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Crônicas de Nácar #10: PAIxões, MIstérios, Mimimis, INterrogações e mais E´s

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Sábios ciclones assustam os vergonhosos clones liderados por robôs sem ossos, capazes de adulterar direções políticas no abastado Estado em estado de degradação espiritual. Um Estado que seria bastardo, caso seus pais não fossem revelados em qualquer bar do lado do centro do peito. Haja bebidas, hormônios injetáveis e drogas pesadas para sustentar esses seres opacos, ralos em sentido. Haja música enlatada e martelada nos mercadinhos dos arianos distantes dos Suassunas. Mentindo pra si próprios, quebrando seus pescoços de tanto olhar para seus umbigos, ou pior, para seus espelhinhos pretos capazes de replicar sacanagens e lorotas na velocidade de outro trem bala construído com dinheiro público, superfaturado e escondido por debaixo de seus pelos púbicos. Mas é mais bala que vocês querem, BBB? Bala, boi e bíblia? Boa, bonita e barata? Recatada na sala e safada na cama? Maaaaaaaaama! I don’t want to die! Lamentos do morro sem forro ou fórum privilegiado? Ahhhh! Pare de chiar!

É só isso que ouço falarem por aí: nos supermercados campeões de promoções, nas casas de sucos comandadas por kamikazes, nos super carros transformers atropeladores de seres humanos, e claro, nas bancadas onde velhos babões de narizes brancos aprovam leis a toque de caixa dois ou três, cortam direitos e selam bocas dos educadores com dores seculares provocadas por sobrecargas materiais carentes de mandalas. Enquanto isso, professores gagás que viram seus colegas levando bala em plena praça pública e depois se esquecem desse passado recente e conseguem eleger os mesmos carrascos. But wait!

Na na Nina não, essas linhas não precisam ser tão cinzas assim. Deixemos as anatomias cinzentas para as séries procrastinadoras do viver, do saber e desse presente sem mente chamado ser. Deixemos de lado todo esse vermelho sangue dos jornais, dos rurais e das ocupações periféricas em situações irregulares? Deixemos essa mania dos plurais, de querer falar por um grupo inteiro? Generalizar é bacana? Capitanear é preciso? Arranque logo esse seu siso e dê um riso de uma vez por todas! Liberte esse bozo que existe em você! Seu bigode é falso, mas seu coração permanece ensanguentado. Precisamos soldar algumas ideias juntamente com Mettagozo, a caçula, a bolhuda, a corneteira e a sua parteira? Áudios berrados e compartilhados em salas vazias, bochechas infladas, argolas douradas, por entre fotos chilenas com chinesas texanas de dimensões basqueteiras e cachorras estriquinadas com pulgas e vacinas de câncer de rim inventadas e compartilhadas por gente enrugada inocente, enquanto os gases e as piscinas de Liverpool se enchem do vermelho natalino inventado pela marca multibilionária que ultrapassou o pé chato de Pelé em fama nesse globo onde o aquecimento ficará pra segundo plano?

Esquisitos resquícios de outro ano de infinitas polaridades, passados passados no ferro de passar a velha roupa colorida por esse tempo curador, o mais antigo mestre dos magos nadadores de grandes lagos, monges pansexuais rumo aos novos centros energéticos conectados as imensas cordilheiras de outra América em fase de Redescobrimento. 15 meras “eloquências dialéticas” profanadas pela princesa dos mares e das marés altas e baixinhas como essa pessoinha que começo a traduzir. Brancas palomas nesse céu azul de dezembro dessa nova lua inspiradora de sonhos intranquilos dos ottos e das motos assustadora de ritas. Minutos separam a longa saia preta das minutas que ela irá desfrutar no país dos mateiros.  

Baja la tierra no baixio das bestas e das prolíferas referências, das carências e carícias desse marinheiro só, aprendiz da capoeira angolana, de outra profana dança do baile horizontal e cada vez mais próximo do chão de estrelas, essências misturadas ao pó terrestre humilde e sereno como esse universo pleno que cresce e se contrai como o beijo do pai outrora ausente. Now she is gone, gone with the wind, pro vento hermano, pra longe do rio vermelho de iemanjá e do branco preto com o teto nos joãos brasileiros e ingleses. Ritos e reais mitos, dodecafônicos biotônicos dos já saudosos ivens pioneiros ergonômicos da cidade dos pinhais ou dos pinheiros conhecedores de canciones afro latinas. Somas de sentimentos e de e’s e de tantos ET’s preenchedores de silêncios, agregadores e’s que confundem o cerebelo nada belo do guarda belo que tenta, mas não compreende. Tarantelas autorais dos tatás com patas e barbas rancheiras reprodutoras de fãs ou cavalos baixistas com baterias inchadas e cucas rachadas. Amarantes bebendo amarantos, elefantes africanos comendo amarulas, argentos degustando Clarices, fluxos beatniks, titanics em imersões sem sanções. Rosas, zumbis dos Jorges e das crianças bebedoras de cajuínas: Joinas, Joanas, Julianas e seus alfajores preferidos. Habladurías propositais opostas as maledicências das línguas sicilianas tão ácidas como os limões dos sampaios. Escrever é como desenhar, hay que soltar! O barato é escutar as batidas das baratas de Max, do sax sem pudores passeando pelas cores claras de outra tarde ensolarada.

