contos

Eu Me Lembro Desse Amigo

sakamotoConheci-o na faculdade no meio de figuras raras, tipos estranhos com apelidos ordinários: Gripes, Satãs e Nicolas Cages.

Sakamoto era seu nome de batismo e naquela época, poucas palavras saíam da sua boca, apenas risadas frenéticas que serviam para demonstrar um pouco de sua simpatia, típica dos descendentes da Terra do Sol. Desses anos universitários, lembro flashes de pura diversão: lembro a gente rolando na areia, gargalhando sem parar, as viagens improvisadas pra praia, os fumos e aquele banho de cueca na Lagoa da Conceição.

Lembro os chás de cueca em aniversários e também me lembro daquela insólita excursão para São Thomé das Letras em que o amor bateu na porta do coração de Sakamoto. Foi lá que esse japonês recatado se atracou de vez com a mulher que seria sua esposa, anos mais tarde.

Porém, ainda me lembro deste mesmo japonês pulando a janela e o telhado de um antigo bar, em estilo ninja, como meio de escapar da multa por ter perdido a comanda. Lembro as manhãs nos pastos, as tardes de brigadeiro e as noites esquecidas – inclusive foi numa dessas noites que Sakamoto não lembrou onde havia estacionado seu carro e teve que ir embora a pé para encontrar o carro somente no dia seguinte.

Lembro os infinitos “repes”, os tubões e as cervejas baratas do Pão de Açúcar. E mais do que tudo isso, quando penso em você, Sakamoto, agora um homem casado e um empresário, só posso me lembrar de uma palavra que talvez descreva sua relação com todos ao seu redor: parceria.

Parabéns pelo casamento (a festa estava ótima) e por esse ser que habita sua pessoa. Nunca me esquecerei de ti, my friend!

idéias, pseudojornalismo

Como Morrer Jovem

Uma longa pesquisa que durou cerca de 70 anos, comprovou que o pessimismo é um fator de risco para mortes prematuras, especialmente entre homens. Comparados com indivíduos mais otimistas, os pessimistas tem maior probabilidade de morrer em acidentes, violência (e suicídio, obviamente).

Cientistas da Universidade de Copenhagen descobriram que pessoas que tomam suplementos que contém vitaminas A e E e Beta Caroteno possuem um risco de morte de até 5% a mais que aqueles que não tomam nada.

Estrelas do pop e do rock têm o dobro de chance de morrerem prematuramente. A descoberta veio após uma análise com mais de 1050 músicos norteamericanos e europeus que alcançaram a fama entre 1956 e 1999. Todos os músicos estavam na lista dos top 1000 discos de todos os tempos. Desses, 100 estrelas morreram entre 1956 e 2005. A idade média da morte desses artistas foi 42 para os americanos e 35 para os europeus.

Pessoas com sobrepeso, mas com uma boa saúde, podem aumentar o risco de morte apenas perdendo peso intencionalmente, de acordo com uma provocativa pesquisa finlandesa conduzida por gêmeos. A pesquisa demonstrou que 86% daqueles que perderam peso estavam mais propensos a morrer nos próximos 18 anos, comparados com aqueles que mantiveram o (sobre)peso.

Apesar de um alto índice de colesterol ser prejudicial a saúde, estranhamente um baixo índice é ainda pior. Uma importante pesquisa na Austria comprovou que um baixo índice de colesterol possue associações significativas com mortes provocadas por câncer, doenças do fígado e mentais.

Pessoas que não se casam têm mais chances de morrer cedo. Uma grande pesquisa mostrou que pessoas que nunca haviam se casado, comparadas aos casados, tem cinco vezes mais chance de morrerem de uma doença infeciosa, o dobro de chance de morrerem em acidentes, homicídios, suicídios, e quase 40% chances a mais de morrerem de um ataque do coração.

É oficial – acordar antes das 5 da matina é muito prejudical a sua saúde. Um estudo conduzido no Japão revelou que pessoas que acordam muito cedo têm um risco maior de desenvolver condições médicas que possam levar a um ataque cardíaco ou derrame. Pessoas que habitualmente levantam antes das 5 da manhã tem 1.7 chances a mais de ter pressão alta e o dobro de chances de desenvolverem entupimento das artérias, quando comparadas aquelas que acordam 2 ou 3 horas depois.

Fonte: http://www.bloodpressurehigh.com/2007/09/seven-weird-ways-to-die-young.html

contos

Papéis, Casais e… Jazz!

