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[pace is the essence] Podcast #08: Maconha (Parte 1)

CAPA maconha_640PODCAST PACE IS THE ESSENCE: Uma viagem no tempo e no universo musical. Informação e música de primeira em um clique.

Tema do mês: Maconha. Curiosidades, surpresas e músicas de várias épocas e gêneros. Para a primeira parte do programa, segue a tracklist:

BOB DYLAN – The Man In Me
PINK FLOYD – Speak To Me
OF MONTREAL – Whaith Pinned To The Mist and Other Games
JÚPITER MAÇA – A Marchinha Psicótica de Dr. Doup
CAB CALLOWAY AND HIS ORCHESTRA – Reefer Man
FATS WELLER – Reefer Man
BOB DYLAN – Rainy Day Women No. 12 & 35
RODRIGUEZ – Sugar Man
BOB MARLEY – Riding High
BLACK SABBATH – Sweet Leaf
THE DOORS – I´m Horny I´m Stoned
ERASMO CARLOS – Maria Joana
CURTIS MAYFIELD – Pusherman
NEIL YOUNG – Roll Another Number
PETER TOSH – Legalize It
JOHN HOLT – Police In Helicopter

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Dicas Musicais, pseudojornalismo

Rodriguez está vivo, mas você sabe quem ele é?

rodriguezRodriguez, Rodriguez,… Rodriguez? Ah, aquele cantor folk estadunidense mais moderninho?
Não, estúpido! E por que sempre esse estadunidense aí? São e sempre serão americanos, mesmo que a sua cabecinha não aceite. E aquele cantor folk mais novo de que você fala é o Gonzalez! Rodriguez? Credo, eu lá vou saber? Pensando bem, nem esse Gonzalez aí existe, não sei de onde você tirou essa.

Esse seria o meu diálogo interno há dois ou três dias, até que por uma indicação de meses atrás de um amigo distante, mas constante, e que por obra do acaso ou do destino (se você gostar do bonito), me falou desse filme sobre esse tal de Rodriguez.

Sua história é de fato tão incrível que após o término da película (pra ficar nas palavras bonitas) eu achei que havia sido enganado, meio como o Woody Allen fez tão bem naquele “Poucas e Boas” sobre o segundo melhor guitarrista da história. Mas se naquele caso o filme não passava de um falso documentário, bem feito, mas falso, nesse, a história, por mais impressionante que pudesse parecer, era tão real como boa parte desses protestos espalhados por esse país, cansado de ser enganado.

Elogios à parte, Rodriguez foi um cantor folk americano que lançou dois discos no início dos anos 70. Sem sucesso, a gravadora o demitiu e durante quase trinta anos Rodriguez não quis saber mais da cena musical, indo trabalhar em indústrias de demolição, fazendo trabalho braçal e tudo mais que ninguém com uma suposta sensibilidade artística escolheria fazer.

E durante esses quase trinta anos, Rodriguez viveu na velha casa de sempre, ganhando salários mínimos e vivendo na famosa linha da pobreza, como tantos outros americanos que nós, brasileiros e americanos do sul, insistimos em ignorar, em discursos mofados sobre pobres só existirem em países de terceiro mundo.

No filme, ou documentário sobre a lendária história de Rodriguez, temos um personagem humilde e nesse caso, também pobre, de óculos escuros em tempo integral e com uma aparência indígena, distante dos judeus desafinados de classe média que invadiram e surpreenderam seus contemporâneos, numa “Greenwich Village” no início, meio e final dos tumultuados e criativos anos 60.

O que Rodriguez não sabia era que enquanto ele comia suas marmitas e seus braços ficavam mais duros em alguma fria indústria de Detroit, seus dois únicos discos ganhavam espaço nas rádios sul-africanas, transformando o que deveria ser apenas mais um culto a um artista americano underground, em um sucesso maluco, da magnitude de um Elvis, ainda que limitado pelas linhas geográficas de uma África do Sul, pré-copa do mundo.

As canções de Rodriguez fizeram tanto sucesso por aquelas bandas que até boatos sobre ele (que os sul-africanos só haviam visto na capa de seu disco de estreia) foram aparecendo aos montes: uns diziam que ele havia ateado fogo sobre o próprio corpo durante um de seus shows, outros afirmavam que ele tinha sim cometido suicídio, mas que havia sido com uma bala na cabeça.

O fato é que Rodriguez sempre esteve lá, vivo até os ossos, do outro lado do oceano, trabalhando para comer e sustentar suas duas filhas.