Seria tudo parte de outra Pasárgada feita por retalhos da bandeira multiversal de outro escritor amador flutuando nas semanas astrais que antecedem os cumpleaños de ciros, posses cheias de tosses ou encuentros familiares rompidos por correntes virtuais? Ora pro nobis, me ajude a lembrar de sempre orar para o tempo parar? Thanks Kinks por acrescentar que o tempo cicatrizará todo esse ódio mal resolvido. Elliott, sua história também foi marcada por question marks?  C ́est fini! Velho Allen, veja bem mais além, tudo ficará bem?

Yes! Yes! Yes! Na “rádia”, no bar ou no mar, eu sei que vou te amar!

 

*** disponível em áudio pelo site da Rádio Cultura de Curitiba ***

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Chilenos, Luzes, Viejos e notas Verdes verticais

pace_jodorowskiO tic-tac do relógio biológico dela gelou meu coração operado, especialmente quando senti aquela fria pulseira por debaixo das cobertas. Despertei com o bigode de Dali, ou um mix promocional Mussolini-Pasolini na seção italiana do mercado dos festivais e das atendentes sorridentes trabalhando a paciência de Jó. Escravas de Jó? Sorry baby, mas a solitude é minha mais antiga amiga. Seu relógio era de ouro falso, banhado pelas metas, barganhas e sistemas, típicas desse ocidente acidental incapaz de curar dentes ou problemas verdadeiros. Garotos mimados parados na era medieval ainda que seus novos brinquedos sejam espelhos pretos desconectados com a vida vivida pelo presente presenteado pela simplicidade do sentimento. Little boys brincando com armas e drogas. Crescem e continuam no mesmo joguinho ensinado por padres e abuelos ingleses, alemães ou hollywoodianos. Armas coloridinhas feitas do plástico poluidor de oceanos. Armas feitas em impressoras 3D outra grande invenção usada para fins bestiais. Drogas travestidas de chocolates industriais com o açúcar invertido inimigo do sangue puro diametralmente oposto àquele ariano de outrora. Guerras são tão irreais quanto esses papéis esverdeados que fazem os covardes do poder se sentirem superiores, enquanto suas hemorróidas ardem, seus narizes crescem, suas luvas desaparecem e seus umbigos sentem saudade do tempo em que os cordões ainda os conectavam com o amor puro materno. Um amor infinito, fraternal, esquecido e trocado por carreiras repetidas, carreiras corrompidas pela ilusão monetária que faz filhos e chicas competirem com seus descendentes. Hijos são como pajaritos, precisam voar, cantar, se arriscar e riscar pelo menos por um tempo, a vida em sociedade.  

Claudio Laranjo me lembra dos alemães famosinhos que se curaram indo pra Itália, provavelmente vilarejos centros desse movimento caracólico-slow, onde o desenvolvimento humano, intuitivo e sentimental ainda pulsa, ou como Arnaldo Itunes “o medo de ser” já não assusta tanto e independente da enxurrada de enfermidades alarmadas por aí: “o pulso ainda pulsa”. Na Alemanha, e por favor, inclua o Reino Desunido, os “States”, e todos os países dominados por esses falsos impérios, inclua todos esses Capitais nesse imenso bolo fecal mascarado como desenvolvimento mental: um desenvolvimento competidor, aparente e raivoso,  amplificado em épocas eleitoreiras, vomitado por mentes mentirosas sem rosas, gente robótica, gente invejosa, gente bundona,… “this is chicken town!”, berraria Dylan-Haynes em filmes rompedores de rótulos. Gente presa na história do papai e da mamãe, do vovô Ovo e da vovó Mafalda,  e que jamais se preocuparam em ir atrás de seus sonhos reais, suas profundas existências, sem o famigerado peso cultural, social ou familiar. Olhar para dentro requer coragem? Se comunicar pra fora exige bom senso, princípios básicos, sinceridade consigo mesmo?

A sinceridade do advogado músico que para tirar seu pijaminha, pede o instrumento de trabalho de outro músico: preso, condenado, “acorrentado pés e mãos” ao lado de um poeta negro sexagenário e tratado como bandido alborguetiano por quatro dias, apenas por tocar jazz instrumental às 21h da noite de um sábado em pleno centro histórico de uma capital cultural? A sinceridade da policial feminina de olhos trincados rompendo a cabeça de um homem recém chegado na cidade mais educada e politicamente correta desse canto de mundo? A sinceridade desse mesmo músico que quando oferecido um serviço voluntário prefere pagar uma multa injusta ao estado facho? A sinceridade do “Doutor” X “Hospital” X “Plano de Saúde”? Ganância de rico não acaba? Alegria de pobre dura pouco? Orgulho? Retorno ao passado materialmente pobre? Do Porto ao Porto? De Bar em Bar? Zé Riquinho e Milionário vão te salvar? Separação de classes? Manipulação midiática em pleno feriado dos mil militares? Vampiros do Pó der? Mettagozo, você será meu eterno bozo!

