Dicas Musicais, podcasts

[podcast pace is the essence] #02: Hospitais, Doenças e Afins

Segue abaixo a tracklist do segundo programa e também os links para escuta-lo agora mesmo, ou baixa-lo pra ouvir depois.  Abraços.

Paul Simon – Run That Body Down
Jon Brion – Hospital
Pinback – Your Sickness
Eels – Hospital Food
Leon Redbone – Lovesick Blues
Snooks Eaglin – Saint James Infirmary
The Rolling Stones – Dear Doctor
The Beatles – Doctor Robert
Scott Matthew – Surgery
The Smiths – Girlfriend in a Coma
Sons and Daughters – Medicine
The Czars – Side Effects
David Julyan – Time For My Shot
Bob Dylan – Shot of Love
Aretha Franklin – Save Me
Beach Boys – Anna Lee The Healer
Leonard Cohen – Ain´t No Cure For Love
Phillip Glass – Choosing Life
Wilco – Radio Cure
Fugazi – Give Me The Cure
The Five Blind Boys of Mississippi – You Done What The Doctor Couldn´t Do

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Dicas Musicais, fotografias

Velhinhos Batutas do Rock, do Folk, e da MPB

Os anos se passaram, mas eles continuam por aí. Alguns deles estão mais ativos do que nunca, mostrando que é possível envelhecer com alegria e saúde. Drauzio Varella que o diga.

Loucos, rebeldes e/ou drogados e prostituídos, suas juventudes foram marcadas por atos de protesto, irreverência e diversas obras-primas musicais.

Se hoje eles lembram aquele seu vovô maluco, ontem eles foram jovens contestadores e muitas vezes incompreendidos (e em outros casos, apenas loucos mesmo). Abaixo estão alguns exemplos:

Chuck Berry


Bob Dylan, link post

Tom Waits, link post

Brian Wilson

Leonard Cohen, link post


Neil Young

Arnaldo Baptista

Chico Buarque


Milton Nascimento


Caetano Veloso

Gilberto Gil

Tom Zé, link post

Foto (dir.): Tiago Valério

pseudojornalismo

O Último Suspiro dos Malucos Norte-americanos

Olhando atentamente não é difícil perceber o eco dos poetas, músicos e artistas diversos que um dia transitaram por aquelas calçadas. Ponto de encontro dos beatniks e de jovens músicos responsáveis pela súbita escalada do psicodelismo nos distantes anos 60, “Venice Beach” é parada obrigatória aos interessados em arte, contracultura e principalmente, muita loucura.

É lá que andarilhos tipicamente americanos (imagine o que quiser), street performers, hippies sessentões, vendedores ambulantes, videntes, skatistas, gângsters vendedores de discos de rap, músicos de rua e toda uma rica espécie de malucões, bêbados e desocupados se encontram. A atmosfera “paz e amor” predomina e há momentos que parecermos ser figurantes de um filme sobre algum jovem poeta tentando ganhar a vida com sua banda de rock, em pleno anos 60.

Logo a sua frente, uma menina repete palavras arrastadas sobre uma tal maconha medicinal e um suposto médico disposto a “te ajudar”. Na frente do restaurante recheado de turistas, um senhor oferece massagens e tubos de oxigênio como cura para as mais variadas dores e ressacas que se têm notícia.  O mendigo pede trocados e sua placa sincera anuncia que todo o financiamento espontâneo será para alimentar sua embriaguez.

Ainda na calçada, velhos músicos tocam Hallelujah do guru Cohen. A versão tocada em um violão sujo e velho, um piano recém tirado de um ferro-velho e um projeto de bateria emociona os poucos que decidiram parar e sentir um pouco daquela poderosa melodia.  No final, a senhora compra o disco da desconhecida banda e ainda pede um autógrafo ao vocalista com poucos dentes na boca, mas de sorriso simpático.

Na praia, ciclistas trafegam pacificamente e surfistas surfam. Sem grandes novidades ali. “Venice Beach” é o exemplo de um sonho psicodélico americano de verão, distante do consumismo desenfreado e autodestrutivo das megalópoles. Quase um último suspiro, mostrando que é possível ser feliz sendo você mesmo, sem a necessidade de se enquadrar em algum estereótipo pré-estabelecido e ultrapassado. Felizmente essa receita parece continuar sendo passada para as novas gerações que agora habitam esse lugar.