Eis que, por uma dessas filhas, chega a notícia sobre seu sucesso estrondoso no país de Mandela, e Rodriguez, pasmo, custa a acreditar. Convencido a ver com seus próprios olhos sempre escondidos com lentes escuras, Rodriguez sai de seu país natal como um completo desconhecido e chega ao território sul-africano como um rei de algum conto de fadas, limusine na pista de pouso, suítes presidenciais e caviar no camarim. E ainda, citando o gigante Mandela, suas canções tinham até sido alçadas a hinos antiapartheid!

Anos depois, um rapaz sueco o visita diversas vezes em Detroit, onde apesar de toda essa badalação na sua primeira turnê, estádios lotados e mais discos vendidos, Rodriguez continua vivendo em sua velha casa e esquentando sua comida num fogão à lenha improvisado. O sueco convence Rodriguez a autorizar a produção de um documentário, emendando o lançamento do mesmo com uma turnê mundial.

O filme, do qual venho tentando falar aos trancos, chama-se “Seaching For Sugar Man”, ganhou diversos prêmios por aí e tem sido a porta de entrada para esse magnífico cantor e homem chamado Rodriguez, um misto de Dylan, Cat Stevens e Donovan, com letras melancólicas, satíricas, proféticas, políticas, espirituais e todas essas características pertencentes aos grandes compositores populares, sejam eles americanos, brasileiros, suecos ou sul-africanos.

E mesmo após a fama tardia, os discos de ouro e platina, as centenas de entrevistas e aparições em programas televisivos, Rodriguez parece seguir seus princípios e valores, sua fala continua mansa e humilde, sua velha casa simples continua seu lar, o dinheiro extra ele preferiu deixar para a família e os amigos, e claro, os óculos escuros continuam cobrindo seus olhos.

E assim, mais uma história mais sensacional que qualquer ficção é desvendada. Acho até que suas letras, além da associação antiapatheid, também dialogam com essa onda de protestos que segue no país da Copa e das pizzas dos 500 sabores.

Para mais detalhes, assista ao filme, compre ou baixe seus discos e se quiser, comece ouvindo essas duas canções:

https://www.youtube.com/watch?v=qyE9vFGKogs

https://www.youtube.com/watch?v=-qFP-dsl2Z0

Textos Relacionados (naquele lance, gostei desse, talvez goste desses também):

Os Demônios de Daniel Johnston

Descobrindo um Bêbado Talentoso

Tiago Valério e sua Cidade da Ilusão

clipes

Natal Com Dylan

Há três anos atrás, Bob Dylan impressionou novamente o mundo ao lançar uma coletânea natalina. E como parte desse lançamento, rolou esse vídeo em que o velho Dylan confraterniza com velho papai noel em uma festa pra lá de curiosa:

 

Além desse, também foi lançado esse outro para a clássica canção “Little Drummer Boy” – uma incrível animação para emocionar corações com o verdadeiro espírito natalino:

arte

Série “Retratos” à Venda

Não costumo divulgar meu trabalhos pessoais nesse blog, mas me empolguei com o lançamento da minha loja virtual, pra vender os quadros digitais que venho criando, desde 2009, e achei que deveria divulga-la aqui também.  Abraços.

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[podcast pace is the essence] #03: Animais (Parte 1 – Todos Eles)

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E agora é a vez do terceiro programa da minha rádio particular e 100% independente. Pretendo criar uma série de 5 programas, todos sobre animais.

O primeiro da série diz respeito a todos eles, ou seja, o reino animal como um todo. Segue a tracklist:

Bob Dylan – Man Gave Names To All The Animals
Iron & Wine – Kingdom Of The Animals
Grandaddy – The Animal World
Beach Boys – Heroes and Villains: Part 3 (Animals)
Lou Reed – Animal Language
Talking Heads – Animals
Tom Waits – Fish & Bird
Ma Rainey – Black Cat, Hoot Owl Blues
Lead Belly – Old Man, Will Your Dog Catch A Rabbit
Stephen Malkmus & The Jicks – Animal Midnight
The Flaming Lips – I Can Be A Frog
Lula Cortes & Zé Ramalho – Pedra Templo Animal
Walter Franco – Partir do Alto – Animal Sentimental
Carlos Careqa – Tudo Que Respira Quer Comer
Louis Armstrong – Let´s Do It (Let´s Fall In Love)

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