Faz sol lá fora, mas os zombies continuam enfurnados em suas batcavernas recebendo doses cavalares de informações teatrais e mais parciais que as pesquisas das bocas roxas de outra urna vermelha e azul. Um dia ela será violeta, parra, e para ser única e indivisível! 

Cientistas avançam os gigantescos e primeiros passos de Darwin e percebem que a evolução, ao menos em tese e muito antes desses vergonhos humanos existirem, sempre foi cooperativa. O microo e o macroo aos poucos soltam mais esse laçooo.  

“Não há nada mais espiritual que um baile horizontal”, canta o argento Kevin Cohen, outra dica tropicaliente que pode ir além das ralas interpretações. “Estou na terra de Macondo e aqui ninguém tem a razão”, pois é, onde o coração e a humildade afastam pseudo intelectuais de seus pré-julgamentos aburridos a vida ainda é bela, seja em partes da Itália de Benini, Colômbia de Garcia, Chile de Jodô e Naranjo, Alemanha de Jung, Áustria de Reich, Equador dos Lopez, Haiti, Bahia, São Thomé das letras, Superagui off-season, Sua Cidade Natal, ou até mesmo em Coooolritiba!

Nesses recantos, mitos e lendas são seres de carne desossada que sentem o verdadeiro significado das letras que formam essa bela palavra chamada… Empatia.

Antes de opinar, hay que sentir. Para sentir, hay que viver, experienciar, adentrar. João e o Japão dão outra little tip: I…solaaaaaaaaaaation!

“O seu irmão não é só aquele que te dizem que é seu irmão, mas aquele que está na sua frente nesse exato momento”, disse o motorista antes de outra viagem horizontal. “Gentileza gera gentileza”, disse o pichador mais famoso de Sampa.  “O amor cura, ser gentil é uma tarefa diária”, disse o quadro africano na parede. “Jesus don´t cry”, disse Will Cooperador. “Jesus says”, disse a cópia da cópia.

Gracias pelos consejos sem espejos, merci pelos números que guiam, e assim me despeço embarcando no expresso 2222 que parte de “bonsucesso pra depois”. Pra depois de mais essa novela clubística fool te bolística, e please, please me! Podem me chamar de o idiota da montanha, pois como Cohen me lembrou, o segredo da vida pode estar naquela flautinha!

 
Hello Lightness, I come to see you once again.

 

foto ilustrativa: An Evening with Alejandro Jodorowsky | MoMA

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O Sono Que Vicia

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Certa manhã acordei de sonhos intranquilos, assim como na canção do sósia da fase gorda e com barba estilo capacete, comentado pelo americano Dan séculos quânticos atrás. Acordei de sonhos intranquilos, e por intranquilos, quero dizer aflitos, reveladores, quem sabe até premonitórios ou curativos. Curitiba se tornou o berço dos puretas, da caretice institucionalizada, da chuva infinita, dos amigos hippies quarentões recém convertidos nas velhas balelas religiosas que fazem homens prodígios se transformarem em enferrujados cabos eleitorais de baleias ditatoriais, dos policiais turbinados com grana do Estado e a cocaína do Morro sobressalente em seus olhos cheios de sangue e ódio, e que fazem esses seres opacos baterem e prenderem músicos de rua. Novamente, não estou falando de garotos revoltados berrando discursos ultrapassados em microfones distorcidos, mas de homens na faixa dos trinta tocando o mais belo funk instrumental com a técnica e o improviso dos grandes. Falo de “Coolritiba” e seus covardes bandidos roubando espelhos pretos como doces de criança, ladrões bundões furtando flautas e trompetes para trocarem por pedras. Tempos obscuros como esses demandam mudanças bruscas, e talvez todas essas injustiças recentes tenham reordenado o fundo dos quintais da mente, fazendo com que eu agora fosse um escritor que acorda cedo, sempre com um sorriso no rosto amassado, sinal de que a noite havia produzido sonhos no mínimo curiosos. E se os tempos modernos na cidade dos fantasmas governada pelo vilão do Batman ou por outro bebê dourado e mimado, nesse antro fedido e cheio de almas fodidas, mães psicóticas que abandonam seus filhos para depois ameaçarem pais argentinos com valores reais, patéticos advogados e médicos em busca dos reais, dólares e euros para gastarem em suas aburridas viagens por terras manjadas, essas palavras vão para todos aqueles que por qualquer motivo cabível, precisam habitar esse vilarejo chinfrim vendido como um comercial de margarina transgênica, e que já se cansaram de todas as drogas no mercado, drogas mais que necessárias para suportar o peso existencial de uma vida aparentemente sem sentido e com tantas merdas por todos os lados, e não me refiro somente as costumeiras: a pinga do dia, os triátlons de Tim, a coca-cola de Che, ou essas balas hipsters e papéis com nomes infantis ou pseudo espirituais droga nessa cidade pode ser a garota gostosa do seu lado, a faculdade para agradar os papais, a academia, o veganismo e todos esses malditos ismos, a banda mais bonita, o chocolate gourmet com 80% de cacau, a barbearia ou a hamburgueria que você investiu seus milhares, as novas séries do Netflix, a linha do tempo do seu feice, o grupo imaturo do whats, a igreja da esquina ou o espelho que você encara todas as manhãs.

