilimitadas, mensagens em que não consigo ver nenhuma vantagem, não nesse domingo de chuva, não nesse momento em que estou cansado, com dores nas costas e com um catarro verde escuro no pulmão e me sentindo grosseiro e estúpido com aqueles que ainda sentem alguma coisa boa por mim.

Será que um dia a gente vai entender que toda essa tecnologia é inútil na tarefa de suprir sentimentos básicos de solidão, carência e insegurança e que cabe a gente lidar com essas merdas sozinho, e não querer jogar isso pro outro ou, ainda pior, tentando se comunicar por um aparelho que foi feito com uma boa intenção, mas que como tudo que o homem ocidental tocou desde sempre, foi transformado em lixo, em guerra, em destruição e em uma má perdição. Sim, por que se perder é bom demais, mas só quando a gente tem essa consciência e sente que não está sendo guiado por um ego maior e ainda mais pervertido.

Estou blue como o disco da Joni Mitchell que agora toca na sala, blue como o piano natalino daquela canção sobre a possibilidade de existir um rio congelado em  que a gente pudesse patinar pra bem longe. E falando em pianos e em tristezas, lembro daquele que está bem atrás de mim, e que já foi responsável por momentos lindos, de alegria, com a minha mãe tocando Fascinação e fazendo a amiga vizinha e que agora corrige meus textos, sentir a felicidade no ar, e logo me lembro de também me sentir bem ao escutar seu filho Pedro ouvindo Ramones no talo quando eu ainda era um moleque mimado e confinado a um condomínio fechado, desses que meu pai tem medo de retornar a morar e, é claro que eu entendo suas razões. Só não entendo por que esse piano que está atrás de mim precisa custar tão caro para voltar a soar afinado,… Malditas cravelhas!

Também não entendo por que a gente segue se apaixonando e acreditando nas pessoas e até na gente mesmo, pra depois vir essa onda blue e eu precisar de um amigo advogado para me lembrar que as pessoas são, no fundo, totalmente egoístas e que essa história de corrente do bem ou das pessoas “do bem” não passa de um marketing pra vender suco natural; ou ainda algum discurso aliciano da classe média alta que nunca viajou tanto pro exterior, mas que agora precisa economizar para pagar direitos trabalhistas e impostos para um governo comunista que insiste em patrocinar a ditadura cubana e roubar os cofres públicos sem sobreavisos ou julgamentos posteriores.

Dr. Gonzo, meu amigo advogado que agora passou a me seguir por aí e me lembrar do lado demoníaco que existe em cada ser, Dr. Gonzo, você sim, será cada vez mais necessário. Já precisei de remédios controlados, de drogas ilegais, rituais orientais e até de iridologia para saber quem eu sou, mas agora, nesse domingo de chuva e nos outros tantos que estão por vir, nesse momento blue e down, sinto que precisarei sim de uma avalanche de papéis, assinaturas, cláusulas, processos, contratos e carimbos de todas as cores, frios ou preferivelmente quentes; ainda que eu continue anarquista ao ponto de odiar todas as formas de burocracia e legislação criadas por esses humanoides, que seguem existindo dentro de mim, para tentar organizar uma massa que não consegue usar o bom senso e o coração nem para sair de casa ou tomar um café, e que segue querendo cada vez mais, sem perceber que o barato da vida não está na “inútil luta contra os galhos”, mas sim no tronco, é lá e somente lá que “está o coringa do baralho”.

Dr. Gonzo, por favor, me ajude a cuidar desses galhos, e obrigado mais uma vez ao baiano que me ensinou a perder o medo da chuva e à outra baiana, a maior de todas, que me fez ter a cabeça chata, chata o suficiente para seguir sonhando e compreendendo que há muito mais para sentir e aprender, ainda que as decepções só cessem por completo quando eu, você e todas as pessoas desse planeta… Sumirem.

podcasts

[pace is the essence] Podcast #07: Animais (Parte 3 – Os do Ar)

CAPA-animais-do-arRetomando as atividades radiofônicas, segue o terceiro programa da série “Animais”, dedicado aos animais que voam, ou pelo menos chegam perto disso. Escute canções sobre o tema, além de curiosidades sobre pássaros, corujas, borboletas, mosquitos,…

Abaixo a tracklist:

ANDREW BIRD – Cock O´The Walk
O LENDÁRIO CHUCROBILLYMAN – Chicken Flow
HOWLIN´WOLF – The Red Rooster
THE DOORS – The Mosquito
NICK DRAKE – Fly
THE CRAMPS – Human Fly
NADA SURF – Fruit Fly
HOAGY CARMICHAEL – Casanova Cricket
MARCOS VALLE – Crickets Sing For Anamaria
DEAD KENNEDYS – I Am The Owl
COCOON – Owls
DEVENDRA BANHART – Lazy Butterfly
SÁ, RODRIX & GUARABIRA – Juriti Butterfly
CAETANO VELOSO – Asa, Asa
BRIAN WILSON AND VAN DYKE PARKS – Wings Of A Dove
JIM HENDRIX – Night Bird Flying
DOCES CARIOCAS – Blackbird e Asa Branca
HIS NAME IS ALIVE – Save The Birds
FATS DOMINO – Birds and Bees
CURUMIN – Passarinho
CHICO BUARQUE – Passaredo
BLOSSOM DEARIE – Little Jazz Bird
WOLFMOTHER – Where Eagles Have Been
CIDADÃO INSTIGADO – Os Urubus Só Pensam Em Te Comer
SIMON & GARFUNKEL – El Condor Pasa (If I Could)
FITO PAEZ – Mariposa Tecknicolor

Escutar Agora!  |   Download Gratuito

Dicas Musicais, podcasts

[podcast pace is the essence] #02: Hospitais, Doenças e Afins

Segue abaixo a tracklist do segundo programa e também os links para escuta-lo agora mesmo, ou baixa-lo pra ouvir depois.  Abraços.

Paul Simon – Run That Body Down
Jon Brion – Hospital
Pinback – Your Sickness
Eels – Hospital Food
Leon Redbone – Lovesick Blues
Snooks Eaglin – Saint James Infirmary
The Rolling Stones – Dear Doctor
The Beatles – Doctor Robert
Scott Matthew – Surgery
The Smiths – Girlfriend in a Coma
Sons and Daughters – Medicine
The Czars – Side Effects
David Julyan – Time For My Shot
Bob Dylan – Shot of Love
Aretha Franklin – Save Me
Beach Boys – Anna Lee The Healer
Leonard Cohen – Ain´t No Cure For Love
Phillip Glass – Choosing Life
Wilco – Radio Cure
Fugazi – Give Me The Cure
The Five Blind Boys of Mississippi – You Done What The Doctor Couldn´t Do

Escutar Agora!     |     Download Gratuito