filmes

FEBRE DO RATO OU HELLCIFE PELOS OLHOS DE UM POETA

febredorato“Quem disse que poesia não embala, quem disse que poesia não embriaga,…” Os versos declamados pelo poeta do filme, o personagem Zizo, ilustram um pouco do universo caótico, libertário e anarquista do próprio diretor do filme, o “poeta audiovisual” Claudio Assis.

Após caminhar por estradas tortas e becos obscuros, alcançando resultados brilhantes (vide Amarelo Manga e Baixio das Bestas), Claudio Assis chega ao seu terceiro longa com a lucidez só encontrada nos loucos, transmutando a poesia esquecida das ruas e  colocando-a na tela do cinema: viva, intensa, sincera e multifacetada, como ela sempre foi.

Recife ou Hellcife, serve como cenário para um verdadeiro pandemônio, um cenário que é impossível dissociar dos personagens ou da própria história contada. “Esse filme não tem história”, diz uma personagem em relação ao filme a que estão assistindo e numa metalinguagem, ao próprio filme de Claudio Assis. O poeta Zizo, uma espécie de alter ego do diretor, responde: “Esse filme é sobre a minha vida, a história você vai criando na sua cabeça”.

E não é uma só, já que temos as brigas de amor do “paizinho” e sua esposa travesti, e temos a história de Zizo, e sua luta para, através da sua mídia livre, o jornal “Febre do Rato”, conseguir mudar o sistema vigente, que oprime e deixa as pessoas sem a capacidade de “espernear” contra as coisas erradas que acontecem por aí.

A história de Zizo culmina quando ele e seus amigos de bairro resolvem protestar em pleno 7 de setembro, afinal “Até a Anarquia precisa de tradição!”, em uma cena que me lembrou “Zabriskie Point” do Antonioni, pela libertinagem e também “Um Filme Falado” do Manuel de Oliveira, pelo corte abrupto e o final esquisito que orfaniza a plateia. 

Concordo que esse final possa gerar desconforto no expectador e compreendo as razões para isso acontecer, mas acredito que Assis só procurou mostrar o que rola por aí e como o sistema segue opressor como nunca. É claro que todos nós gostaríamos de viver nesse sonho anárquico pós-moderno, onde tudo é possível e as leis são feitas naturalmente pelo próprio grupo, mas infelizmente essa realidade segue próxima da ilusão.

A Febre do Rato de Claudio Assis, enfatizada pela fotografia monocolorida e pelas lentes hipnóticas do mestre Walter Carvalho, é cheia dessas divagações, dessas poesias viscerais que nos fazem questionar o status quo e toda a ordem pré-estabelecida, que nos fazem sentir que há uma luz no fim desse imenso túnel de caretice que assola a humanidade. Uma pena não termos mais diretores honestos e corajosos como esse pernambucano cachaceiro arretado chamado Claudio Assis. Obrigado mais uma vez por sacudir nossos traseiros!

É anarquia, é mídia livre, é orgia e é poesia, é porra, é cachaça e maconha, é pansexualidade, é pichação, é ação e emoção, é liberdade e é panfletagem, é Assis nos lembrando que a POESIA ainda existe! Viva os loucos!

contos

Gripe Metal

metalSão dez e meia da manhã e depois de brigar com o sono e a eterna preguiça matutina, decido levantar, me mexer e começar o dia, assim como um certo Kris cantou um dia. Ainda sinto minha costela contundida do pequeno incidente esportivo de semanas atrás. Também sinto a garganta corrompida, agregada a uma sudorese nasal, típica do início de mais uma gripe anual. No café, a granola com pêra asiática me dá a energia que meu corpo precisa, enquanto o chá de limão, mel e gengibre, promete brigar legitimamente com os sintomas do vírus contraído em um bar sangrento, num ambiente fedorento, com o chão molhado de cerveja e com as inúmeras secreções de jovens metaleiros, alegres e com sobras de testosterona e, que hoje, passo a invejar. A roda de quebra-quebra tem muita história pra contar.