Era quinta-feira e naquela noite especial ele iria sair. Hoje é dia de festejar sozinho, pensa ele. Os dias chuvosos haviam ficado pra trás, assim como seus problemas no escritório. Amanhã eles retornam, pensa ele. Mas até lá é hora de alimentar a alma ao som de um bom e velho jazz. Seu corpo também pede arrego – nada que poucos litros de cerveja gelada não possam resolver. E assim Antônio parte solitário rumo ao bar que te faria um pouco mais feliz e menos medíocre – não que essa palavra pudesse ser freqüentemente agregada a sua pessoa, mas digamos que nesse últimos dias, era assim que ele havia se sentindo. Pobre Antônio, pensava sua secretária. A pilha de papéis encima da mesa sugeriam uma possível raiz do problema, não que sentimentos ruins estejam necessariamente relacionados ao trabalho. Mas era noite, na rua os mendigos insistiam em beber em serviço, reduzindo a credibilidade dos clientes que ali passavam, e se tinha uma coisa que Antônio faria questão de esquecer nessas horas, eram seus malditos papéis. Os casais apaixonados nas mesas dos bares eram como flashes, rápidos instantes que o faziam lembrar da sua condição. Algo que seu corpo já havia se acostumado, mas sua mente insistia em lembrá-lo numa simples caminhada pelas ruas da cidade. Mas seu objetivo na noite (se é que ele realmente tivesse algum) de nada tinha que ver com sua solidão ou qualquer forma de falsa redenção que pudesse vir acompanhada de beijos escandalosamente molhados, dados gratuitamente por qualquer mulher da noite.

E assim, Antônio entrou no bar. A luz baixa favorecia o clima intimista que por sua vez, era extremamente favorável a timidez do rapaz. Ainda era cedo, e as poucas mesas na frente do palco improvisado estavam repletas de placas com nomes desconhecidos, as mesmas pessoas prevenidas que preferem garantir bons lugares em quaisquer eventos sociais que pretendam participar. Havia uma mesa, porém, onde dois homens de chapéu bebiam seus conhaques com elegância. Antônio, que também usava um chapéu, presente de seu falecido avô, pensou em se juntar a dupla ou ao pequeno clube que ao invés de carteirinhas, utilizavam chapéus como meio de se identificar. Mas não, preferiu permanecer em pé, em um segundo plano, mais escuro e desconfortável que o primeiro. As sombras sempre foram seu forte.

Ao ouvir as primeiras notas sacadas de um saxofone opaco, quase enferrujado, Antônio se sentiu melhor, mais relaxado, como se ele tivesse se encontrado naquele instante e nada a partir dali, iria importar mais, somente as melodias e a série de sentimentos e sensações que seriam despertadas ao ouvir aquelas canções.  Era tudo sobre o poder do jazz e todos seus desdobramentos, pensava ele. Era como se em seu interior tudo que ele queria era ser entorpecido por aqueles músicos, alterando sua consciência para algo puro e genuíno, distante dos papéis da sua mesa ou dois casais supostamente apaixonados que cruzavam seu caminho. Talvez aquele fosse seu objetivo.

contos

O Casamento

Aquele era um dos finais de semana mais frios do ano, mas naquele domingo especial a chuva havia dado uma trégua, amenizando o frio constante. A moça da organização já havia transferido a cerimônia para um salão devidamente fechado, mas por insistência da noiva o local fora novamente definido para um jardim em pleno ar livre – o que fez toda a diferença.  Pouco antes do meio dia, os pouco mais de 100 convidados se retorcem das cadeiras, já que o rock cinquentista incidental havia sido trocado pela doce balada beatle “Here, There, and Everywhere”. Foi nesse momento que o noivo e sua mãe desfilaram até uma espécie de altar improvisado, sem qualquer menção religiosa. Ao meu lado estava a irmã da noiva, esboçando as primeiras lágrimas, presentes em praticamente todo o casamento. Em seguida, de vestido aliciano branco, sapatos vermelhos e buquê de rosas vermelhas, caminhava solenemente ela, a Noiva. No ar, ouvia-se outra balada doce, dessa vez a tocante “Love of My Life” da dupla cinquentista “The Everly Brothers”.

Para validar o matrimônio, não havia um padre, ou um pastor, apenas um juiz. Sim, um homem civil, ou um juiz pastoral, como ele mesmo preferia se denominar, numa forma simples de agradar avós e avôs presentes, ou outros religiosos convidados. No seu sincero discurso, palavras e mensagens que citavam grandes líderes mundiais, Martin Luther King com a potencialidade de um “Eu tenho um Sonho”, Winston Churchill com seu emblemático “Nunca desista”, e por fim, Jesus Cristo com sua mensagem de amor amplamente divulgada. Mas o senhor com o microfone na mão ainda aproveitou o espaço para contar detalhes de como os noivos se conheceram, aumentando aos poucos a emoção coletiva e inevitável. Fazia frio e as pernas da noiva tremiam em um sinal ambíguo de frio e nervosismo, uma ansiedade que eu nem tentarei descrever aqui, já que há certos tipos de emoção inerentes a mulher e mais especificamente ainda, a Noiva – coisas que nós homens, nunca entenderemos.