Redescobri um barato novo, cantado lindamente há mais de meio século pelos irmãos Everly, “all I have to do is dream, dream, dream, dream”, ou “darn that dream” da bela Billie,… Ah! Sonhar faz um bem da porra! Definitivamente a droga mais potente se encontra nas profundezas do pensamento ilógico, no buraco da razão e na antena cósmica que faz a gente lembrar que apesar dos pesares e desse mundo populado por titicas desprezíveis, estamos conectados com realidades ilimitadas, planos e dimensões paralelas capazes de gerar histórias com roteiros imprevisíveis, personagens eternos, locações intercontinentais e lições espirituais. No final da jornada sigo questionando paradigmas e conceitos básicos como a morte, a matéria e a realidade. Sonhar é navegar por um mar de possibilidades sem as barreiras mundanas e gigantescas aqui na capital do pinhão e da jacuzice. A burrice, a vaidade e a pobreza de espírito não encontram solo fértil nesse campo imaginário, nessa terra sem dono, full of colours, emoções, experiências e sacações.

Poderia citar escândalos freudianos, esquemas junguianos, diálogos em páli inspirados por retiros zen-budistas, orgasmos olímpicos como nos versos de Simon, onde todas as ex-namoradas, ficantes e amantes estariam juntas para uma última noite, afinal, no sonho tudo é possível e tangível como a xícara do chafé que tomo pela manhã, e que muda de cor pela temperatura do líquido. Há mágica no sonho, a mágica que te teletransporta por entre ambientes difusos, situações malucas e te deixa com os olhos arregalados, com aquele gostinho de quero mais.

Quero mais dessas viagens lisérgicas atemporais, quem sabe Hofmann não estava atrás disso também, afinal a transcendência ou qualquer possibilidade de salvação passa longe de livros mortos, líderes podres, drogas fáceis, falsos iluminados ou como diria o John que você costumava imitar, “Você me diz que encontrou Jesus Cristo, que bacana e ele é o único, você me diz que encontrou Buda e ele está sentado com sua bunda no sol, você me diz que encontrou Mohammed de joelhos num maldito tapete, mirando pro leste, você me diz que encontrou Krishna, com a cabeça careca dançando pelas ruas. Você precisa servir a você mesmo, ninguém fará isso por ti.” E se for para agradecer alguém, que seja a sua mãe, jamais se esqueça dela e de tudo que ela fez por ti. De resto deixe que os sonhos derretam suas ideologias desbotadas, seus discursos políticos e toda essa ladainha que você comprou na liquidação do bairro decadente onde você provavelmente nasceu.

O mistério incandescente do superconsciente parece distante, mas não o ignore, ele pode ser a ponte para a verdade além das palavras humanas, a ponte brilhante que fará a esperança iluminar seus olhos cansados.

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Crônicas de Nácar #08: Excrementos e Falsos Padres

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Sonhos intranquilos, sonhos coletivos e individuais. Sonho de religião, sonho da casa própria, sonho de comunhão, sonho que surge do nada e vai para a nata de outro sonho promocional recheado com o doce de leitevegano para os fundamentalistas e azedo para os fatalistas. Que nada, quero o bem deles, o sol é de todos e para brilhar basta não esquecer do protetor solar de Michael Douglas. Spray para os globais, óleo de coco para os naturalistas. Códigos e bizarros sinais, senhas implantadas, frases de sax, solos em fruit loops e la mala leche para los puretas, especialmente na cidade das frias primaveras e das verdades absolutas absortas em ideologias furadas. Ontem vi um cara defecar e depois manipular seus excrementos na parede esculpida por artistas consagrados de um passado distante. Enquanto encenava um quadro vivo de Sade, uma plateia o observava em plena praça púbica, os colegas riam e aplaudiam, enquanto outros seguiam na pergunta ocidental mais enferrujada e caduca desse meio. “O que é Arte?” Confesso que senti um leve contentamento quando o rapaz chupou seus dedos e assim demonstrou, ao menos para si próprio, esse lance de sermos uma coisa só e porquê tanto nojo de algo que sai de você? “Ah, mas eu estudo e pratico pra chegar onde estou, esse cara só precisou comer algo para poder cagar na frente daquelas cinquenta pessoas, pessoas que não tinham um programa melhor pra fazer.” É bro, mas por trás daquela cena havia um texto, memorizado e interpretado enquanto os olhos e os narizes se concentravam apenas nas fezes. Havia um contexto libertário e transgressor importante para tempos cinzentos e temerosos típicos das repúblicas sem histórias. Novamente me recordo da frase dita no megafone gralhento: “É preciso conhecer as estranhezas que acontecem por aí”. Hoje posso dizer que vi tudo isso pertinho de casa, bebendo um vinho com amigos. Percebendo e respeitando seus limites, como peixes em oceanos ou pássaros em altitudes pré-definidas. Deixe suas regras e suas leis pra depois, somos seres cósmicos e universais, mas deixe esse discurso nova era pós-tropicalista pra depois também, a mesma conexão espacial infinita está no chão que você pisa e nesse pó terrestre que nos criou. Seja humilde e respeitoso, de resto, viaje a vontade, viaje nos baratos filosóficos, canábicos ou cachaceiros de possibilidades mil, anos-luz de qualquer milícia com ou sem malícia, onde a censura mais profunda nasça desse autor de histórias sem fim e que deixou de ser ator de storylines repetidas com finais previsíveis para se tornar a água mutante de Bruce Lee.