No palco, a velha pantera e, ao meu lado, outra pantera, tia dos meninos de preto, fiéis da religião mais popular do centro dessa tal cidade sorriso dos mortos-vivos. Enquanto isso, na hamburgueria da famosa esquina, as garotas conversam com seus garotos, fumando seus cigarros mágicos e bebendo suas cervejas nem sempre especiais. Se pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo ou se não tivesse perdido a oportunidade na outra noite, diria pra garota, funcionária de uma agência, que seu cabelo ficou de fato, lindo. Mas a madrugada é das panteras e dos metálicos e só tenho a agradecer pela companhia e pelas múltiplas lembranças de uma adolescência rodeada pelos símbolos que agora revisito compulsivamente na lembrança: das camisetas de bandas, dos cabelos e das pulseiras de todos aqueles meninos e meninas, imersos numa inocente e urgente rebeldia. E talvez por nunca ter vivido externamente esses símbolos, decidi, acredito que pela primeira vez em minha vida, levantar meu braço direito e materializar com os dedos, quem sabe, o maior desses símbolos, formando o vulgo e batido “sinal do capeta”, em meio de centenas de outros, mais automáticos, porém igualmente sinceros e que unificavam o recinto de ares sacros.  Por dentro, uma estranha emoção se revelou. Dos olhos, uma lágrima se formou enquanto panteras dominavam meu inconsciente, misturadas com o perfume do xampu nacional e com as cervejas francesas de mais uma noite sem amarras. Na saída, ainda houve tempo de entregarmos o saco de pipocas guardado no porta-luvas para a andarilha de plantão, que sorriu e agradeceu e ainda que sua boca carecesse de dentes e que isso se demonstrasse irrelevante para a ocasião, ela esbanjou simpatia.

De lá pra cá, ainda sinto os efeitos dessa empreitada, nas memórias recorrentes e principalmente em meu corpo gripado.

Esses roques da pesada também têm suas consequências, o tio que o diga.

arte, fotografias, pseudojornalismo

A Annie Por Trás Das Lentes

Para Gugagumma, por me lembrar dela, e para as mulheres, pelo seu dia (atrasado) ou mês como as farmácias costumam divulgar

annie

Annie Leibovitz é fotógrafa e como não poderia deixar de ser, ficou famosa por seus retratos. Retratos, de gente famosa e de gente que ficou ainda mais famosa depois de seus retratos. E como qualquer grande artista, ela foi além. Além dos clichês e dos preconceitos da época por ser uma mulher: indefesa, sensível e todos aqueles adjetivos que alguns insistem em colocar ao lado desse substantivo. E pseudo-feminismos à parte, esse fato sempre foi irrelevante, pelo menos para ela.

Annie ficou ainda mais conhecida por retratar um certo João, nu, abraçando em posição fetal o grande amor de sua vida – uma japonesa famosa por ter sido injustamente culpada pela separação dos besouros (pois é, ainda tem gente que acredita nessa lenga-lenga).

Na ocasião ela chegou de mansinho, assim como de costume, explicou algumas de suas idéias e segundo a japonesa com fama de bruxa, seu João curtiu sua proposta e acrescentou que aquela nudez representaria sua vulnerabilidade. Sim João, é sempre bom lembrar os mortais que pequenos ou grandes artistas, reis, papas ou presidentes americanos também são humanos (e logo, mortais) e além de carregarem o peso da existência, também fazem suas necessidades onde conseguem e se despem, quando lhes convém.

Annie aprendeu desde cedo, nas viagens de carro da família, a ver o mundo por uma lente, no caso, a da janela do carro de seu pai. Cresceu. Conheceu alguns mestres e aprendeu alguns truques com eles e com suas pequenas câmeras ainda em fase embrionária naqueles tempos e assim, roubou pra si a essência desse conceito que hoje conhecemos como portabilidade e que graças a Deus vai muito além de celulares.

Jovem e selvagem ela logo foi contratada pela revista símbolo de toda aquela contracultura norte-americana, depois que suas fotos da já velha mochila de viagem foram parar nas mãos da responsável por um setor que hoje tem pouco ou nada haver com o nome, mas que talvez naquela época ainda fizesse algum sentido – o da direção de arte.

E sendo essa jovem selvagem ela conhece e se identifica com o jornalista-escritor-gonzo Hunter Thompson, que segundo a própria, era “um maluco que nunca estava longe das drogas, pelo contrário, estava sempre dentro delas”. E junto com mais esse personagem da vida real, ela passa a conhecer os bastidores do que hoje conhecemos por “sexo, drogas e rock´n´roll”, e como o próprio Doutor Hunter fazia com seus textos, Annie também sentia que para retratar aquele mundo, ela precisava fazer parte dele, mesmo que para isso, precisasse ceder seu corpo e seu espírito. E assim, Annie conseguia fotos de extrema originalidade e imparcialidade (se é que isso seja possível), desvendando ao mundo um pouco (talvez muito) desse universo pop do rock daqueles anos ou a tal alma do artista que tantos procuram.