É chegada a hora das trocas de aliança, mas espere aí, onde estão elas? Aflito, o noivo gesticula para trás, como se estivesse chamando um cachorrinho, mas não era exatamente isso que estava lá atrás. De vestido elegante e bordado fino, uma garotinha de poucos anos de idade esbanja carisma e um bocado de vergonha, afinal, todos os 100 convidados estão olhando pra ela. Com as bochechas vermelhas como os sapatos da Noiva, o noivo vai até ela e consegue finalmente pegar as alianças. Ao fundo, “Real Love” de John Lennon, acompanhada em seguida por “I Want You” de Tom Waits. Do meu lado, a irmã da noiva não consegue conter o choro. No final, o casal, agora oficialmente e publicamente casado, sai pelo mesmo corredor, dessa vez, ao som alegre e festivo de “I Want You”, de Dylan. Poderia ter inventado essa história toda, mas acredite, ela aconteceu.

pseudojornalismo

Homossexualismo: ainda discutimos isso?

Semana passada a Argentina se tornou o 10º país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Pera aí, o décimo país? Como assim, e os outros 181? E o Brasil? Ah, ok, eles estão parados no tempo, congelados em uma cápsula que não os permitem aprovar uma lei tão ridícula como essa, em pleno século 21. A lei ajuda casais gays obterem financiamentos bancários, coberturas médicas ao cônjuge, licenças para lua de mel, entre outras coisas básicas. Religiosos de plantão, essa lei não tem nada haver com vocês. O matrimônio, a cerimônia religiosa, o padre ou o pastor abençoando os noivos, aquele órgão tocando a tradicional marcha nupcial, as crianças vestidas como adultos, os padrinhos bêbados dançando whisky a go go com chapéus florescentes no meio do salão na festa depois, esse ritual todo continua sendo apenas para casais heterossexuais.  Deixem seus cartazes homofóbicos em casa, guardem seus gritos para protestos realmente relevantes, para caçarem assassinos cruéis ou políticos corruptos.

Ainda no âmbito religioso, a única coisa que tenho a dizer aos homossexuais, é que, caso vocês pretendam seguir esse estilo de vida (pois é, ainda tem gente que acredita que gays são como boêmios ou artistas, eles simplesmente escolhem viver assim), por favor fiquem longe da Bíblia. Lá está escrito: “Não te deitarás com um homem como se fosse uma mulher. Isto é abominação… Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável. Devem ser mortos. Seu sangue cairá sobre eles” (Lev. 18:22, 20:13). Aparentemente, as lésbicas podem ficar tranqüilas. Mas esperem, lá também está escrito isso aqui: “Mas sabemos que a lei é boa e aquele que a utiliza de modo legítimo, mas sabeis disto: que a lei não foi feita para o que é íntegro, mas para os transgressores e rebeldes, para os irreverentes e pecadores, para os ímpios e profanos, para os assassinos de pais e mães, homicidas, para os fornicadores, para os sodomitas , raptores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para tudo quanto seja contrário à sã doutrina” (1 Tim 1:8-10). Assim, o livro sagrado coloca vocês, homossexuais homens e mulheres, juntamente com a escória da humanidade, os seqüestradores, os homicidas e até com meros mentirosos.

Voltando a questão sobre a homossexualidade ser uma opção de vida, repetirei aqui o mesmo argumento válido em relação a isso. Quem em sã consciência iria escolher ser gay nesse mundo predominantemente heterossexual repressor e preconceituoso que vivemos? Os masoquistas talvez. Outro argumento contra os homossexuais é dizer que o comportamento deles é contra a natureza. Pois bem, o que hoje em dia é considerado natural? Teoricamente, deveríamos estar andando nus por ruas de terra e morrendo de doenças casuais, já que a indústria farmacêutica até onde eu sei, é basicamente feita de manipulações sob a natureza, gerando produtos artificiais. Por que a sexualidade tem que ser diferente? Somos seres humanos criativos, e usamos essa criatividade para inventar outras formas de fazer sexo, até partes do corpo que não deveriam ter essa função, passam a ganhar outras finalidades.

Por fim, reproduzirei uma fala de um querido amigo gay (informação desnecessária) meu, sobre a importância que a sociedade dá para as pessoas “saírem do armário”. “Porque os gays têm que assumir?”, diz ele. “Você não vê ninguém aí assumindo ser hetero”. Exato, por que as pessoas precisam saber o que as outras fazem entre quatro paredes ou no meio do mato, como diria Jards Macalé? É essa curiosidade patológica que faz com que tablóides lucrem milhões e gays sejam discriminados mundo a fora. Quando a sociedade vai perceber que estamos todos no mesmo barco? Um barco, aliás que, cada vez mais, merece afundar logo. E chega dessa discussão sem sentido.