A lua rosa do tio Drake aparece novamente, por entre xícaras da silva, folhas e pães caseiros, por entre lágrimas de frustrações, discursos vazios e sentimentos vulgares. O mago precisa ir pro lago para perceber que a realidade estava somente no lago. “It was forty years ago”, a luz estava lá e jamais deixe que a obscuridade familiar dos ciclos aparentemente diferentes atrapalhe sua cura interna. Tivemos paciência, porém uma hora a corda da inocência é rompida e os fiapos que ficam são lembranças de atitudes contaminantes, sujeiras no chão quadriculado de outro palco improvisado e que também fora aberto pra ti um dia.

Preciso dessa brecha e desses brechts inexplorados, preciso desse blues acústico do eterno garoto de 27 anos que morava em um castelo, preciso do tabaco bolado ressuscitador de ritmos esquecidos, preciso desses reluzentes olhos negros da mamma mia dos meus dias, olhos puros sem julgamentos prematuros, olhos jequieticongues e tibetanos, ojos del amor después del amor, olhos da maçã antes da mordida, observadores e hinduístas olhos de shiva que se aproximam do aniversário em inglês. Yes! It’s your birthday and we are gonna have a birthday party, afinal, o que vemos pode ser apenas a superfície de um oceano de conexões e incríveis mistérios compreendidos por seus baby eyes. Você é o que é e nunca ninguém precisa entender o porquê de você ser assim, me explicou Caldabranca, outro eterno jovem e que agora voa por praias celestes de países menos complicados. E que você também seja as free as a bird can be, ou como assobiaria outro Bird amigo, break it yourself. Nadie fará isso por ti.

I’m sorry, mas palavras não te salvarão. Sua história muito menos. Aceita-la pode ser o começo. Boas intenções ajudarão, pois os receptores estão cada vez mais atentos.

Luz, câmera… Ação!

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Crônicas de Nácar #05: Tiras, Números e as Velhas Camadas

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Choveu mais uma vez em Curitiba. Choveu a chuva que os curitibanos mais otimistas estavam anunciando há anos. Choveu, choveu, choveu canivetes como diria o amigo gralha, choveu palavras e gritos e fardas e lágrimas. Lágrimas de injustiça, lágrimas de tristeza por sentir que estamos mais perto do fim. E antes que eu soe demasiado fatalista, sigo sonhando com a compreensão mútua. Quero falar sobre esse fim que nunca acaba, apenas recomeça, se repete e depois termina como mais um texto prolixo com algumas conexões mais ou menos interessantes e outras tantas que ninguém vai entender. Entender o outro? Como entender o outro sem estar em uma insólita micro nave instalada em seus neurônios? Você nasceu assim, teve uma família que te criou, ou não, teve suas escolinhas, seu trabalho, seu país, seu signo e tantas outras camadas ilusórias desse umbigo e dessa palavra feia chamada ego. Por qualquer motivo você nasceu nessa época e por mais que você pense diferente, que sua alma é francesa dos anos 20 ou maia de 2000 anos atrás, você nasceu assim e jamais outra pessoa vai sentir ou ver as coisas do seu modo. Nem mesmo sua irmã gêmea criada na mesma caixinha. Supor, imaginar ou compreender contextualmente questões ou tretas alheias é outro papo.

Em Nácar, tudo azul para mais uma encontro lunático pós eclipse. Jordi Miami Vice me acompanhou ao mercado, na missão dos gelos e dos vinhos promocionais. Enchemos o carrinho e quando estávamos semi parados na fila do caixa invisível, um senhor com a braguilha aberta e com a expressão típica de urina eminente, nos pede licença. Prontamente engatamos a marcha ré, dando passe livre para o senhor acessar o banheiro que resolveria sua necessidade extrema. Retornamos lentamente para o outro lado da linha que separa os caixas da saída do mercado que não nos ama. Nesse instante, Jordi comenta “se a gente saísse direto sem pagar ninguém iria ver”. Pensei como sempre pensei em ocasiões semelhantes, auxiliado pelos capricórnios unicórnios em busca de mares navegáveis. “Não quero terminar a noite em uma delegacia˜, e em seguida cantarolei Temptation, da espera de Tom, enquanto o cabeludo Jordi concluía a dura tarefa de encontrar a menor fila do pedaço.