Os anos se passaram e para não parar de crescer Annie precisou se afastar de tudo aquilo que havia se apaixonado nos anos anteriores. Foi admitida em uma clínica de reabilitação e conseguiu ficar limpa (seja lá o que isso signifique) até os dias de hoje. E para não sucumbir aos antigos vícios, mudou de ares e caiu de cabeça num deplorável mundo novo que poucos achavam que ela se interessaria – o mainstream de uma grande revista de moda. Sob sua tutela e depois de encontrar uma nova mestra, artistas badalados de Hollywood passaram a aceitar seus milionários contratos agora com mais um novo motivo: Annie extrairia o máximo de cada estrela.

Além da moda, do rock e até de Arnold Schwarzenegger (que considero um mundo à parte), Annie ainda se aventurou na dança e este talvez tenha sido seu maior desafio, o de encontrar alguma fórmula (estudada previamente por outros mestres da fotografia) de capturar o momento exato que pudesse simbolizar a essência de um grande dançarino. Sim, Annie não se cansa (ela ainda tem três filhas pra criar), já enfrentou sérios problemas financeiros pós-fama e mesmo que seu Sobrenome agora pese tanto. Mas para alguém que nunca se importou com rótulos, provavelmente isso não faça muita diferença.

Parabéns Lebowsky, ou melhor, Leibovitz! Por seu amor e dedicação que com certeza superam sua arte e abrem novos horizontes, sem os velhos preconceitos ou as velhas lentes de sempre.

Em tempo, para quem se interessar, o documentário sobre Annie está disponível na íntegra, em inglês, no link abaixo:
http://vimeo.com/42602711

E para um coletivo infinito de suas fotos, clique aqui.

pseudojornalismo

O Punhetódromo

Talvez você ainda não saiba, mas as saudosas lan-houses, do tempo que a molecada passava suas tardes jogando GTA, mudaram de função. Hoje chamadas de “internet café” ou de qualquer outra coisa, esses recintos se transformaram em um reduto underground para jovens praticarem sexo seguro, isto é, a masturbação solitária, ou como nos velhos tempos, a boa e velha punheta. Pois é, com os avanços tecnológicos e econômicos, hoje em dia só não tem internet quem não quer, ou como no meu caso, decide não ter. E assim, quem hoje vai em uma “lan”, acaba sucumbindo para a mais antiga das artes – a pornografia. Me refiro aqueles seres do sexo masculino, já que ainda não consigo imaginar mulheres usando a internet para isso. Pelo menos não em um local público.

Nessa minha opção de passar mais tempo off-line, costumo ir uma vez ao dia na lan aqui perto de casa, para checar meus e-mails e pesquisar algo que julgue interessante. Curioso foi perceber que todas essas vezes vi monitores com fotos e vídeos de sexo explícito, em pleno horário comercial. Também reparei que há um banheiro na mesma sala onde ficam os computadores e não é raro ver algum marmanjo entrando e saindo de lá, com aquela cara de “satisfeito”, e indo direto para o caixa, no andar de baixo. Uma vez concluída a missão, é hora de pagar e seguir com os (outros) afazeres do dia.

Lembro de ouvir o Lourenço Mutarelli dizer algo sobre a internet representar a decadência do ser humano, ou à volta a suas origens, já que uma vez nela, o mais comum é usa-la para fofocas e curiosidades banais sobre a vida alheia ou como venho tentando dizer sem meias palavras – a putaria. Para quem sabe usa-la, ela até pode ser uma ferramenta útil do conhecimento, apesar de também, como bem comentado por Mutarelli, representar no máximo cinco ou seis fontes diferentes sobre um mesmo assunto. O resto é cópia.

Não sei, mas ando pensando em levar meu álcool gel na próxima vez que for usar um computador em uma lan-house.

contos

Sexo, Estranho Sexo

Na parede do quarto dela haviam papéis. Papéis com códigos de área para cada país e por algum motivo, isso o deixava um pouco nervoso. Era sua primeira noite íntima ao lado dela e aos poucos ele descobria seu outro lado. Um lado meio estranho, uma sensualidade esquisita, difícil de explicar. Seria ela mais uma dessas caçadoras de europeus afortunados?

Passou pela cozinha, viu uma barata se esconder embaixo do fogão, entrou no quarto e foi surpreendido por um abraço caloroso e uma perna pressionando seu quadril. Quis iniciar o ato nesse momento, mas ela não o deixou. Disse que tomaria um banho antes e antes que ele dissesse qualquer outra bobagem, o convidou para acompanhá-la. A ducha fria o espantou um pouco e a barata na cozinha permanecia em busca de comida.