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Mixtape #11 – “Lonely Ballads”

1. Simple Twist of Fate – Bob Dylan

2. Had Me a Girl – Tom Waits

3. Nobody loves you when you’re down and out – John Lennon

4. A Call To Apathy – The Shins

5. I’ll Be Your Friend – Bright Eyes and Nena Dinova

6. Wipe Those Prints And Run – Beulah

7. Bird on a Wire – Leonard Cohen

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*Sugestões de músicas e temas são sempre bem vindos!

Dicas Musicais

Leonard Cohen é o Homem

Ele já tinha seus trinta e poucos anos e era reconhecido no mundo da poesia. Um mundo pequeno é verdade e que hoje é quase nulo.  O ano era 1967, o ano da psicodelia, das cores berrantes, das drogas lisérgicas, das orgias e da esperança. Mas não era exatamente dessas coisas que o homem queria falar. Seu universo era mais obscuro, suas dores eram mais profundas e as cicatrizes estavam na sua alma. O homem se chamava Leonard Cohen e seus temas eram o amor (desta vez sob uma ótica adulta), a espiritualidade, a solidão, a melancolia e o sexo (sem os exageros da época).  Se tornar um cantor folk não era exatamente o plano mais inteligente para ganhar a vida naqueles dias, como ele próprio comentou décadas depois. Era uma espécie de auto-sabotagem, mas que por algum motivo acabou dando certo.

Os títulos dos primeiros discos já demonstravam um pouco da introspecção sugerida (“Songs from a Room” e “Songs of Love and Hate”, são alguns).  As mulheres e os romances rompidos também foram temas recorrentes e é sobre isso que uma repórter o questiona: “Você sempre fala de mulheres, no entanto sempre te vejo sozinho”, ele então cita uma antiga professora que dizia “Quanto mais velho a gente fica, mais sozinhos nos sentimos e maior o amor necessário para nos tirar dessa solidão”.  Depois de ganhar um público cativo sendo mais um judeu intelectual esquerdista cantor de folk, ele modifica a sua imagem e se transforma no homem das mulheres, conquistando corações com suas poesias musicadas e com uma incrível aptidão para expressar suas dores e fraquezas (ironicamente, em 1977 ele lança “Death of a Ladies’ Man”). Após essa fase e pelo menos mais um grande disco (“I´m Your Man”), Cohen retorna de uma longa turnê aonde ele chegava a beber duas garrafas de vinho em uma noite (palavras dele), com uma saúde deteriorada e sentindo internamente vazio. Era necessário outra grande mudança. Em 1993 ele larga a carreira musical para virar um monge budista e assistente de Kyozan Joshu Sasaki Roshi. Depois de cinco anos recluso, Leonard Cohen volta a gravar e está pronto para aquilo que chamou de “terceiro ato”, com sete décadas nas suas costas. Há ainda o problema financeiro, o velhindo perde tudo que tinha devido a uma má gestão empresarial, e de uma hora pra outra, precisa recomeçar.  Mas isso não é motivo para desestabilizar o grande homem, seus valores são outros e quando questionado a respeito ele explica: “Eu deveria estar preocupado, mas não estou. Meu filho me ligou e disse que independente da minha decisão, eu não deveria fazer nada por eles. Nós vamos ficar bem e você sempre deu tudo que a gente precisou. Quantos pais têm a oportunidade de escutar isso de um filho?”

Sobre o futuro ele profetizou (em 1988): “I’ve seen the future, brother: It is murder.” Sobre a esperança mesmo em um mundo corrompido e doente ele nos lembra: “There is a crack in everything/ That’s how the light gets in.” Sobre o amor ele pontua: “There’s nothing pure enough to be a cure for Love”.  Sobre a liberdade ele canta: “Like a bird on the wire, like a drunk in a midnight choir/I have tried in my way to be free.” Sobre uma paixão ele recorda: “I used to think I was some kind of Gypsy boy before I let you take me home.” Sobre ser um homem das mulheres ele confessa: “If you want a lover/I’ll do anything you ask me to/ And if you want another kind of love/I’ll wear a mask for you”.  Sobre a idade avançada ele observa: “Well my friends are gone and my hair is grey/I ache in the places where I used to play”.  E na mesma canção, sobre a posteridade ele finaliza: “But you’ll be hearing from me baby, long after I’m gone/I’ll be speaking to you sweetly/From a window in the Tower of Song”.

[ Clique aqui para escutar ou baixar algumas de suas canções ]