Passamos os gelos, os gluglus e os vinhos, que foram diretamente armazenados em uma caixa de papelão, com divisórias próprias para esse fim. Foi quando a garota no caixa parou e disse que precisávamos colocar etiquetas de “OK” em todas as garrafas, causando frustração para Jordi e eu, uma vez que a fila estava longa e as pessoas poderiam perder a paciência. Mais mente, mente, mind, suposições. Perguntamos se a nota fiscal não seria o suficiente, em outra suposta abordagem do segurança. “Preciso consultar minha supervisora”, que curiosamente já estava resolvendo outro enrosco para a colega. Nesse momento percebi: “A máquina da estupidez precisa seguir funcionando e assim, ninguém mais precisa pensar em suas ações, apenas seguir as regras que outros seres menores criaram. Afinal as regras vêm antes do bom senso, né não?”. Percebi também que a indignação do companheiro (só pra continuar provocando os politiks da banda mais fria da cidade, cheios de tiques e pra quebrar minha própria regra de não usar parênteses e agora dos professores que me ensinaram a não esticar muito essas curvas). Ajudei a moça-caixa colocando os adesivos errados nas garrafas corretas – o vinho continua sagrado e não seria ele o responsável por mais uma babaquice inventada por seres humanos ocupados em produzir separações e tristezas como aquelas já citadas, provocadas por esse bolo com fermento demais, receita da família, da cultura e por “La Sociedad”, exatamente como o nome de outra banda rabiscada em algumas das milhares de folhas brancas da cabeça explosiva dos freakie friends.

Aos poucos tudo ficará no seu devido lugar, e eu, o ladrão de versos desconhecidos e populares em outros campos, também regressarei ao começo, ao infinito e silencioso nothing, um lugarzinho bem confortável onde opiniões, regras, preconceitos e mágoas serão pontos opacos há anos-luz de distância, em um planetinha azulzinho, bem triste e injusto, mas com uma beleza infinita, bem como esse Eu maior e maiúsculo que temos dificuldade de sacar em tempos modernos pós junguianos, imbuídos de estímulos e distrações, lindas e horríveis, meras miragens holográficas de Talbot. Reveja o show de Truman and you will know the truth, leia o livro do Tim branco, ou escute o argento Tim ecoar os ensinamentos de seu mestre paulista.

“Não sei o que você anda lendo por aí”, ressoa una vez más o discurso evangélico de outrora e propagado de outras formas por falsos iluminados, extremistas veganos e onívoros, feministas e machistas, azuis e vermelhos, ingleses e alemães, metaleiros e pagodeiros, e todos esses seres que acreditam em algum cambio de consciência com tacos de bets ou beisebol nas mãos e a manipulável ciência-doutrina na outra, e esquecem de perceber que mudar de lado e seguir odiando o oposto é a brincadeira preferida dos adultos. Let the children play ou “deixe as crianças sozinhas”, pois professores como esses nós não precisamos mais, diria “Pink e o Cérebro” na tentativa de dominar o mundo pela maneira mais ilógica do horizonte: el amor después del amor, o amor mais que perfeito, o amor de roma, o amor em páli dos maravilhosos palíndromos reverenciados pelas caudas brancas do parceiro de rua.

E se o objetivo de outro enfadonho cursinho pré-qualquer-coisa que nunca fiz (graças a papai e mamãe por me poupar dessa também), ou quem sabe com todas essas regras eu conseguisse ser melhor compreendido, ainda que a sina de qualquer artista seja a escuridão e assim, se sentir um rei do rock ou do mambo, mais especialzinho e menos retardado, porém eternamente triste por estar só.

Finalize essa história de uma vez, seu garoto mimado! Tentarei antes que a bateria da maçã mordida se esvaia, e outra tentação reinicie outro conto sobre malandros fakes ou verdadeiros. “Fumamos muita coisa por aí e até ficamos todos reunidos em uma pessoa só” e assim, me tornei uma geleia de amendoim com açaí, em estilo buffet-brasil, misturando elementos demais e deixando todos confusos, os mamelucos e os cafuzos também e até os seis policiais que tocaram a campainha da casa recicladora de sonhos e fritadeira de mentes inquietas e humores swingados. E os outros cops que acabaram com os gritos de Fora T em plena praça pública, e mais aqueles que invadiram o barraco do mano da quebrada, empurraram sua namorada e depois o algemaram e o enfiaram em mais um camburão do governador playboy e que quase joguei uns amendoins nele quando o encontrei no aeroporto, meses após as bombas nos professores. Homens da lei na cidade do medo e no país dos bananas.