O sexo foi tão estranho como toda a situação e foi nesse momento que ele pôde sentir os ossos e a vulnerabilidade daquele pequeno corpo. Definitivamente ela era demasiada magra. E silenciosa. Dormiram abraçados como qualquer casal apaixonado, mesmo estando bem longe de tal sentimento. E depois dessa noite, eles nunca mais iriam se ver.

pseudojornalismo

Os 10 Festivais Mais Bizarros do Mundo

La tomatina

Na última quarta-feira de agosto de todos os anos, na região da Valencia, mais precisamente na província de Buñol, 9.000 moradores e de 20 a 40 mil estrangeiros aparecem na cidade para jogar tomates um no outro em uma suposta homenagem a Virgem Maria e ao Santo Luis Bertrand. Essa tradição existe desde a década de 40, apesar de ter sido suspensa durante o reinado de Franco. O festival começa com uma pessoa tentando escalar um pau de sebo para capturar um presunto cozido (?). Após o presunto descer do tal pau, canhões de água são disparados contra os participantes e mais de 100 toneladas de tomate são despejadas nas ruas para o povo utilizar como “munição”. Os turistas tendem a ser o principal alvo dos moradores.

Festival do Queijo Rolante

O “Cheese Rolling Festival” é realizado todo mês de maio em Cooper´s Hill, no Reino Unido. Basicamente, o festival envolve um funcionário lançando um queijo em algum morro extremamente íngreme. Em seguida, centenas de malucos começam a correr ladeira abaixo (arriscando suas vidas/integridades físicas), com o objetivo de pegar o tal queijo. Mulheres e homens correm separadamente e as crianças não estão autorizadas a competir, embora muitas vezes os meninos locais da cidade participem de qualquer jeito.

As Fogueiras de São João

As tais fogueiras de São João (bem maiores que as produzidas por aqui) fazem parte de um festival popular na Espanha, realizado entre os dias 19 e 24 de junho. O festival envolve a estranha produção das fogueiras (frequentemente alimentadas por móveis antigos). Os moradores bebem chocolate quente, enquanto assistem as fogueiras. E é aí que a coisa fica esquisita. Crianças das aldeias se revezam em corridas através do (sempre perigoso) fogo. A semana é marcada por festividades, fogos de artifício, e um concurso para eleger as 86 mulheres e 86 meninas mais “lindas” das fogueiras. Elas são então, nomeadas rainhas do festival.

Festival do Arremesso de Cabras

Certamente o espanhol curte uma festa bizarra. Todos os anos, no quarto domingo de janeiro, os moradores de uma pequena cidade chamada Manganeses de La Polvorosa se reúnem para o “Festival do Arremesso de Cabras”, em homenagem ao São Vicente de Paulo, o santo padroeiro da cidade. O festival já existe há tanto tempo que ninguém sabe quando começou. Trata-se de um jovem que encontra uma cabra na aldeia, amarrando-a e levando-a ao topo do campanário da igreja local. Ele então joga a cabra para fora da janela, fazendo ela cair por uma altura de 50 pés, onde (felizmente?) ela é capturada por moradores segurando uma folha de lona. Os oficiais da cidade já proibiram o evento, mas ele continua sendo realizado de forma independente (e sem nenhuma noção). Várias agências dos direitos dos animais já protestaram e infelizmente essas queixas continuam sendo ignoradas.

Hadaka Matsuri

Hadaka Matsuri é um festival japonês em que todos os participantes estão com a bunda de fora. O festival é celebrado várias vezes ao longo do ano, em diversas partes do Japão e as pessoas envolvidas geralmente usam um tipo de tanga “tradicional”. Alguns aparecem completamente nus – algo que não é reprimido e sim considerado um ato “saudável”. As festas envolvem frequentemente o uso de lama (para entretenimento dos presentes) e muitas vezes há festivais específicos para os homens e para as mulheres. O festival tem suas origens na religião local, porém nos dias de hoje esse aspecto religioso foi praticamente esquecido.

El Colacho

Desde 1620, o “El Colacho” (ou “salto do bebê”) é um festival espanhol realizado todos os anos durante as comemorações de Corpus Christi. O festival envolve a colocação de colchões contendo bebês nascidos nos últimos 12 meses. Em seguida, os homens adultos da aldeia de Castrillo de Murcia, devidamente vestidos como demônios, se revezam nos saltos sobre os bebês, resultando muitas vezes, em lesões (geralmente/felizmente nos adultos). Acredita-se que o salto livra os bebês do pecado original, funcionando como uma bizarra forma de batismo. Recentemente, o Papa Bento XVI pediu aos sacerdotes locais que se afastem desse festival, uma vez que é perigoso e contrário à religião católica.