O “Escambau” que agora toca na vitrola mole do espelho preto me faz lembrar dos escambaus recorrentes e que quando as confusões se repetem demais, estamos “nos transformando e evoluindo, deixando algo pra trás” e hoje, depois de mais uma enxurrada necessária na montanha dos espelhos quebrados e dos símbolos falsos, araucárias e mais gralhas, hoje sinto a beleza dessas gotas batendo nos telhados baratos, e se “10% dos escombros eu escondi e nem sei como”, meu mapa do tesouro também teria um ou talvez quatro besouros, treze apóstolos que nunca li, magos e uma porção de vagabundos profetas, sábios sacanas, um pai-herói referência maior, uma mãe-amor conectora de destinos, dois grotescos vovôs deuses endiabrados e outras 69 lindas figuras femininas cheias de segredo e com nomes parecidos. Hoje choveu, choveu outras 1531 gotas de esperanza, do outro professorzinho, choveu gotas do artista sumido das gotas, choveu gostosas gotas de alguma liberdade que insiste em existir em um mundo cego dominado por zeros e uns. Hoje choveu, choveu sotaques e baques e bachs, choveu a gota mais preciosa, a gota do Om maior, a gota do abraço do amigo invisível. Choveu a gota de toda uma existência e que foi feita sob encomenda somente para… VOCÊ!

 

A felicidade fez mais um aniversário. Vamos dançar?

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A Empatia de Mettagozo

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A roda girante segue girando e dando voltas e mais voltas, em movimentos poliformes e repetições infinitas, histórias e personagens que se repetem, uns mais legais, outros mais chatos, tais como essas palavras medíocres que saem da cabeça enfervecida pelos ecos que emanam caos e decepção, influenciada por alguma fumaça típica da madrugada. Pequenos desvios de septo, de alguma memória guardada naquela gaveta antiga sem chave. Agora entendo que “fantasmas” você estava falando, Leonard ou essas “memórias que te torturam”, Willie. É preciso ressignificar eu disse no insta, errando no português. É preciso deixar as ondas, boas ou ruins, ressonarem nesse tronco profundo chamado alma. A explosão de ter conhecido o velho Mettagozo foi grande demais e só poderia agradecer a qualquer pachamama que você queira acreditar, por mais um dia maravilhoso, desses para recordar pelos próximos cinquenta anos, na companhia de sorridentes extraterrestres em alguma mesa de poker holográfica.

E se esse papo soa estranho demais, o anti-comandante pede gentilmente para você permanecer na terra segura e livre das maldades e dos milagres de um mar desconhecido, um oceano de possibilidades, desafios e aprendizados. “A história que revelarei agora” aconteceu aqui mesmo, em Curitiba. A mesma “curitiba doida” em caixa baixa como aprendi com você, meu velho amigo Paquito.

2016 “foi um ano ruim”. Estive na fossa composta por jacas de todos os tamanhos, me sucumbi ao diabo e suas boletas que controlam nosso humor e deixam as curvas da vida menos sinuosas; porém um sábio birmanês me trouxe de volta para a realidade maior, a natureza que independe da sua ou da minha opinião, apenas existe, profunda e mais esperta que todos os computadores desse universo, ainda que essas máquinas fossem controladas por bilhões de Hawkings. E foi nesse ano que o amigo enxaqueca encontrou no lixão uma gravura do gênio Mettagozo, em alguma caçamba por aí. Colocamos a obra de arte na sala de casa, e por lá permaneceu por vários meses, decorando um espaço subversivo e pseudo anti-sistema, onde loucos de todas as origens e idades se encontravam, comiam, bebiam, conversavam, riam, transavam e dormiam. Teve gente querendo colorir a obra e sinto que o autor não se importaria tanto caso isso de fato acontecesse, afinal o que está aí é para ser transformado e o artista que não gosta de ver seu trabalho modificado não percebe que toda a vez que repete essa postura ele está se colocando como maior ou mais importante que o pixador ou talvez o próximo Banksy. Ele ou sua obra, não importa. Obrigado meu novo amigo Rodô por não me fazer sentir tão sozinho nessa também. Essa natureza maior que tento explicar jamais entenderia essa mente mentirosa que diz que uma coisa é boa ou não, exatamente como estou fazendo agora.

Explicar o inexplicável cansa, ainda que outro sábio popular siga afirmando que “navegar é preciso”. Sentir é preciso. Viver é preciso e a palavra improviso não deveria existir no dicionário. Jamais algo terá mais precisão ou necessidade que o sentir. Papos intelectualóides necessitam de interrupções, seja de um Mettagozo inventando canções em um ukelele desafinado e com a voz toda fodida, ou de um jovem artista de rua mostrando alguma nova dimensão para uma plateia deslumbrada com a ilusão do poder chamado microfone anos-luz de gente que acha que a relatividade é a grande responsável pela merda do mundo, ou que quando alguém diz que é escritor, você deve questioná-lo: “Que faixa você é, preta, azul ou branca?