Fiesta de Santa Marta de Ribarteme

Todos os anos em Las Nieves (novamente, na Espanha), pessoas que sofreram uma experiência de quase-morte durante o ano que se passou, se reúnem para assistir à missa em celebração da Santa Marta de Ribarteme, a santa padroeira da ressureição. E agora vem a bizarrice: eles aparecem na missa carregando um caixão, ou ainda, sendo transportados por um. Após a missa, todos os caixões vão até o topo de uma colina próxima, onde há uma estátua do santo. Apesar da seriedade do evento, pessoas soltam fogos de artíficio e os lojistas enchem as ruas para vender objetos religiosos.

Festival do Ganso Amarrado

Até recentemente, um festival anual era realizado na Alemanha, onde um ganso era amarrado pelos pés a um poste até sua cabeça cair. Depois de denúncias dos ativistas dos direitos dos animais, os organizadores agora utilizam um ganso que já tenha sido morto previamente. Um evento semelhante acontece na Espanha (surpresa!), onde um homem pendura um ganso até sua cabeça cair (!). Novamente o ganso é morto antes do evento (ah sim, agora melhorou “muito”), que já conta uma tradição (doentia) de 350 anos.

Kanamara Matsuri

Todos os anos, na primavera, o festival Kanamara Matsuri (ou “O Falo de Aço”) é realizado em Kawasaki, no Japão. É um festival da fertilidade pertencente ao Xintoísmo e, como seria de esperar, envolve uma grande estátua de um pênis. Durante o festival, as pessoas podem comprar doces, verduras e presentes em forma de… um pênis. O festival é muito popular entre as prostitutas que pensavam que suas participações contribuiam para evitar que as mesmas contraíssem doenças sexualmente transmissíveis (camisinha que é bom nada né?).

Thaipusam

Thaipusam é um festival hindu (celebrado em sua maioria pelos tamis), realizado em janeiro/fevereiro de cada ano para comemorar o nascimento de “Murugan” (filho dos deuses Shiva e Parvati). Os participantes raspam a cabeça e fazem uma peregrinação e no final, enfiam espetos extremamente afiados em seus lábios ou bochechas. Alguns dos praticamente (preferem?) colocar ganchos em suas costas, puxando objetos pesados. O objetivo é causar a maior dor possível, afinal, quanto mais você resistir, mais “bençãos” receberá dos deuses. O festival é popular na Índia, mas a maior celebração ocorre na Singapura e na Malásia, onde até um feriado é proclamado.

fonte (tradução Pace is the Essence)

filmes

Sexo Explícito no Cinema é Pornografia?

Em uma das primeiras cenas do filme “Shortbus” de 2006, vemos um dos personagens centrais praticando sexo oral em si mesmo. Não há uma preocupação em esconder o pênis do ator, tudo que vemos é exatamente o que está acontecendo. Somos como o outro personagem que observa tudo atentamente, do outro lado da rua, no prédio vizinho, com um binóculo ou no conforto da nossa casa, assistindo o DVD na televisão. Em outra cena, vemos um ménage a trois entre homens homossexuais. Tudo explícito, sem pudor ou truques de câmera. Até aí, poderia dizer que estamos diante de um filme pornô meio bizarro, distante de qualquer “forma de arte”. Mas não, “Shortbus” consegue ir além disso, envolvendo o expectador numa história de amor, angústias e sim, muito sexo.

É sobre as relações amorosas e por conseqüência sexuais que o diretor pretende discutir. É sobre a mulher “pré-orgásmica” que ironicamente é uma terapeuta sexual (ou conselheira de casais, como ela prefere ser chamada). É sobre uma dominatrix que nunca teve uma relação amorosa. E é sobre uma espécie de clube/bar nova-iorquino chamado Shortbus, onde todos esses desajustados se encontram.

Quando questionado sobre a razão de tantas pessoas jovens irem morar em Nova Iorque, o drag queen Justin Bond responde: “11 de setembro. Foi a única coisa real que aconteceu com eles.” Em outro momento, um antigo prefeito da cidade e freqüentador assíduo do clube fala que “Nova Iorque é o lugar onde as pessoas vão para serem perdoadas”.  Ao observar a sala onde diferentes casais praticam sexo grupal, Justin Bond comenta: “É como nos anos 60. Mas com menos esperança”.

Com diálogos sinceros e originais intercalados com cenas de sexo explícito (não menos sinceras ou originais), Shortbus ajuda a redefinir o conceito de pornografia no cinema, comprovando que essa idéia está muito mais no olhar do expectador do que nos órgãos sexuais dos atores capturados pelas lentes do diretor. Afinal, não podemos esquecer que o sexo e seus tabus fazem parte da nossa vida, e por que não deveria também fazer parte do cinema?