Palavras e imagens deveriam ajudar, mas se “a liberdade está logo na esquina”, o que vai adiantar isso se “a verdade está tão distante de si”, diria o coringa de Bob. Repetirei quantas vezes precisar, a verdade está no sentir. O irmão está logo na sua frente, como disse certa vez o motorista carioca, acalmando os impacientes passageiros de um busão rumo ao carnaval dos milhões e das milhares de almas que conseguem sentir o verdadeiro espírito de qualquer festa popular. O mal ou o guru também pode estar em qualquer esquina. Converse com mais mendigos sem os medos do passado e você começará a entender o que tento dizer. E é sempre mais fácil ignorar a sabedoria alheia quando nos apegamos a opiniões cruzadas, lapsos de ira que só fazem o mestre retornar a posição de aprendiz, pela milésima vez. Quando as interpretações errôneas deixarem de existir e as lições acabarem, “mate-me por favor”.

O parceiro de caminhada Mettagozo parece tirar isso de letra, ou como costumo fazer por aqui, tirando ensinamentos espirituais ou “lições de moral” em letras de canções esquecidas. “Quando me espancaram na ditadura e arrancaram meus dentes, sabe o que eu fiz? Sorri, pois sabia que nada daquilo era real.” Homens e muitas mulheres adoram jogar pedras e colocar na fogueira os vagabundos iluminados que lhes mostram outro ponto de vista que não seja baseado em “tíorias”, apenas em percepções sensitivas dessa natureza infinita. Darwin deu apenas o primeiro e sempre gigantesco passo, a competitividade utilizada para justificar as atrocidades do capitalismo já não faz mais sentido e é preciso compreender que somos seres cooperativos. Isso se ainda quisermos nos salvar desse suposto fim anunciado exaustivamente por todos os poros.

Ah Mettagozo…que história eu estava tentando contar mesmo? Sobre o “menino infeliz que não se ilumina”? Quem sabe quando tivermos cajuína em curitiba as pessoas se iluminem mais. Fernando vem dessas bandas, onde o líquido sagrado se faz presente e onde ele tinha uma banda sequestradora de céus, que agora está sendo resgatada em ritmo homeopático. Nesse processo, seu coração vem sofrendo operações pontuais e com a ajuda de seres invisíveis, frequentadores dos rituais tribais de outrora. Porém antes de seguir mais esse causo tenho que retornar ao personagem principal: a gravura encontrada no lixo urbano desse artista bendito de sobrenome e idade sexual.

Havia uma casa charmosinha, sede de eventos culturais e produtos artesanais com valores duvidosos, ainda que essa equação “arte x preço” seja tão abstrata quanto “a vida em seus métodos”. Nessa casa, com flores em todos os cantos, rolava uma reunião de artistas, uns mais conhecidos, outros menos. Mettagozo estava lá, com seus desenhos, seus “poeminhas” e principalmente seu espírito livre. Carla Brasa também estava lá, com sua beleza e suas opiniões. A conversa por vezes travada seguiu até um ponto, um ponto bem próximo do final, em que o interlocutor decidiu abrir o microfone para o público. My friend Fernando levantou a mão e nesse instante percebi que deveria fazer um esforço mínimo para conseguir o tal microfone dourado. Passei o cabo por volta de uma planta bacana e quando cheguei perto de Fer, senti o balanço do barco, mas felizmente ele aceitou a ideia de sair do anonimato.

“Heyyyy…você! Como é o seu nome mesmo?” Enquanto risos amarelos ressonavam no ambiente esterilizado, eu lhe disse baixinho “Mettagozo, mas a galera chama ele de Metta”. “O quê???”, ele titubeou. Fortaleza, eu te amo cada vez mais. Fernando, o cidadão instigado da vez fez a pergunta que não poderia deixar de ser feita. “Estive na ocupação do Iphan no Rio e percebi que havia uma separação nítida entre a classe artística, entre aqueles detentores do poder obtido pelos velhos editais e aqueles marginalizados, os artistas de rua que passam o chapéu e sofrem diariamente a repressão de uma polícia alinhada com os interesses elitistas de sempre. O que acham disso?” O poeta genioso divagou e não respondeu. Brasa sacou a inquietude do cabeludo com pinta de artista e tentou: “tem aquele artista que consegue um edital menor e paga 150 reais para um cara montar seu palco e depois fica grande e pomposo e continua pagando os mesmos 150 golpes.” E pior, seu discurso de classe segue intocável. Go figure.

Fernando, segurando o gibi do super-homem que fiz ele segurar para tirar uma foto dessa grama de instante real concluiu: “O que vocês acham de fazer um próximo encontro somente com artistas de rua?”. O barbudo interlocutor disse que seria um prazer, mas será que ele estava querendo impor condições? “Ao colocarmos condições, o amor evapora”, cantaria Kevin. É essa esperança Fer que eu e Kevin continuamos tendo, ainda que estejamos num “ciclo putrificado cheio de um sebo pastoso e repugnante, onde lambemos uns aos outros num gesto desprezível que chamamos falsamente de ‘empatia’.”

Mas o universo e essa empatia aí parecia estar do lado dos marginais e foi no final dos finais que Letícia sorteou uma gravura do Metta, ironicamente a MESMA que decorou a sala de casa, numa reciclagem pós-tropicalista de araque..e quem ganhou a versão que seria posteriormente autografada? Super-Fernando!!!